sábado, 31 de maio de 2014

(A)O que o corpo sabe...

O corpo sabe caminhos que a razão desconhece...
Guia-se pela mão tremula e nervosa do instinto,
quando sinto o chão a engolir-me e a tingir-me os passos...
Os abraços são gaivotas feridas,
rumando à praia para morrer a sorver as ondas...
Aves, vidas vividas de cima, em esperanças suaves, de penas...
Não sei amar devagar, não lambo fúrias amenas,
não posso viver de memórias,
ou esquecer as peças que me constroiem e se destroiem todos os dias...
Somos puzzles frágeis que se desenlaçam sem querer...
Dizias que o Amor é para sempre?
Não.
Somente a fome nos acompanha, mais nada.
O tempo é uma manha doentia
que nos vicia nos limites do coração e nos come os sonhos...
Tudo o que temos é aquilo que o corpo sabe,
com a mesma descartabilidade e efemeridade da pele,
 que nos veste a alma e se enxovalha com a idade...


terça-feira, 20 de maio de 2014

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Das amizades instantâneas...

Não gosto de pessoas arrogantes que dizem, cheias de orgulho e com um ego maníaco:
"Não gosto muito de fazer amizades, é muito difícil ganhar um lugar na minha vida!"
Acho-as pobres de espírito e pobres do mundo...
Eu gosto de fazer novas amizades, entregar-me a pessoas novas, saboreá-las devagarinho, descobri-las! É tão bom... Não me acho boa de mais para ser amiga de alguém, muito menos me acho boa de menos...
Somos ser sociais e às vezes esquecemos-nos...
Gosto de sorrir a um estranho e por segundos sentir que partilhamos qualquer coisa, gosto de conversar e dar atenção a desconhecidos que, de repente, se sentem à vontade para partilhar um pouco (ou muito) de si...
Ontem na praia fiz um amigo...
Não será um amigo para a vida, se calhar, porque poderemos não nos voltarmos a ver... Nem sei o seu nome, porque os nomes são descartáveis quando os olhos já se apresentaram devidamente...
Ele vendia bolas de Berlim, teria uns 60 anos, no máximo, talvez, ou menos, ou mais, que interessa a idade?
Eu brincava com a Inês, corríamos as duas na praia e girávamos à beira-mar, a sentirmos o vento salgado a abraçar a nossa liberdade!
Ele parou a olhar para nós e sorriu!
Sorrimos de volta e compramos-lhe bolas de Berlim e ele falou-me da filha, da neta, de tristezas e alegrias, falou-me de uma vida preciosa que era a sua e quis partilhar comigo, connosco...
Gosto muito de fazer amizades, durem o que durarem e raramente me desiludo verdadeiramente, mas mesmo quando a desilusão acontece tudo até aquele momento foi bonito e importante e uma onda não apaga o mar...
Tenho muitos amigos porque raramente espero muito deles, as vidas dos nossos amigos e as nossas têm cursos autónomos e partilhar momentos destes deveria ser sempre um privilégio!
Sim, faço amizades facilmente!

sábado, 17 de maio de 2014