segunda-feira, 27 de abril de 2015

Mesmo na noite...

Pudesse eu prender o tempo com uma fita de seda,
tapar-lhe os olhos, prender-lhe os punhos, calar-lhe a boca...
Pudesse eu sentar-me no colo dele, senti-lo dentro de mim, impaciente, dizer-lhe que o Amor perdoa tudo e beija-lo devagar!



Nunca consegui respirar na poeira insossa dos dias que se repetem,
não sei viver em lume brando, mesmo quando sei que queimar dói...
A saudade corrói tudo, é a ferrugem deslavada que nos há-de destruir,
o grito mudo que ensurdece e entorpece o sentir, até sermos nada.
Houve um sonho que nos coube nas mãos escritos por poemas
que apenas eram Amor puro, dor embrulhada em cetim e desejo
que oferecemos enquanto morremos como gotas mornas de chuva em Agosto,
a morrer nos lábios e acariciar o rosto antes do ultimo beijo...
Nunca se perde um Amor, é o Amor que nos perde,
deixa-nos escorregar, devagar, pelo corpo do sofrimento
e o momento passa...
Fugi para não te ver partir, não me sei despedir de ti,
porque me levas sempre contigo
e eu já não consigo perder-me mais...
"Vives sempre em mim mesmo na noite escura....
vives sempre em mim mesmo na noite....
vives sempre em mim mesmo.....
vives sempre em mim....
vives.....
e eu por ti respiro.."

 



1 comentário:

Rogério Paulo Peixoto disse...

"Nunca se perde um Amor, é o Amor que nos perde,"

A constatação dos nossos erros e o advir de algo que deixou de ser presente.

Gostei muito