quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Hora zero.

A minha alma é uma manta de retalhos,
alinhavada em lágrimas e gargalhadas
e remendada nos erros que cometo e prometo assumir.
Não sei amar pouco ou devagar,
porque o amor não tem travão ou botão de volume.
Preciso de rir e chorar numa bipolaridade que me equilibra
porque a vida é agora e não demora muito.
Um dia não olharei para trás à procura do que perdi,
porque vivi as perdas todas e não faz sentido
lamber feridas cicatrizadas.
O tempo perdido é o que olhamos mais tarde,
enquanto os novos dias se ignoram
porque só se choram os mortos.
Não sei o que quero amanhã,
mas sei que a manhã de hoje tem o valor
que o Amor deixar.

sábado, 28 de novembro de 2015

As bandeiras do medo...

"Em dia de homenagem nacional às vítimas dos atentados terroristas, o Presidente François Hollande tinha apelado a que os franceses ostentassem a bandeira nacional às janelas dos seus apartamentos. Foi um fiasco" (A noticia inteira aqui! )


Dizem que o mundo mudou a 13 de Novembro com os atentados de Paris, eu acho que o mundo já não muda e este é o verdadeiro problema.

Vivi com horror o que aconteceu em Paris porque tenho lá pessoas que amo e as nossas dores são sempre maiores, porque são as nossas. 

No Brasil decorria uma catástrofe ecológica que nos vai perseguir pelo menos durante 30 anos e isso também me doeu, claro, mas aquilo que nos atinge mais de perto tem outra dimensão e desta vez podiam ter sido os meus a morrer e eu sou egoísta e confesso: As dores dos meus são mais minhas do que as dores dos outros. 

E por isto sei que o mundo nunca vai mudar, haverão sempre os nossos e os outros, não sabemos ser de todos, só sabemos ser de alguns.

O mundo não muda e vive no medo, sempre viveu, às vezes em diferentes alturas na História  há lugares onde  isso se esquece, outros há, porém, em que o medo e o terror já são banalizados.

Se isto é uma realidade aceitável? Não, não deveria ser.

Os franceses não meteram bandeiras nas janelas mas estão de luto pelos seus compatriotas, amigos, familiares, pelos seus iguais, mas querem que a vida continue e querem estar seguros, queremos todos.

Não meteram bandeiras porque as bandeiras lhes vão lembrar aquelas pessoas inocentes mortas, aquelas mortes estúpidas e ordinariamente gratuitas que lhes tocaram tão de perto e que foram tão chocantes que merecem bandeiras em janelas e nas redes sociais. 
E inconscientemente ou talvez conscientemente, sabem que cada terrorista que vir uma bandeira saberá que foi ele que provocou aquilo, aquela dor, aquele símbolo de homenagem a uma vida ceifada.

E o terrorismo não merece bandeiras hasteadas, merece repúdio e vergonha alheia.

A vida em Paris continua, a vida pela Europa, pelo mundo inteiro continua, todos os dias nascerão crianças a mostrar aos terroristas do mundo que a vida é mais importante que qualquer causa, que podem matar-nos mas outros viverão e amarão e darão gargalhadas e o som da vida dos que sobreviverem serão mais forte que o silêncio que a morte que causam provoca.

E se Deus existe que vos saiba perdoar.


sábado, 21 de novembro de 2015

ADeus...

Esquecemo-nos do que somos,
meros mortais de uma espécie qualquer a querer cultivar o vento,
a almejar mais do que a vida que fica tantas vezes esquecida dentro de nós.
Deus criou-nos num dia de tédio.
Nós criamo-lo num dia de raiva.
Demos-lhe palavra e um propósito,
Demos-lhe moral e uma consciência
e chamamos à nossa vingança, justiça.
O Homem cobiça o perdão de deus mas nunca soube perdoar.
Aprendemos o rancor e chamamos-lhe Amor
e aos amantes tudo se perdoa…

Se eu conseguisse queria ser uma pedra, imutável mas em paz.
A felicidade para mim seria resistir à chuva e ao vento,
ou deslizar por uma colina  num momento qualquer.
Os Homens não sabem ser pedras, não sabem ser chuva,
não sabem ser vento, não sabem ser nada.
E gostam da mão pesada do deus que inventaram, sobre as suas cabeças,
a fazer ameaças, a atormentar-lhes a alma
e a culpar-lhes a carne.
O masoquismo é um egoísmo disfarçado…

Deus porém nunca teve mãos,
só Amor e nunca o soube explicar
e deu cores aos Homens como deu cores aos pássaros,
mas os Homens não voam e magoam as aves…

Se o mundo adormecesse no meu colo,
hoje, fazia-o esquecer as cores e as dores que deus lhes traz.

Facto ou consequência?

Desisto.
O impacto da indiferença devorou-me e cuspiu-me num desdém violento.
Já não me conheço, nem reconheço o momento que nos trouxe aqui.
Esqueci tudo e envolvi-me de nada,
essa mancha disforme de angústia solitária a que chamas saudade.
Perdi a razão de ser razoável ou arrojada,
a verdade ficou permeável e tornou-se chuva ácida
que nos molhou aos dois…
Se ainda te amo?
Sei que não me amo há muito tempo, que desaprendi…
Deixei de ser condescendente com a imagem doente e sofrida do espelho,
rasguei-lhe os braços e a alma vezes demais.

Desisti e depois?
Os teus braços foram agua que nunca saciou ninguém,
Os teus lábios nunca lamberam o sal dos meus olhos,
O teu peito nunca foi leito do meu descanso.
Erva daninha que a minha culpa desculpou…
Despede-te de mim, meu Amor,
Antes que a minha vida se desvaneça e te queime as asas.
Um amor moribundo não é mundo onde a felicidade cresça.

Voa para longe e magoa o céu.

Alzheimer...

A tua ausência pulsa-me no sangue como um orgasmo inacabado,  cada segundo é um 
mundo que se acaba e recomeça e as escolhas as folhas de Outono que despimos pelo chão.



Esquece o tempo Amor,
esquece a mortalidade, o rumo dos dias, a contagem decrescente,
a dor que acompanha a crueldade dormente
do relógio divino tatuado na nossa existência…
O destino é um cronómetro viciado e vicioso
que nos castiga, mastiga e condena,
sem pena, desde o berço…
Esquece-o Amor,
Seremos ponteiros fixos de pernas interlaçadas,
a saborear o prazer mesquinho
de gemer eternidade baixinho.
O tempo não nos conhece,
Esquece Amor,
Porque a memória não perdura
E o tempo não cura nada,
é um velho arrogante e impotente
a invejar a felicidade dos homens…
Um errante, indigente e imundo a desdenhar e a exigir a esmola das nossas vidas
a vaguear, sempre só, pelo mundo…
Esquece...

O (Amor te)rreno...

