domingo, 19 de julho de 2015

Porque nos tornamos invisíveis?

As pessoas não são invisíveis, mas às vezes não as vemos porque tapamos os olhos com a nossa indiferença ou fechamos as cortinas do nosso umbigo...
Precisamos uns dos outros, gostamos que nos abracem, que nos toquem, nos afaguem, nos ouçam, nos vejam, mas só quando somos nós.
Estamos sempre ocupados, distraídos, quando a dor dos outros irrompe pelas persianas do nosso individualismo e depois queremos que entendam as nossas lágrimas, porque as nossas, sempre as nossas, são as mais pesadas e salgadas.

 E quando alguém se preocupa connosco gratuitamente, nos alcança sem motivo ou sem pedido, nos enxuga as lágrimas que ainda nem sabíamos que iríamos chorar e faz parte da nossa vida sempre porque nos quer bem e por isso e só por isso, está sempre lá! 
Agradecemos mantendo a mesma indiferença, o mesmo umbiguísmo, mostrando-lhes que só não são invisíveis e estão nas nossas vidas se precisarmos do colo delas, até as despedaçarmos completamente e as tornarmos como nós.


sexta-feira, 17 de julho de 2015

Ainda a Grécia (desculpem, mas isto enerva-me...)

Tsipras cedeu.
Face a um punho cerrado preferiu salvar o povo da saída do Euro (por agora...) que levar a vontade do povo grego até às últimas consequências, no seu entender...
No meu entender assinou a sentença de morte da dignidade Helénica e deitou por terra qualquer estratégia de salvar a união europeia (qual união??) da subserviência de uma Alemanha enraizadamente e geneticamente nazi.


Num panorama perfeito a Grécia (representada por Tsipras) teria dito Não à vergonhosa chantagem, teria escolhido sair do Euro e da União Europeia e a Irlanda, Portugal e a Espanha diriam que caso a Grécia saísse seguir-lhe-iam os passos, obrigando a França a tomar uma posição (Hollande mostra-se algo renitente a estas medidas discriminatórias e desumanas, mas no fim tem sempre apoiado as decisões de Merkle).

Teríamos assim uma Europa equilibradamente dividida, de um lado o forte poder económico, do outro os direitos humanos.

A Rússia tentaria tomar partido da situação, a América tomaria uma posição favorável ao nosso lado para impedir acordos com a Rússia, a economia Holandesa entraria em colapso e acabaria por ser mais uma forma de pressionar a Alemanha.

A Alemanha cederia, teria de encolher as  suas unhas arianas, sentir-se-ia a perder terreno, a perder o controlo.
Ou então não cederia e tentaria exterminar as ameaças, acabando isolada e eventualmente condenada por novos crimes contra a Humanidade.

Mas a realidade não é um panorama perfeito, os lideres (lideres ah ah ah) da Irlanda, Portugal e Espanha preferiram atacar a Grécia, como se de uma doença infecciosa se tratasse, metendo os seus receios políticos à frente do interesse dos seus povos e do bem comum da Europa.
Assassinaram a expressão União Europeia, estrangularam a democracia, esmagaram a pedra basilar da ideia que levou à União Europeia, a solidariedade entre os povos europeus de forma a garantir uma Europa una e forte.

Tsipras cedeu, deve ter sido muito difícil tomar a decisão que ditou o prazo de validade da sua nação e o verdadeiro principio do fim da Europa.

"Para que o mal triunfe, basta que os bons não façam nada." (Edmund Burke)


quarta-feira, 8 de julho de 2015

Tem cancro mas já pode sair à rua...

O JN partilhou a noticia da primeira aparição pública, sem cabelo, de Laura Ferreira, mulher, mãe, fisioterapeuta e, também, esposa do pm Passos Coelho,numa visita oficial a Cabo Verde, país onde passou parte da sua infância, e à Guiné Bissau, a sua terra natal.
a noticia aqui 

Houve quem dissesse que o Passos Coelho estava a usar a doença da mulher para fazer campanha
Houve quem dissesse que era uma grande mulher por sair à rua, sem cabelo.
Houve quem dissesse que o JN devia ter vergonha de fazer disto noticia.
Houve quem dissesse que era importante a noticia para as outras mulheres que passam pelo mesmo tenham força.

