sábado, 31 de maio de 2014

(A)O que o corpo sabe...

O corpo sabe caminhos que a razão desconhece...
Guia-se pela mão tremula e nervosa do instinto,
quando sinto o chão a engolir-me e a tingir-me os passos...
Os abraços são gaivotas feridas,
rumando à praia para morrer a sorver as ondas...
Aves, vidas vividas de cima, em esperanças suaves, de penas...
Não sei amar devagar, não lambo fúrias amenas,
não posso viver de memórias,
ou esquecer as peças que me constroiem e se destroiem todos os dias...
Somos puzzles frágeis que se desenlaçam sem querer...
Dizias que o Amor é para sempre?
Não.
Somente a fome nos acompanha, mais nada.
O tempo é uma manha doentia
que nos vicia nos limites do coração e nos come os sonhos...
Tudo o que temos é aquilo que o corpo sabe,
com a mesma descartabilidade e efemeridade da pele,
 que nos veste a alma e se enxovalha com a idade...


2 comentários:

Manno Marques disse...

A profundidade de seus versos tem a força dos espíritos do ar.Um alcance que não chega mesmo a ter um final além de nossa alma.

Albano Soares Ferreira disse...

Estou maravilhado com a eloquência da autora... Adorei