Odeiem-se.
Odeiem-se porque não merecemos mais nada.
Odeiem-se e morram afogados no ódio, no desdém, na indiferença
que é a vossa crença no divino.
Seres bons, tão perfeitos, os eleitos naturais…
Vós, os que estão acima de todas as coisas e não fazeis coisa nenhuma.
Odeiem-se e lambam o mel envenenado do vosso discurso condescendente,
enquanto se agoniam com o cheiro doente do mundo.
Perfumem-se de arrogância e respirem fundo!
Odeiem-se da forma como odeiam os que sofrem,
os que são diferentes, os que são menores…
A vossa grandeza humilha-nos, a vossa soberba verga-nos,
a nossa humanidade interrompe-vos a dignidade.

Odeiem-se e VIVAM ALTO, nós morremos baixinho.

domingo, 15 de novembro de 2015

A Humanidade é matarmos-nos uns aos outros.

Há malucos por todo o lado, há sangue por todo o lado, há morte por todo o lado porque há homens por todo o lado.

Sabemos chegar a Marte mas nunca soubemos chegar uns aos outros. Somos pequeninos, cruéis e mesquinhos.

Matamos-nos uns aos outros em nome de deus, em nome da liberdade, em nome da politica, em nome do amor. Na verdade matamos-nos uns aos outros porque gostamos de matar.
Todos nós somos capazes de matar, todos, somos humanos, somos assim.

Quando alguém me pergunta onde está a humanidade das pessoas eu penso é esta a humanidade das pessoas, ser humano é isto, é ser uma merda que tem capacidade para tanta coisa menos para ser genuinamente bom consigo mesmo enquanto espécie.

Eu tenho vergonha do que se passou em Paris, eu tenho vergonha do que vão passar os Sirios por causa disso, tenho vergonha porque sei que por uns pagarão muitos sem culpa nenhuma. Tenho vergonha porque as crianças cada vez terão mais medo das diferenças e odiarão a cor da pele dos colegas. Tenho vergonha porque estamos em pleno seculo XXI e continuamos na idade das trevas, de onde aliás nunca saímos.

A loucura não é uma religião, Quem mata em nome de deus é apenas um cobarde que gosta de matar e não tem coragem de o assumir. assim foram os cruzados, assim foi a inquisição, agora são estes, no futuro virão outros, há sempre um grupo de cobardes de merda que se junta para matar em nome duma causa qualquer.

Eu se um dia matar vou fazê-lo por mim mas também lhe tentarei dar uma justificação idealista qualquer, na verdade a justificação verdadeira é só uma, matei porque está na minha ridícula natureza fazê-lo, porque por muito que o homem evolua tecnologicamente, nunca vencerá a sua natureza simples e medíocre e isto é mesmo muito, muito triste.

Deus deu-nos cores como deu cores aos pássaros mas os homens não sabem voar.

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

O cheiro da chuva

As lágrimas secaram,
morreram à espera de uma sede doentia
que o amor não bebeu…
O destino é um sarcasmo de pleonasmo irónico,
que se ri às gargalhadas largas na nossa finitude.
E este grito afónico a cortar-nos em silêncio
que amiúde me sussurra segredos e mantém refém
da tua voz que já não diz nada.
Nós é uma palavra pesada, amor.
Ainda te lembras do cheiro da chuva?
Tenho saudades de tremer com frio debaixo do teu abraço,
das fragilidades dos teus sonhos,
do espaço vazio do teu colo.
Ainda te lembras do sabor do terror da perda?
Ainda te lembras de pertencer?
A memória é uma história traída
A arder enquanto as cinzas se espalham na chuva

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Os trinta por uma linha dos últimos tempos...

Nos últimos dias eis tudo o que me aconteceu:

(É favor ler tudo de seguida sem fazer paragens para perceberem a essência da coisa...)

-Inês apanha uma virose e vomita até à alma (48h)- Gui apanha a virose da irmã e fica com amigdalite começa a tomar Clavamox (5 dias)- Inês tem uma recaída e fica com faringite (5dias); - Gui ao 5º dia de toma do antibiótico desenvolve toxidermia por alergia ao antibiótico e fica todooooooooo cheio de manchas horríveis no corpo todo e uma comichão do demo (7 dias) Inês faz quatro anos e tenho de tratar da festa da gaiata entre as urgências pediatricas, febre alta e muita comichão do pobre irmão -no 6º dia Gui melhora e o meu computador é hackeado por alguém que fala como o Apu dos Simpsons e me dá a tanga que trabalha na Microsoft e me tinha enviado um erro/virus (supostamente da Microsoft) a informar que devia contactar os serviços técnicos por problemas de licenciamento (eu não dormia há uns 15 dias e estava em modo zen/zombie) e a totó caiu e deu-lhe o numero do IP e a password feliz e contente e o sósia do Apu dos Simpsons ( o sotaque era IGUAL!!) gama-me todos os ficheiros do desktop... YEY!!! A totó acaba a cancelar os visas com medo de burlas e sente-se muito parola...

(Ao mesmo tempo acha que o Apu só perdeu tempo pq não tinha fotos descascada nem uma conta milionária...
Apu da proxima vez hackeia alguém mais interessante... Poupas imenso trabalho a ambos...)

Para tornar tudo melhor no fim de semana houve uma inundação no sotão do meu predio e começou-me a chover na sala... 

Agora tudo está melhor...
Só me pode mesmo sair o totoloto/euromilhões depois de tanto azar, certo?
Rais-parta...



:))



sexta-feira, 9 de outubro de 2015

O erro de José Rodrigues dos Santos ou de como o Tuga gosta de um bom circo!

   O José Rodrigues dos Santos cometeu um erro, eu vi a peça e não vi ali nenhum comentário homofóbico, se o deputado em questão não fosse homossexual mas sim heterosexual ninguém acharia que tudo isto não passava de um erro de teleponto ou de má-interpretação, tendo em conta a imagem a seguir, mas, por azar do JRS, era de facto o Quintanilha, homossexual assumido e pronto... BUM!!!

O JRS é neste momento o inimigo público numero 1 de Portugal, da Ilga, do P.S: e de todos os indignados  deste singelo país à beira mal plantado tão cheio de pessoas moralistas, politicamente correctas e que nunca teceram um comentário homófóbico na vida (e volto a reforçar não foi isso que claramente se passou com o JRS no telejornal naquele dia, foi um erro, está lá, é só verem a porcaria da peça, é de caras!!!)

Ao Quintanilha digo que acho lamentável um homossexual orgulhosamente assumido, o que acho muito bem e normal, ficar inseguro e tão melindrado, deveria ser o primeiro a perceber que se tratava de um erro, afinal tem inteligência para isso.

Ao P.S. digo que é uma vergonha estarem a fazer campanha com a orientação sexual de um colega.

