cega-me a razão,
amordaça-me a sobriedade...
A escuridão do sentir abre-nos os braços,
nos espaços dos nossos passos...
Aprende a mentir ao mundo e à idade,
temos tempo...
Um segundo é um momento lento,
atento às nossas vontades...
Somos filhos bastardos do desejo...
Marginais presos em beijos roubados...
Candeeiros sombrios acesos na noite.
Castiga-me devagar...
Um açoite por cada sonho idiota...
Quero a minha cota de culpa sentida,
sorvida já fria, sem gosto,
temperada com sal e desgosto,
vazia e remendada.
Somos o nada que nos resta
e se presta ao que fomos...
Venda-me a alma,
cega-me a esperança
amordaça-me a saudade.


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