Milhares de refugiados Sírios batem, desesperadamente à
nossa porta, às portas de uma Europa que se julga civilizada, democrática,
solidária, evoluída…
São tratados como cães vadios, quando nem vadios deviam ser
os cães…
Insultados, atacados, escorraçados quando a única coisa que
querem é poder viver e que os seus vivam…
São emigrantes e nós, portugueses, somos também um povo de
emigrantes, tantos nossos, com gentes suas, lá fora que ouço a dizer:
“Eles que voltem para o país deles que nós cá já temos muita
miséria”
Não é obrigação, daqueles pais, procurar um futuro possível para
os seus filhos?
Uma vida de paz com, alguma, dignidade?
Não queremos nós todos o mesmo para nós, para os nossos filhos?
Se cá houvesse guerra, só morte, fome e miséria não fugiríamos
nós, com os nossos filhos pelas mãos?
São Sírios, mas podiam ser Portugueses. Franceses, Alemães…
Não escolhemos o
lugar onde nascemos e é muito cruel condenarem-nos a morrer só porque tivemos o
azar de nascer no sítio errado.