À Ilga digo que se defendem os direitos dos homossexuais e das lésbicas deveriam ser os primeiros a dar o exemplo, parem de fazer caças às bruxas, parem de encarnar o papel da vitima perfeita, dos perseguidos, dos coitadinhos. Os Homossexuais, as lésbicas merecem mais respeito do que isso, não os tratem como menores, por favor, isso sim é uma vergonha. Discriminação positiva também é discriminação.

Aos indignados/revoltados/pseudo-moralistas digo arranjem uma vida e parem de tentar lixar a vida dos outros e sobretudo não sejam hipócritas, foi a homofobia que existe na vossa cabeça que viu num erro simples uma maldade intencionada.

Que merda, pá...

terça-feira, 29 de setembro de 2015

Vota pá, nem que seja no Chuck Norris!

    Ainda não sei em quem votar, odeio votar nulo ou em branco e tenho mesmo de escolher porque já está quase, mas cada vez mais a minha escolha recai no partido Livre/Tempo de Avançar porque gosto da Drago e o programa parece-me exequível, sensato e refrescante!
Claro que não vão ganhar mas ao menos não me fico a chicotear depois de meter a cruzinha...

Podem saber mais sobre os programas de cada partido aqui!

Porque eu quero é saber o qual o programa que cada partido tem em cima da mesa e não se o candidato a), b) ou c) gosta de longas caminhadas na praia, tira fotos descascada, ou sabe dançar o vira. Esta história de andarem aos pulinhos, a dar beijinhos a velhinhas com bigode, enquanto mostram a cremalheira toda ao povinho, dá-me cabo dos nervos.

Curtas e... brutas.

Se as crianças sírias fossem lourinhas de olhos azuis toda a gente as queria ajudar e às mães e aos pais. (Mas não isto não é uma questão de racismo)

Cada vez que ouço alguém a dizer que antes de ajudar os Sírios devíamos ajudar os nossos dá-me vontade de pegar numa granada e enfiar-lhes na boca ou então dar-lhes com um balde de merda. Se calhar sou terrorista!
(Era pegar nessas pessoas e enfia-los no meio da guerra para perceberem as diferenças.
Eu tb tento ajudar os nossos e quem ajuda os Sírios tb e estes falsos moralistas são aqueles que passam por um mendigo e nem olham para ele e que deixam de falar aos amigos se eles perdem o emprego com medo que lhes peçam alguma coisa, hipócritas de merda)

Cada vez que ouço um imigrante a falar mal de quem procura uma melhor vida noutra terra que não a sua  (e que ainda por cima até está em guerra) dá-me vontade de lhe vomitar em cima. (Os imigrantes deviam ser os primeiros a perceber como custa ter de largar tudo e procurar outro destino para viver, amargurados de merda que até dos refugiados têm inveja)

Sim eu disse muitas vezes merda neste post mas há pessoas que não consigo definir com uma palavra melhor.

sábado, 26 de setembro de 2015

Funny you're the broken one, but I'm the only one who needed saving... 'Cause when you never see the light it's hard to know which one of us is caving.


Dádiva...

Amor, eclipse que elipsa a morte...
 Lápide de linguagem perpetua
e rosas imortais
num império de sentidos sem sentido de orientação.

Caminho de pedras de coração partido
a respirar e chorar baixinho...
Limbo,principio, meio e fim
onde desisto de mim e me reencontro
quando Deus pestaneja e o Inferno me beija.

Amor, elipse que eclipsa a vida...
Berço de gestos efémeros
e espinhos mortais
num claustro de razões, sem razão de ser.
Conceito retórico,
dádiva, murro no estômago, sussurro, GRITO.
Vazio que nos esmaga, preenche e afaga,
elemento, firmamento, infinito.

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Will you still love me (versão bachata)


Transgressão...

O silencio vestiu-nos
num momento entre os momentos todos,
voz mordida e perdida em nós,
entre vinganças e castigo...
Não consigo esquecer-te,
 lembrar-te,
ou amar-te como antes,
quando os amantes eram quadros emoldurados,
ornamentados por cores...
Antes das mentiras e das dores
éramos palavras soltas, envoltas um no outro...
Mataste (me) os silêncios,
arrancaste-me de ti e quiseste-me aos bocados,
numa espécie de droga recreativa, proibida
que injectavas às escondidas da vida...
Ainda te corro nas veias, amor?
Ainda te tocas a pensar em mim,
quando o sonho te abocanha, num beijo devagar
e lambe a espessura dura do teu desejo?
O silencio despiu-nos
num momento da transgressão da palavra,
a razão fechou os olhos e humedeceu os lábios
num gemido abafado pela raiva.



quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Porque me dói o peito.

Enquanto mães imploram que deixem passar os seus filhos, os atiram desesperadas por cima do arame farpado e os deixam aterrorizados e perdidos do outro lado, sem colo, sem chão, sem elas...
O mundo discute o indiscutível...

Primeiro salvam-se as pessoas, depois encontram-se soluções, primeiro garantem-se os direitos fundamentais, primeiro está a humanidade depois a merda das fronteiras e das religiões e das culturas e dos subsídios...

São pessoas, mães como nós que embalam os filhos para os adormecer, que sofrem quando estão doentes, que querem o melhor para eles, eles são crianças como as nossas, querem brincar, correr, ir à escola, ter amigos, ter um futuro possível e em segurança.

Estamos a condenar crianças por termos medo dos adultos, porque podem ser terroristas e podem fazer-nos mal, é certo... Então matamos-lhes os filhos à fome e ao frio.

Não são refugiados, porque ser refugiado no dicionário de muitos significa que têm mais é de aguentar tudo porque não pertencem aqui.
Não são refugiados, são pessoas, cidadãos de um mundo que é de todos...

Malucos existem em todo o lado, aqui também existem psicopatas que matam pessoas seja porque motivo for e isso não faz de todos os portugueses malucos.

São culturas diferentes?
Nós também embirramos com os espanhóis e eles connosco tantas e tantas vezes e há quem diga que os franceses não gostam de tomar banho...
Todos os espanhóis são estúpidos?
Todos os franceses são porcos?
Todos os portugueses são corruptos ou matam vizinhos por causa dos cães?

 No meio de toda esta insanidade desumana as crianças, aquelas que condenamos com medo dos pais, às vezes são tão mais simples e sábias:
Tens fome? Queres uma bolacha?
És uma pessoa como eu e eu partilho as minhas (poucas) bolachas contigo.


sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Dorme meu amor, dorme...






