sexta-feira, 15 de maio de 2015

O que se passa com as pessoas? (Aquilo que sempre se passou, infelizmente...)

Quando vi o vídeo do grupo de miúdos/jovens da Figueira da Foz que bateram, covardemente, naquele rapaz deu-me muita raiva, sempre me revoltou aqueles "valentões-cobardolas"que se juntam para baterem alguém e são "muita-maus" (mas só porque/quando estão em grupo).




Eu sempre andei em escolas públicas, tenho 39 anos e infelizmente, isto não é um cenário novo para mim. Sempre fui muito magrinha, sempre tive alcunhas, mas era extrovertida e tinha olho vivo e nunca fui vitima de bullying violento, mas ainda assim andei à porrada muitas vezes.No entanto sabia que haviam guerras que nasciam perdidas e então, quando via que as coisas se estavam a complicar para o meu lado (afinal era pouco mais que 40 kg de gente), tornava-me amiga de um gajo ou gaja ainda pior e por norma, o/a bully acalmava.
Não é fácil sobreviver quando não se está no topo da "cadeia alimentar" e o comensalismo pode ser uma saída airosa. 
Eu tinha boas notas, por norma os bullys são acéfalos, broncos e facilmente manipuláveis, fazia uns testes a bullys maiores, passava-os a uma ou outra disciplina e eles ficavam os meus/minhas melhores amigos/as.
Isso nunca me deu o direito, no entanto, de tratar mal os, supostamente, mais fracos, antes pelo contrário, sempre meti debaixo da asa os outros/as miúdos/as da turma que sofriam essa perseguição, as "marronas" e os "esquisitos" eram, quase sempre, do meu grupo nos trabalhos de grupo e as pessoas com as quais eu passava o tempo nos intervalos.

 Não porque fosse uma óptima pessoa, mas porque, no fundo, aquele era o meu grupo verdadeiro, é impossível ter conversas de mais de 2 minutos com bullys, é difícil para eles construirem uma frase...

Mas havia  muito bullying, tareias (do género dessa do vídeo), insultos em grupo, pegar nos miúdos e molhá-los todos no chafariz, puxarem-lhes as calças para baixo (aos rapazes) em frente a toda a gente no intervalo, roubarem-lhes  o dinheiro para o lanche, etc.
Eu andei em escolas da Amadora (preparatória Roque Gameiro) e na Damaia (Dr. Azevedo Neves) até aos 14 anos, depois disso vim viver para a Margem Sul e quando mudei achei que aqui era tudo Zen, comparativamente, só para terem uma ideia!

Se me deu vontade de encher os putos do vídeo de chapadas, quando o vi, pelas recordações que me trouxe?
Claro que deu!
A minha primeira reacção, a quente, foi de ofendê-los, expô-los a humilhação publica e talvez uma ou outra galheta na fuça....
Fazê-los sentir na pele o que deve ter sentido o outro miúdo, a impotência, a fragilidade, a injustiça e a vergonha...
Mas bullying não cura bullying...
São miúdos (sim, ao pé de mim são miúdos)  agiram francamente mal, como tantos outros miúdos um dia agiram connosco, ou nós agimos com outros miúdos, agora  têm um país inteiro a persegui-los, a humilha-los, a aterroriza-los com ameaças de morte e ou violações.
Os pais destes miúdos, que podíamos ser nós, porque não sabemos que jovens-adultos serão, ou são, realmente, os nossos filhos, vêem um país inteiro a acusá-los, a odiarem visceralmente as suas crias...
Se eu acho que devem ser punidos?
Claro!
Façam-nos pedir desculpa ao miúdo, todos os dias à mesma hora, à vez, durante meses.
Metam-nos a lavar as escadas, as casas de banho e o chão da escola, a fazer trabalho comunitário, durante 3 anos todos os fins de semana, a ter aulas de musica com o André Sardet e a Mafalda Veiga à vez, durante 10 anos...

Se este bullying cibernético é a solução?
Não sei, mas queimar bruxas na fogueira sempre me pareceu crueldade gratuita e forma de libertar a frustração ressabiada de cada um...
Imediatamente também me pareceu bem, mas ponderando que estamos a falar de adultos em construção, que erraram mas ainda podem ser pessoas melhores, talvez se os deixarmos perceber que o bullying é errado, o deles e o nosso.






foto daqui