quarta-feira, 4 de março de 2015

Até que a Morte nos encontre...

Amar é saber espreitar em frestas de janelas,
saborear as lacunas que a visão não alcança e encher esses espaços com o deslumbramento do nosso coração...



 Se eu morresse hoje,
ias pressentir o meu último sopro?
Saberias que o mundo me tinha deixado partir?
Sentirias a minha vida a suspirar e respirar a derradeira vez?
Não.
Lês as noticias do mundo, lá longe,
hoje...
Os nossos olhos comovem-se na dor dos desconhecidos,
e desconhecem a dor de quem está perto de nós...
Somos amantes sós e tristes,
vivemos nos limites do nosso ego, tão cego
e achamos-nos bons...
No entanto, os sons do pranto de quem vemos todos os dias
não nos belisca.

"Todos nós temos dias assim..."

Assim como?
Escolhemos não saber,
talvez para não sofrer,ou porque somos egoístas.
As vistas distraem-se, o olhar desencontra-se e os dias passam...
Depois alguém morre e fica tudo por dizer,
blindamos-nos com o tanto por fazer, a falta de tempo,
os dias que nos ultrapassam...
E o momento, que não volta,
enxuga-nos  as lágrimas da culpa e traz-nos a dor...
Desculpa Amor.
Fazias parte da minha vida, mesmo se hoje, a tua vida parte...
Até que a Morte nos encontre,
vou chorar-te todos os dias, de lágrimas vazias,
pelo tempo que não te vivi,
enquanto estavas aqui.
Amo-te tanto, agora,
na hora que chegou tão tarde...

1 comentário:

Rogério Paulo Peixoto disse...

Até que a Morte nos encontre,
vou chorar-te todos os dias, de lágrimas vazias,
pelo tempo que não te vivi,
enquanto estavas aqui.

Soberbo!!