Dorme meu amor, dorme...
Esquece os gritos aflitos e o trovejar do ódio dos homens,
esquece os sonhos que não te acolheram
e as pessoas boas que escolheram nascer mais longe.
Dorme meu amor, dorme...
Esquece as lágrimas da tua mãe por o colo não curar tudo
esquece toda a riqueza do mundo
e a tristeza leve de quem não sabe a sorte que tem
e pensa que conhece o rosto e o gosto da dor.
Dorme meu amor, dorme...
Deixa que o mar te abrace num enlace molhado e frio,
sente o meu coração vazio por ter escolhido olhar para o lado...
Dorme meu menino, dorme...
Que o teu corpo pequenino tenha resistido pouco tempo,
que tenhas inspirado as lágrimas da nossa culpa num fôlego valente e breve.
Deixa que o mar morno te leve e sonha, inocente, com um mundo melhor!
Dorme em paz, meu amor...

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

E se fosse em Portugal?

Milhares de refugiados Sírios batem, desesperadamente à nossa porta, às portas de uma Europa que se julga civilizada, democrática, solidária, evoluída…
São tratados como cães vadios, quando nem vadios deviam ser os cães…
Insultados, atacados, escorraçados quando a única coisa que querem é poder viver e que os seus vivam…

São emigrantes e nós, portugueses, somos também um povo de emigrantes, tantos nossos, com gentes suas, lá fora que ouço a dizer:
“Eles que voltem para o país deles que nós cá já temos muita miséria”

Não é obrigação, daqueles pais, procurar um futuro possível para os seus filhos?
Uma vida de paz com, alguma, dignidade?
Não queremos nós todos o mesmo para nós, para os nossos filhos?
Se cá houvesse guerra, só morte, fome e miséria não fugiríamos nós, com os nossos filhos pelas mãos?

São Sírios, mas podiam ser Portugueses. Franceses, Alemães…

 Não escolhemos o lugar onde nascemos e é muito cruel condenarem-nos a morrer só porque tivemos o azar de nascer no sítio errado.


quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Para além da Morte...

Tacteio-te de olhos fechados,
o silencio dos teus olhos morde-me os pensamentos...
Os lamentos são canções que se ouvem ao longe,
mas hoje são os sonhos que mandam!
Agarraste a razão com mãos tremulas e envelhecidas,
nas partidas efémeras de cada lágrima mordida...
Tentaste, amaste, morreste...
Renasceste porém, numa esperança de criança inocente,
todos os dias, quando a madrugada governa a ilusão, tão terna...
Ninguém pertence a ninguém...
Porém o Amor faz-nos pertença, mesmo que não mereça...
Escreve-me, sonha-me, esquece-me e recorda-me,
uma vez, de cada vez, uma e outra vez...
Odeia-me e perdoa-me enquanto te lambo as feridas
e te escapo entre os dedos do destino que não nos destina...
Somos fado, loucura, medo, procura, sina que ensina a viver condenado,
somos prazer...
Amor a reinventar a dor em cada palavra escrava...
Fecha os olhos, deixa-me beijar-te, provar-te, amar-te, saciar-te
e deixar-te, antes que queira morrer nos teus braços.


domingo, 23 de agosto de 2015

Don't cry for me... (By: Tsipras... Peron)

Podem acusar Tsipras de muita coisa, mas que é inteligente é!

Aceitou um programa em que não acredita, frisando-o bem e que o aceitava contrariado, por falta de alternativas dos parceiros europeus (nomeadamente Portugal) que em vez de se concentrarem em encontrar soluções que servissem ambos os lados, só se focaram em tentar cilindrar a vontade (justa e compreensível) do povo grego.

Agora demite-se…

E ao fazê-lo trama estes nazis todos outra vez!!

Porque agora ou perde e ganha a parte do Syriza que não quer acatar esta porcaria de medidas (e ele também não quer e fica todo contente!) e  volta tudo atrás e Schauble tem um fanico e, se Deus quiser, tem um enfarte do miocárdio e morre…
 Ou volta a ganhar o Tsipras com poder renovado de negociação...


De qualquer forma eleições antecipadas na Grécia já farão tremer a economia global e, só por isto é possível que o próprio Schauble esteja a morder a língua e todos os países que tentaram encurralar a Grécia de Tsipras.

sábado, 22 de agosto de 2015

Duvidas, duvidas, duvidas...

Não sei se consigo votar no António Costa, não gosto do tipo…

Tem ar de cínico pedante, nada do que diz me convence, não faz o trabalho de casa, não se prepara bem nos debates e inventa números, só porque sim.
Tem ar daquele chefe indolente que tem a mania que é o maior, mas não sabe fazer nada e só dá ordens estúpidas…
Mas gosto da ideia do Mário Centeno como Ministro das Finanças, não podem meter a cara desse no boletim de voto só para a cruz ser-me menos penosa??!

Sei que não consigo votar no Passos Coelho!

 Até porque tenho pena do Homem ele deve estar desejoso que o mandato acabe, ele sabe que não nasceu para isto, ele gosta é de cantar.

Gosto muito mais de saber que se o PS ganhar o Paulo Portas será oposição.
O CDS isolado no governo definitivamente, não! Mas gosto do Paulo Portas como oposição, para contrabalançar um bocado as políticas “cá da malta” e sem estrutura séria nenhuma, parece-me bem.

Uma coligação PS-CDS seria uma vergonha política e um desrespeito total pelo povo português, mostraria, de forma demasiado evidente, que os políticos não têm honra, nem carácter, nem nada. (Nós sabemos que de facto estes adjectivos não vos dizem grande coisa, mas pelo menos disfarcem um bocadinho e poupem-nos a esta vergonha alheia…)

Simpatizo com a Joana Mortágua mas não consigo votar no Bloco de Esquerda.

 Só fazem anti-política, parecem os velhos no café a discutirem futebol e eu não sou grande fã de treinadores de bancada…

Não consigo votar no partido comunista mas gosto do velhote Jerónimo e acho que ele sofre mesmo com as injustiças sociais mas detesto o outro, o gordinho pedante que se chama Bernardino, claramente, queria pertencer ao PSD mas não o deixaram entrar então vingou-se e foi para ali… Faz lembrar aquele puto que bate nas raparigas porque as raparigas são bonitas e às escondidas mete o batom da mãe…

 Gostava muito de ter a Maria de Belém em Belém, simpatizo muito com a Sra. e não consigo evitar de desejar ter uma Mulher  como Presidente.

Gostava mais se fosse ela candidata a primeira ministra em vez do António Costa…
Por outro lado não gosto de ter o Governo e a Presidência da mesma cor partidária…E porque também gosto muito do Marcelo Rebelo de Sousa

Duvidas, duvidas, duvidas…

domingo, 9 de agosto de 2015

Hiroshima, Nagasaki e os outros desastres (os nossos...)

Já passaram 70 anos desde que caiu o Sol...

O ser humano às vezes de Humano nada tem e eu espero que já que não se pode mudar o passado, um Passado escabroso, vergonhoso e demasiado cruel que, infelizmente, ainda vive no Presente de muita gente e ainda se arrastará geneticamente pelo Futuro, que o mundo nunca esqueça, que ninguém se ouse esquecer de como a nossa espécie pode envergonhar e destruir o Mundo quando a vingança vale mais do que os direitos dos inocentes.
Hiroshima, Nagasaki, Chernobyl, Kosovo, Aushwitz, Birmânia, etc, etc, etc, quantas vidas caberão num misero etc?

Em que votarão os Portugueses quando as alternativas são:

1)Um partido completamente alheio das necessidades/realidade dos portugueses que nos brinda com austeridade severa e falhou todas as perspectivas que traçou em termos de retoma e cumprimento.

2) Um partido que tem tanto respeito pelos Portugueses que para não se dar ao trabalho de ter de falar com o povinho, onde podia de facto ter uma boa estratégia de campanha e usar relatos fidedignos e provavelmente muito mais impactantes , inventa histórias fictícias de cidadãos no desemprego, tira fotografias aos funcionários da câmara de Arroios e publica cartazes  a dizer que aquelas pessoas são o rosto do desemprego... (WTF???)

Ai que é desta que ganha o Chuck Norris...


domingo, 19 de julho de 2015

Porque nos tornamos invisíveis?

As pessoas não são invisíveis, mas às vezes não as vemos porque tapamos os olhos com a nossa indiferença ou fechamos as cortinas do nosso umbigo...
Precisamos uns dos outros, gostamos que nos abracem, que nos toquem, nos afaguem, nos ouçam, nos vejam, mas só quando somos nós.
Estamos sempre ocupados, distraídos, quando a dor dos outros irrompe pelas persianas do nosso individualismo e depois queremos que entendam as nossas lágrimas, porque as nossas, sempre as nossas, são as mais pesadas e salgadas.

 E quando alguém se preocupa connosco gratuitamente, nos alcança sem motivo ou sem pedido, nos enxuga as lágrimas que ainda nem sabíamos que iríamos chorar e faz parte da nossa vida sempre porque nos quer bem e por isso e só por isso, está sempre lá! 
Agradecemos mantendo a mesma indiferença, o mesmo umbiguísmo, mostrando-lhes que só não são invisíveis e estão nas nossas vidas se precisarmos do colo delas, até as despedaçarmos completamente e as tornarmos como nós.


sexta-feira, 17 de julho de 2015

Ainda a Grécia (desculpem, mas isto enerva-me...)

Tsipras cedeu.
Face a um punho cerrado preferiu salvar o povo da saída do Euro (por agora...) que levar a vontade do povo grego até às últimas consequências, no seu entender...
No meu entender assinou a sentença de morte da dignidade Helénica e deitou por terra qualquer estratégia de salvar a união europeia (qual união??) da subserviência de uma Alemanha enraizadamente e geneticamente nazi.


Num panorama perfeito a Grécia (representada por Tsipras) teria dito Não à vergonhosa chantagem, teria escolhido sair do Euro e da União Europeia e a Irlanda, Portugal e a Espanha diriam que caso a Grécia saísse seguir-lhe-iam os passos, obrigando a França a tomar uma posição (Hollande mostra-se algo renitente a estas medidas discriminatórias e desumanas, mas no fim tem sempre apoiado as decisões de Merkle).

Teríamos assim uma Europa equilibradamente dividida, de um lado o forte poder económico, do outro os direitos humanos.

A Rússia tentaria tomar partido da situação, a América tomaria uma posição favorável ao nosso lado para impedir acordos com a Rússia, a economia Holandesa entraria em colapso e acabaria por ser mais uma forma de pressionar a Alemanha.

A Alemanha cederia, teria de encolher as  suas unhas arianas, sentir-se-ia a perder terreno, a perder o controlo.
Ou então não cederia e tentaria exterminar as ameaças, acabando isolada e eventualmente condenada por novos crimes contra a Humanidade.

Mas a realidade não é um panorama perfeito, os lideres (lideres ah ah ah) da Irlanda, Portugal e Espanha preferiram atacar a Grécia, como se de uma doença infecciosa se tratasse, metendo os seus receios políticos à frente do interesse dos seus povos e do bem comum da Europa.
Assassinaram a expressão União Europeia, estrangularam a democracia, esmagaram a pedra basilar da ideia que levou à União Europeia, a solidariedade entre os povos europeus de forma a garantir uma Europa una e forte.

Tsipras cedeu, deve ter sido muito difícil tomar a decisão que ditou o prazo de validade da sua nação e o verdadeiro principio do fim da Europa.

"Para que o mal triunfe, basta que os bons não façam nada." (Edmund Burke)


quarta-feira, 8 de julho de 2015

Tem cancro mas já pode sair à rua...

O JN partilhou a noticia da primeira aparição pública, sem cabelo, de Laura Ferreira, mulher, mãe, fisioterapeuta e, também, esposa do pm Passos Coelho,numa visita oficial a Cabo Verde, país onde passou parte da sua infância, e à Guiné Bissau, a sua terra natal.
a noticia aqui 

Houve quem dissesse que o Passos Coelho estava a usar a doença da mulher para fazer campanha
Houve quem dissesse que era uma grande mulher por sair à rua, sem cabelo.
Houve quem dissesse que o JN devia ter vergonha de fazer disto noticia.
Houve quem dissesse que era importante a noticia para as outras mulheres que passam pelo mesmo tenham força.

O cancro existe, as mulheres/homens e familiares que lidam com isso não têm de falar baixinho, ou esconderem-se para não incomodarem os outros...
O cancro existe e provavelmente poderemos passar por isso e não é por nos afastarmos de quem tem, ou não falarmos disso que ele não nos toca.
Ser careca não é motivo de vergonha, nem de orgulho é apenas um efeito secundário do tratamento de uma doença, eu não gostava de ficar careca e seria doloroso lidar com isso, mas deve ser mais doloroso lidar com a realidade da doença e o medo dos outros que se afastam porque não nos querem encarar...
Eu fico feliz pela Laura Ferreira ter forças para sair de casa, eu fico feliz por qualquer pessoa que combata doenças, oncológicas ou não, tenham forças para sair de casa, para sorrir, para viver.

Todos nós vamos morrer um dia, de cancro, de trombose, com um vaso na cabeça que cai de uma varanda, seja do que for, é inevitável a morte.
Todos vamos morrer, todos (Até o Manoel de Oliveira).
Mas podemos viver todos os dias até lá, a Laura Ferreira também.

Sonhos???

E quando sonhas e no sonho algo te diz para escolheres um caminho, porque estavas triste e precisas é de paz de espirito
( e a opção do sonho era literalmente esta:
praia de Martinica, nem sei onde fui buscar isto, fui agora pesquisar ao Google..., só que no meu sonho Martinica era em Espanha e eu ia num autocarro que dava para parar lá... lol)

 e ainda assim escolhes ir a correr contra uma parede?
E ter o (re)encontro mais twilight de sempre num restaurante a pensar como te podias escapar dali e apanhar a tua dignidade em frangalhos do chão?
E acabas a cantar isto com uma criança de 6,7 anos que não conheces de lado nenhum, numa tentativa de te abstraires da porcaria onde te foste meter...
E quando acordas ficas a pensar naquilo e não consegues dormir mais e só pensas até nos sonhos sou burra!!!
(E sim a musica é pimbalhona e de um filme que vi há séculos, mas em minha defesa foi a miuda do sonho que a começou a cantar e vou fazer de conta que tem cariz premonitório)

Ou então só preciso de férias...

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Oxi! Uma palavra que saiu dos corações corajosos de uma grande Nação!

Se fosse cá, provavelmente nem teriam ido votar porque estava calor, mas ainda há portugueses que se acham no direito de julgar a coragem do povo grego, que fez História ontem, uma vez mais, um povo que tem séculos de História e conquistas, um povo que é o berço da Democracia!

Chamam-lhes "Chulos" que não querem pagar a divida, que não gostam de trabalhar...
Eu só vejo um povo que se debate com os mesmos problemas e má-fama dos portugueses pela línguas dos lideres Europeus, lideres que provam que o Nazismo continua enraizado naquela gente,  a raça ariana a tentar proliferar em todo o seu esplendor e crueldade. Tentaram dominar o mundo pela força bélica e estão a tentar novamente pelo poder económico.

Os acordos feitos com governantes corruptos das nações europeias (da nossa e da grega) ao longo dos anos enfraqueceram-nos cada vez mais e deram mais poder à Alemanha, pagaram-nos para deixarmos de produzir, para deixarmos de pescar, para perdermos autonomia, para sermos dependentes e importadores compulsivos.

Nós, (o povo Português, o vulgo tuga que se levanta todos os dias para ir trabalhar e ganhar uma merda), devemos dinheiro à Europa?
O povo grego deve dinheiro à Europa? (O grego que todos os dias se levantava igualmente para trabalhar?)

A culpa da divida é dos nossos funcionários publicos porque tinham 25 dias de ferias????

Acham mesmo que a culpa disto tudo é nossa?

Acha, na sua consciência, que vivia acima das suas possibilidades por pedir um empréstimo para comprar uma casa, ou jantar fora uma vez por mês????

Os gregos disseram basta!
 Não são chulos, não são preguiçosos, foram votar, provaram que acima de tudo têm dignidade e que chega desta merda!

O Varoufakis têm mais carácter na unha de um pé do que estas bestas todas que nos governam há anos, hoje demitiu-se para não prejudicar as negociações, para não prejudicar o seu povo!
E eu só me lembro disto, caraças:




quinta-feira, 25 de junho de 2015

Chuva no deserto...

Bebi-te como agua fresca, mas salgada,
num alívio envenenado que alimenta mais a sede…
Um dia fomos trapézios sem rede
num circo de feras, entre encontros e esperas
de sorte e de morte.
Hoje somos chuva fugaz no deserto,
entre temperaturas escabrosas que matam tudo…
Pingos d’esperança a desenhar rosas molhadas em areias desidratadas
e que secam logo a seguir enquanto se ouvem ruir os sonhos…

segunda-feira, 15 de junho de 2015

O Naufrago...

Lamentos disfarçando a inércia do medo,
desapego,
 ou freio que se pisa a meio-gás
quando se desliza para o abismo, num sismo de razão infértil…
Ilusão em água ardente porque a mente é ágil, mas frágil…
Passaremos a vida a fugir de viver?
Acordamos a morrer todos os dias, em frias manhãs de Inverno.
Somos a paz e a angústia das nossas almas,
as armas biológicas e ilógicas que nos contaminam e matam…
Meu vício urgente e doente
com travo áspero a aguardente…
Bulício que agita as ondas tranquilas,
esquife errante e flutuante nas marés sombrias…
Já não me chamas Amor, nem dor, nem nada…
Era uma vez uma história inacabada,
sem final, nem começo, só capítulos salteados…
Barca Velha de casco ressequido que se afunda comigo…
Galeão antigo de convés encardido a assombrar o mar,
porque insistes tanto em naufragar?


sábado, 13 de junho de 2015

but my soul leaves you any way...


Penitências do silêncio…

O silêncio é a espada dos covardes, a lâmina cega que nos esventra e nos descarna enquanto as lágrimas se distraem de sentir…
A saudade encarna uma viúva-alegre, a mentir ao destino num desatino qualquer e nós meros fantoches da fatalidade, por amarmos mais do que podemos e sonharmos mais do que devemos…








Amo-te muito mais do que sei,
numa fúria descompensada, irracional, anormal e triste
que insiste em prevalecer numa lamuria qualquer…
Amei sempre mais do que devia,
porque ao Amor tudo se deve.
Vivo nesta sofreguidão que me sabe aos teus lábios,
na revolta feroz da tua voz quando viaja pela minha pele...
Seremos sempre a lentidão baldia que nos impele a morder os sonhos
e a experimentar a Vida…
Amor…
Tanta dor numa definição tão indefinida…
Palavra feita substantivo, feita verbo, feita adjectivo…
Comunhão que nos sela e nos une na desunião que nos castiga
e nos instiga a sermos felizes por teimosia…
Só se morre por Amor, mais nada…
Pelo Amor que se quer,
Pelo amor que se tem…
Pelo Amor que se perde…
Pelo amor de ninguém…

sexta-feira, 29 de maio de 2015

Os nossos Homens e a Voz da Casa dos Segredos!




Sabem quando vocês vão trabalhar e eles (sim eles, os nossos Homens, sim vocês gajos!) ficam em casa?
E no fim de um dia, longo, de trabalho chegam a casa e percebem que eles…

(Como dizer isto sem ferir susceptibilidades másculas… )
NÃO FIZERAM NADA EM CASA!!!

Sabem?

E nós perguntamos assim meio a híper-ventilar de raiva, mas ainda com esperança que tenha havido, de facto, um bom motivo*:
-Então mas tu nem meteste a louça do TEU almoço na máquina?

(*do género:
-Amor, nem sabes, houve uma invasão de extraterrestres e tive de ajudar a salvar a Terra, porque não saberia viver sem ti e os nossos filhos!)

Ou outra pergunta comum:
-Não estendeste a roupa, porquê?

E chega aquela resposta, brilhante, que nos faz pensar em como os serial Killers até são boas pessoas e modelos a seguir:
-Se tu me tivesses dito, eu tinha feito!

Epá…
A sério???
Mas é preciso dizer?
Tipo “a Voz” da casa dos segredos?

É estranho mas…
A nós (sim, nós, mulheres) também ninguém nos diz…
Eu sei que acham que temos uma voz que nos dá instruções e não contamos a ninguém, mas juro que não, apenas… Sei lá, pensamos e fazemos…
Bizarro, não é?

Desde cedo, chegamos a conclusões estapafúrdias do tipo:
-A roupa não vai sozinha para dentro da máquina e estranhamente, também não saltita alegremente para o arame…

-A louça no lava-loiça não entra em auto-gestão, nem se auto-destrói ao fim de 30 segundos… Coisa estúpida, eu sei…

-O chão não come o cotão… Era bom, mas não, escusam de insistir…

-O pó não consegue ser todo assimilado pelos vossos pulmões, mesmo que respirem de boca aberta, juro…

Mulheres que têm homens que fazem tudo em casa, deuses do lar na Terra, portanto, acendam velas e vão a Fátima todos os anos!
(Ou então calem a boca antes que as outra mulheres vos partam a cremalheira contra uma parede, ou vos atirem duma falésia,  sem querer, claro…)

Homens que fazem tudo em casa, ou pelo menos alguma coisa, sem esperarem uma voz de intervenção divina (ou a nossa fúria do demo)!
Ide e multiplicai-vos, por favor!!!



domingo, 24 de maio de 2015

Serviço publico (ou... talvez não...)

Para quem não sabe o que são orgasmos múltiplos...

                          MILKA SPLASH de menta!!!!


De nada :)

(Sara quando eu morrer de obesidade mórbida venho cá puxar-te os pezinhos por me apresentares este chocolate do demo!!!)

quarta-feira, 20 de maio de 2015

(Sobre a PSP) Pérolas a Porcos...

     Eu trabalhei no Pavilhão dos Oceanos (actual Oceanário de Lisboa, S.A.) durante a Expo'98 (e também depois da Expo) e aprendi que as multidões são naturalmente estúpidas, quando uma grande massa de gente se junta e se instala a confusão, pouca diferença existe entre pessoas e búfalos desgovernados (talvez a diferença maior seja o porte e o peso e nem sempre, mesmo esta, existe).
Não é fácil manter a ordem com multidões, existe sempre um ou dois, num micro-grupo, que causa confusão e a manada que os segue porque só está à espera de um pastor.
     Eu adorei trabalhar ali mas, dias houveram, em que saí de lá a odiar pessoas...
Apanhavamos de tudo, desde pais que perdiam crianças na confusão e continuavam calmamente a visita sem se ralar e nós ficavamos com os putos ao colo , inconsoláveis, a tentar localiza-los, a pessoas que empurravam deficientes em cadeiras de rodas contra os acrílicos para poder ver melhor os peixes, desde bestas que urinavam ou defecavam nos corredores de passagem mais escuros porque , não sei porquê, nunca percebi...
E claro, pessoas que nos batiam, pisavam e ofendiam porque, pois também não sei a resposta desta questão...
Isto para nem falar em todos os acéfalos que tiravam fotos com flash, quando lhes era dito, a cada 2 segundos, que não se podia.

Uma coisa que nos era bastante clara era que a ordem mantinha a segurança não só a nossa mas sobretudo daquela gente toda, sem ela poderíamos ter pessoas esmagadas  e muitas daquelas pessoas eram crianças, idosos e deficientes, outra coisa que nos era claramente evidente é que manter a ordem com multidões é extremamente difícil e de um momento para o outro instala-se a confusão e o pânico...

Trabalhar nestas circunstâncias, diariamente e a Expo'98 foram seis meses disto (e apesar do stress e dos Kg que perdi, cheguei aos 46Kg e bebia 7 cafés por dia, que saudades da nossa Expo!!!), é extenuante porque a pressão é constante.
Além desta parte também tinha de existir empatia nossa para perceber que as pessoas que ali estavam tinham estado 3h (ou mais) na fila, ao calor, até chegar ali e estavam ansiosas, exaustas e irritadas.
Chorei algumas vezes de stress, cansaço e raiva num fim de dia de trabalho, mas ao mesmo tempo adorava estar ali e no dia seguinte a disposição renovava-se, porque o ambiente Expo tinha qualquer coisa de mágico!

Foi nessa altura da minha vida que tive uma, muito ligeira e fugaz, noção do quão é extremamente difícil e ingrato zelar pela segurança dos outros...

Um policia em Guimarães  errou, se calhar já salvou dezenas de vidas, mas para manadas de Búfalos isso não interessa, se calhar, tantas vezes, meteu a vida dele em risco para salvar outros, mas os Búfalos querem sangue.
Os policias são heróis e os heróis não podem ser mortais se não os Búfalos pisam-nos...

Eu, porque sei o quão é fácil as multidões se descontrolarem (e não havia maior festa do que a Expo) não levaria crianças para estádios com jogos decisivos, ou comemorações de 40.000 pessoas bem bebidas e não o faria por ter medo da policia, mas dos outros e do acaso...

Um policia errou, um pai também, devem ser ambos responsabilizados, de certo ambos se sentem culpados e envergonhados com a forma como agiram naquele dia...
Se calhar o policia sempre foi um excelente policia e o pai um excelente pai, naquele dia não foram, um dia na vida de duas pessoas, provavelmente boas...

Eu admiro todos os dias a coragem de quem mete a vida dos outros acima da sua, mesmo nos dias maus, porque uma onda não pode, nem deve apagar o mar...





sexta-feira, 15 de maio de 2015

O que se passa com as pessoas? (Aquilo que sempre se passou, infelizmente...)

Quando vi o vídeo do grupo de miúdos/jovens da Figueira da Foz que bateram, covardemente, naquele rapaz deu-me muita raiva, sempre me revoltou aqueles "valentões-cobardolas"que se juntam para baterem alguém e são "muita-maus" (mas só porque/quando estão em grupo).




Eu sempre andei em escolas públicas, tenho 39 anos e infelizmente, isto não é um cenário novo para mim. Sempre fui muito magrinha, sempre tive alcunhas, mas era extrovertida e tinha olho vivo e nunca fui vitima de bullying violento, mas ainda assim andei à porrada muitas vezes.No entanto sabia que haviam guerras que nasciam perdidas e então, quando via que as coisas se estavam a complicar para o meu lado (afinal era pouco mais que 40 kg de gente), tornava-me amiga de um gajo ou gaja ainda pior e por norma, o/a bully acalmava.
Não é fácil sobreviver quando não se está no topo da "cadeia alimentar" e o comensalismo pode ser uma saída airosa. 
Eu tinha boas notas, por norma os bullys são acéfalos, broncos e facilmente manipuláveis, fazia uns testes a bullys maiores, passava-os a uma ou outra disciplina e eles ficavam os meus/minhas melhores amigos/as.
Isso nunca me deu o direito, no entanto, de tratar mal os, supostamente, mais fracos, antes pelo contrário, sempre meti debaixo da asa os outros/as miúdos/as da turma que sofriam essa perseguição, as "marronas" e os "esquisitos" eram, quase sempre, do meu grupo nos trabalhos de grupo e as pessoas com as quais eu passava o tempo nos intervalos.

