domingo, 25 de janeiro de 2015

Não, os "clientes" não têm sempre razão!



É verdade que muitas vezes o atendimento deixa muito a desejar, há pessoas trombudas, pouco disponíveis, antipáticas e muitas vezes a roçar a má educação.
Mas tantas vezes quem faz estes juízos, de quem está atrás de um balcão, são as mesmíssimas pessoas que fazem abordagens completamente arrogantes, descabidas e estúpidas que lhes estragam o dia de trabalho com o seu anti-charme.

Existem os Clientes, esta tipologia são as pessoas que tratam os atendedores como… (Imagine-se) pessoas, igualmente…
Sim, é verdade isto é mesmo possível… (Estranhamente são os meus preferidos, mas eu sempre gostei de pessoas esquisitas…)
Os Clientes, entram num espaço comercial/serviços e cumprimenta quando é cumprimentado e às vezes (pasmem-se todos) toma mesmo a iniciativa de ser ele a cumprimentar o atendedor (porque entende que sendo ele a entrar deve ser ele a cumprimentar).
 Respeita os demais, espera a sua vez, diz por favor e Obrigado.
 Se deixa cair um produto ao chão informa, reconhece e pede desculpa.
Evita fazer compras perto da hora de encerramento, mas se o tiver de fazer conclui as compras rapidamente e ainda pede desculpa ao funcionário por o atender tardiamente.
Quando reclama, o que é muito raro, sabe fazê-lo e por escrito, é construtivo e educado e tem mesmo razão.
 O Cliente muitas vezes já trabalhou ou trabalha em atendimento ao público ou é simplesmente uma pessoa cívica e educada, ou então é só doido…

Já os clientes, são aqueles que nunca dizem bom dia, ou boa tarde, mas assim que o atendedor os cumprimenta apressam-se a corrigi-lo:
“Bom dia não, já é boa tarde.” com cara de parvo e ar condescendente.
Quando entra numa loja e, ignorando as pessoas que estão a ser atendidas, diz em alto e bom som:
“Tem cá isto? (mostrando a embalagem).” E se a resposta do atendedor for positiva perguntam:
“E qual é o preço?” Voltando a desrespeitar o cliente que está na sua vez e o atendedor que tem de desdobrar a sua atenção involuntariamente.
O cliente não gosta de esperar, mas acha que os outros têm de esperar, pacientemente, quando está na sua vez,mesmo quando resolve limpar os papéis do multibanco que têm na carteira há duas semanas, ou falar ao telemóvel (num tom alto, claro)com a mãe.
O cliente acha que faz um favor ao atendedor por gastar lá o seu dinheiro e como tal o atendedor deve idolatrá-lo e agradecer constantemente a sua caridade. O atendedor vende/presta um serviço, se o cliente quer adquirir/usufruir do mesmo tem de pagar por isso, mas isso para o cliente é impossível perceber, o cliente acha sempre que se não fosse ele o atendedor estaria a morrer de fome e faz questão de lhe dizer/demonstrar isso sempre que lhe é possível.
O cliente gosta de ver o atendedor como um criado a quem não tem de pagar nada, uma espécie de escravo mas bem-disposto.
Muitas vezes os clientes, acham que são Clientes, que toda a gente os adora e que podem tratar o atendedor por tu, porque é fixe (só que não…) mas o atendedor apenas está a fazer muito bem o seu trabalho e podia ganhar um Óscar na sua maravilhosa interpretação.
Reclama facilmente e raramente tem razão, mas jamais se dá ao trabalho de fazê-lo por escrito, porque isso dá trabalho, prefere elevar o tom de voz, esbracejar e fazer ameaças vãs ao atendedor numa tentativa de o assustar/humilhar mesmo que o mesmo não tenha culpa alguma.
Quase sempre tenta fazer-se mais do que é, quase sempre diz que mora em Lisboa,muitas vezes tem um tom nasalado, mas na verdade mora no Cacém e tem os adenóides inflamados, apenas isso...
O cliente não quer ser bem atendido, ele deseja servilismo e sentir-se importante porque no fundo é um eterno frustrado no seu cinzento dia-a-dia.


E depois existem os “clientes”, os “clientes” (entre aspas) não são bem clientes, são mais bestas.
Nunca cumprimentam o atendedor, nem respondem ao cumprimento.
Se o atendedor os aborda e pergunta se precisam de ajuda, sentem-se pressionados e reagem com violência, se o atendedor não os aborda, é um incompetente que não está ali a fazer nada e devia ir para a rua, já!
Tenta espezinhar o atendedor, tentando sempre provar a sua superioridade e sapiência, é mal-educado e rosna quando tem de responder a alguma questão, ou então cospe-se, tem regularmente saliva nos cantos da boca …
Reclama de tudo, experimenta tudo, desarruma tudo e raramente compra alguma coisa, se compra tenta devolver pouco tempo depois apesar de o produto apresentar claramente má-utilização, alegando que o atendedor é que o aconselhou mal e o produto é uma porcaria.
Odeia esperar, bufa, interrompe o atendimento dos outros clientes, bate com as chaves no balcão, pergunta, exaustivamente, ao atendedor se ainda demora muito porque está sempre cheio de pressa.
O “cliente” adora dizer:
-Dê-me o seu nome.
-A rapariga daquela loja é estupida. Ou
-Vê-se mesmo que é empregada de balcão.
No entanto, por norma, nos seus trabalhos, se os tiver, é medíocre e rotulado pelos colegas como indolente e graxista.
Os “clientes”  acham que como “O cliente tem sempre razão” o céu anárquico é o limite!
Gostam de entrar perto da hora de encerramento dos estabelecimentos e demorarem, porque podem!
São como as crianças de 2 anos, odeiam ouvir um não e fazem birras semelhantes, muitas vezes também se atiram para o chão, só que ninguém os ajuda a levantar depois.
Esticam o dedo aos atendedores enquanto falam, soltam gafanhotos, não têm regulador de volume (ou então têm problemas auditivos e não percebem que estão a gritar…)
Os “clientes” são a Kryptonite dos atendedores, são aqueles que deixam qualquer monge Tibetano fora de si.
 São pessoas amargas que vão acabar num lar ilegal da Damaia a comer sopa azeda, sem receber visitas e a morrer sozinhos com moscas pousadas nos beiços, ou pelo menos é esse o desejo secreto dos atendedores…


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