sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Se eu pudesse ter a ousadia de lhe dedicar alguma coisa, seria este poema, escrito em Março de 2010...







Podia, se pudesse, poderia...

Podia pintar o mundo de cores diferentes,
podia amar cada rosto,
enlaçar-me em cada abraço,
beijar o cetim de todos os lábios...
Sentir o gosto de cada sonho,
preencher cada espaço vazio, da vida dos outros...
Podia segurar com as mãos toda a felicidade,
possuir toda a beleza da Natureza...
Dançar em plena liberdade,
nua e descalça na rua,
com a chuva a molhar-me e a colar-me a roupa,
moldando cada traço!
Podia partir o meu coração em mil pedaços,
dividir este amor todo que trago comigo
e oferecer, a quem sofre, o calor dos meus braços!
Podia ser abrigo de tanta dor,
ensinar a alegria a quem nunca sorriu,
vestir de amor, quem morre de frio...
Podia ser berço de cada alma,
terço de fé,
mão que agarra quem morre sozinho...
Ganhar asas, voar sobre as casas,
sobre montanhas tamanhas e geladas
e derreter os cumes brancos, com carinho...
Colorir as estradas, negras, de violeta,
ser ave, ou borboleta,
ou uma folha voando no vento,
dormindo singela e bela, em pleno relento!
Podia ser trave de suporte,
amparando problemas e agonias...
Braço forte de todas as covardias...
Ser fôlego de coragem, viajando
em plena aragem...
Luz ofuscante, ou tiro no escuro
cruz de amor puro ou tridente, em chama ardente!
Podia viver eternamente,
sem tempo, sem leito, nem vontade de dormir,
para não perder nada do que tenho para viver!
Ou morrer, com tanto amor, a explodir dentro do peito!

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