 Não porque fosse uma óptima pessoa, mas porque, no fundo, aquele era o meu grupo verdadeiro, é impossível ter conversas de mais de 2 minutos com bullys, é difícil para eles construirem uma frase...

Mas havia  muito bullying, tareias (do género dessa do vídeo), insultos em grupo, pegar nos miúdos e molhá-los todos no chafariz, puxarem-lhes as calças para baixo (aos rapazes) em frente a toda a gente no intervalo, roubarem-lhes  o dinheiro para o lanche, etc.
Eu andei em escolas da Amadora (preparatória Roque Gameiro) e na Damaia (Dr. Azevedo Neves) até aos 14 anos, depois disso vim viver para a Margem Sul e quando mudei achei que aqui era tudo Zen, comparativamente, só para terem uma ideia!

Se me deu vontade de encher os putos do vídeo de chapadas, quando o vi, pelas recordações que me trouxe?
Claro que deu!
A minha primeira reacção, a quente, foi de ofendê-los, expô-los a humilhação publica e talvez uma ou outra galheta na fuça....
Fazê-los sentir na pele o que deve ter sentido o outro miúdo, a impotência, a fragilidade, a injustiça e a vergonha...
Mas bullying não cura bullying...
São miúdos (sim, ao pé de mim são miúdos)  agiram francamente mal, como tantos outros miúdos um dia agiram connosco, ou nós agimos com outros miúdos, agora  têm um país inteiro a persegui-los, a humilha-los, a aterroriza-los com ameaças de morte e ou violações.
Os pais destes miúdos, que podíamos ser nós, porque não sabemos que jovens-adultos serão, ou são, realmente, os nossos filhos, vêem um país inteiro a acusá-los, a odiarem visceralmente as suas crias...
Se eu acho que devem ser punidos?
Claro!
Façam-nos pedir desculpa ao miúdo, todos os dias à mesma hora, à vez, durante meses.
Metam-nos a lavar as escadas, as casas de banho e o chão da escola, a fazer trabalho comunitário, durante 3 anos todos os fins de semana, a ter aulas de musica com o André Sardet e a Mafalda Veiga à vez, durante 10 anos...

Se este bullying cibernético é a solução?
Não sei, mas queimar bruxas na fogueira sempre me pareceu crueldade gratuita e forma de libertar a frustração ressabiada de cada um...
Imediatamente também me pareceu bem, mas ponderando que estamos a falar de adultos em construção, que erraram mas ainda podem ser pessoas melhores, talvez se os deixarmos perceber que o bullying é errado, o deles e o nosso.






foto daqui

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Estou farta de:

-Pessoas que dizem que adoram Sushi e só falam de Sushi e só postam fotos de Sushi, livra é só peixe cru caramba, não é a cura para o cancro...

- De famílias que tomam brunch numa merda de um hotel qualquer para a fotografia perfeita, como se alguma família normal, com bebés, conseguisse estar ali 10minutos, sem se enervar, ou porque o puto já agarrou na toalha muito branquinha e mandou 300 coisas para o chão, ou porque enfiou a cara na manteiga, ou tem croissant no cabelo e doce na roupa dele e também limpou as mãos à nossa e não quer comer nada, só quer é correr e estão famílias, sem putos, ou com autómatos, cheias de pedigree e estatuto e o raio-que-os-parta-a-todos, a olhar para nós com ar reprovador enquanto ainda falam de educação positiva...

-De malta que diz que adora correr e só fala em correr e só diz quantos kms já correu hoje e o tempo que fez, NINGUÉM QUER SABER!!!
Corram mas CALEM-SE!!! Porra, ainda criticam as testemunhas do Jeová...

-Pessoas que comem sementes e fazem cereais caseiros e criticam quem bebe leite e come comida processada... Se morrer significa ir para longe desta gente, compensa, a sério!

-Pessoas que usam a palavra "Top" como adjectivo, era dar-lhes com um cocó redondinho no meio da testa! Top é uma peça de roupa, ok? Usar essa palavra como adjectivo para tudo demonstra apenas falta de vocabulário!

 

terça-feira, 28 de abril de 2015

E vocês também têm amigas de caca?

Saibam tudo aqui!!


Mais uma cronica disponível nesta minha aventura da maternidade! :)))
Confessem já tinham saudades de tanta asneira!!

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Mesmo na noite...

Pudesse eu prender o tempo com uma fita de seda,
tapar-lhe os olhos, prender-lhe os punhos, calar-lhe a boca...
Pudesse eu sentar-me no colo dele, senti-lo dentro de mim, impaciente, dizer-lhe que o Amor perdoa tudo e beija-lo devagar!



Nunca consegui respirar na poeira insossa dos dias que se repetem,
não sei viver em lume brando, mesmo quando sei que queimar dói...
A saudade corrói tudo, é a ferrugem deslavada que nos há-de destruir,
o grito mudo que ensurdece e entorpece o sentir, até sermos nada.
Houve um sonho que nos coube nas mãos escritos por poemas
que apenas eram Amor puro, dor embrulhada em cetim e desejo
que oferecemos enquanto morremos como gotas mornas de chuva em Agosto,
a morrer nos lábios e acariciar o rosto antes do ultimo beijo...
Nunca se perde um Amor, é o Amor que nos perde,
deixa-nos escorregar, devagar, pelo corpo do sofrimento
e o momento passa...
Fugi para não te ver partir, não me sei despedir de ti,
porque me levas sempre contigo
e eu já não consigo perder-me mais...
"Vives sempre em mim mesmo na noite escura....
vives sempre em mim mesmo na noite....
vives sempre em mim mesmo.....
vives sempre em mim....
vives.....
e eu por ti respiro.."

 



sábado, 25 de abril de 2015

Dias de sopro...

A respiração é um passo lento da sobrevivência,
resquício da resistência mordaz que me faz amar de coração fora do peito,
quando me deito e tento esquecer que o Amor não se esquece...
Adormece Amor, abraça a dor contínua e nua que embriaga os sonhos...
Foi Orfeu que ofereceu esta maldição que nos draga por dentro...
Lambe os teus lábios nos meus, tentação sofrida em ferida,
mesmo se à dor mentes sentes que jamais estarão dormentes
as batidas repetidas das almas que ousaram amar...
O ocaso é um acaso que se repete consciente,
Sim, a felicidade é mais do que nós os dois,
a vida é mais do que um Amor e a dor que o veste
mesmo quando nos despe do mundo!
Hoje as palavras falam mas jamais dirão tudo,
teremos sempre os nossos silêncios em dias de sopro...