O cancro existe, as mulheres/homens e familiares que lidam com isso não têm de falar baixinho, ou esconderem-se para não incomodarem os outros...
O cancro existe e provavelmente poderemos passar por isso e não é por nos afastarmos de quem tem, ou não falarmos disso que ele não nos toca.
Ser careca não é motivo de vergonha, nem de orgulho é apenas um efeito secundário do tratamento de uma doença, eu não gostava de ficar careca e seria doloroso lidar com isso, mas deve ser mais doloroso lidar com a realidade da doença e o medo dos outros que se afastam porque não nos querem encarar...
Eu fico feliz pela Laura Ferreira ter forças para sair de casa, eu fico feliz por qualquer pessoa que combata doenças, oncológicas ou não, tenham forças para sair de casa, para sorrir, para viver.

Todos nós vamos morrer um dia, de cancro, de trombose, com um vaso na cabeça que cai de uma varanda, seja do que for, é inevitável a morte.
Todos vamos morrer, todos (Até o Manoel de Oliveira).
Mas podemos viver todos os dias até lá, a Laura Ferreira também.

Sonhos???

E quando sonhas e no sonho algo te diz para escolheres um caminho, porque estavas triste e precisas é de paz de espirito
( e a opção do sonho era literalmente esta:
praia de Martinica, nem sei onde fui buscar isto, fui agora pesquisar ao Google..., só que no meu sonho Martinica era em Espanha e eu ia num autocarro que dava para parar lá... lol)

 e ainda assim escolhes ir a correr contra uma parede?
E ter o (re)encontro mais twilight de sempre num restaurante a pensar como te podias escapar dali e apanhar a tua dignidade em frangalhos do chão?
E acabas a cantar isto com uma criança de 6,7 anos que não conheces de lado nenhum, numa tentativa de te abstraires da porcaria onde te foste meter...
E quando acordas ficas a pensar naquilo e não consegues dormir mais e só pensas até nos sonhos sou burra!!!
(E sim a musica é pimbalhona e de um filme que vi há séculos, mas em minha defesa foi a miuda do sonho que a começou a cantar e vou fazer de conta que tem cariz premonitório)

Ou então só preciso de férias...

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Oxi! Uma palavra que saiu dos corações corajosos de uma grande Nação!

Se fosse cá, provavelmente nem teriam ido votar porque estava calor, mas ainda há portugueses que se acham no direito de julgar a coragem do povo grego, que fez História ontem, uma vez mais, um povo que tem séculos de História e conquistas, um povo que é o berço da Democracia!

Chamam-lhes "Chulos" que não querem pagar a divida, que não gostam de trabalhar...
Eu só vejo um povo que se debate com os mesmos problemas e má-fama dos portugueses pela línguas dos lideres Europeus, lideres que provam que o Nazismo continua enraizado naquela gente,  a raça ariana a tentar proliferar em todo o seu esplendor e crueldade. Tentaram dominar o mundo pela força bélica e estão a tentar novamente pelo poder económico.

Os acordos feitos com governantes corruptos das nações europeias (da nossa e da grega) ao longo dos anos enfraqueceram-nos cada vez mais e deram mais poder à Alemanha, pagaram-nos para deixarmos de produzir, para deixarmos de pescar, para perdermos autonomia, para sermos dependentes e importadores compulsivos.

Nós, (o povo Português, o vulgo tuga que se levanta todos os dias para ir trabalhar e ganhar uma merda), devemos dinheiro à Europa?
O povo grego deve dinheiro à Europa? (O grego que todos os dias se levantava igualmente para trabalhar?)

A culpa da divida é dos nossos funcionários publicos porque tinham 25 dias de ferias????

Acham mesmo que a culpa disto tudo é nossa?

Acha, na sua consciência, que vivia acima das suas possibilidades por pedir um empréstimo para comprar uma casa, ou jantar fora uma vez por mês????

Os gregos disseram basta!
 Não são chulos, não são preguiçosos, foram votar, provaram que acima de tudo têm dignidade e que chega desta merda!

O Varoufakis têm mais carácter na unha de um pé do que estas bestas todas que nos governam há anos, hoje demitiu-se para não prejudicar as negociações, para não prejudicar o seu povo!
E eu só me lembro disto, caraças: