terça-feira, 17 de dezembro de 2013

O fastio da gula...



Os dias são cigarros esmagados num cinzeiro,
sabem a cinza e decadência,
numa espécie de dormência oncológica....
Amei-te quando ainda nem sabia amar...
Talvez ainda esteja a aprender essa arte estranha
que rouba parte de mim e se entranha em tudo o que faço...
Um passo de cada vez, numa estrada qualquer,
que me quis mulher...
Somos larápios da nossa felicidade,
utopistas egoístas e inconformados,
embriagados pela vaidade de amar e ser amados...
E o amor é tudo o que se move à nossa volta,
mas não o vemos, porque queremos o melhor de todos,
o único, o especial, o tal...

Pobres gulosos, tolos, a admirar montras de bolos...

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Sem titulo 7#

(Participação na 7ª etapa do 5º Campeonato Nacional de Poesia;  
Desafio: Escreva um poema que convenceria qualquer pessoa a gostar de poesia.)

Vamos fazer um poema, escrito ou declamado de improviso…
Infinito no amor, ou na raiva, de cada palavra!
Sem vocábulos eruditos de intelectuais, que não conhecem, ou esquecem, a dor dos outros...
Um poema analfabeto, mas com a sabedoria de quem viveu, descoberto, ao acaso, por velhos 
medicados e fechados em hospícios cheios de poetas...
Pode ter erros, pode ser simples, pode ser bronco, mas que seja poema no sentir e nos ensine a não mentir à vida!
Que nos fale de sonhos e de esperanças, mesmo as mais humildes…
Que nos lembre a inocência e a valência de todas as coisas belas!
Que fale de crianças, ou de rostos gastos que amaram…
Que diga apenas: -“Eu gosto de ti e não sei escrever mais nada!”
Uma desgarrada que provoque ou contagie!
Um poema que se lance através de nós e nos toque, nem que seja ao de leve
e nos guie pela mão, quando cegarmos…
Um poema filho de poemas e neto de poemas e bisneto de poemas...
Sem brasão de família, mas orgulhoso e cioso das suas origens!
Um poema que nos lembre a primeira vez de um beijo, ou a vez seguinte, ou as lágrimas de uma partida em despedida...
Que nos fale de alguém que fez muito, ou que não fez coisa nenhuma, mas que fale de alguém...
Um poema que seja canção, ou oração, ou adivinha, mas que seja alguma coisa!
Que relate uma vida inteira, ou fale de um dia, ou um momento, ou o relance de um olhar...
Que não tenha definição, ou que defina tudo, sem autopsiar os sentimentos em teses e doutoramentos de intestino grosso
Um poema que represente mil-poemas mas que seja apenas… Nosso!


Classificação: 40 (0-60)  

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Se eu pudesse ter a ousadia de lhe dedicar alguma coisa, seria este poema, escrito em Março de 2010...







Podia, se pudesse, poderia...

Podia pintar o mundo de cores diferentes,
podia amar cada rosto,
enlaçar-me em cada abraço,
beijar o cetim de todos os lábios...
Sentir o gosto de cada sonho,
preencher cada espaço vazio, da vida dos outros...
Podia segurar com as mãos toda a felicidade,
possuir toda a beleza da Natureza...
Dançar em plena liberdade,
nua e descalça na rua,
com a chuva a molhar-me e a colar-me a roupa,
moldando cada traço!
Podia partir o meu coração em mil pedaços,
dividir este amor todo que trago comigo
e oferecer, a quem sofre, o calor dos meus braços!
Podia ser abrigo de tanta dor,
ensinar a alegria a quem nunca sorriu,
vestir de amor, quem morre de frio...
Podia ser berço de cada alma,
terço de fé,
mão que agarra quem morre sozinho...
Ganhar asas, voar sobre as casas,
sobre montanhas tamanhas e geladas
e derreter os cumes brancos, com carinho...
Colorir as estradas, negras, de violeta,
ser ave, ou borboleta,
ou uma folha voando no vento,
dormindo singela e bela, em pleno relento!
Podia ser trave de suporte,
amparando problemas e agonias...
Braço forte de todas as covardias...
Ser fôlego de coragem, viajando
em plena aragem...
Luz ofuscante, ou tiro no escuro
cruz de amor puro ou tridente, em chama ardente!
Podia viver eternamente,
sem tempo, sem leito, nem vontade de dormir,
para não perder nada do que tenho para viver!
Ou morrer, com tanto amor, a explodir dentro do peito!

If you dare, come a little closer... ;)


Sem titulo 6#


(Participação na 6ª etapa do 5º Campeonato Nacional de Poesia;  
Desafio: Escreva um poema em que use cinco vezes a palavra “toque”.

Máximo: 25 versos.)


Tudo começa no toque...
O momento pautado pelas carícias lentas...
Quando os dedos ensaiam pautas de orquestras,
Um olhar que se lambe, com as mãos atentas,
Enquanto a geometria da vida vai perdendo as arestas!

Tudo começa no toque...
O gesto que nasce na vontade e se torna intimidade...
Universos dispersos que se fundem e confundem...
Querer que se estende e nos transforma em prazer,
Enquanto nos procuramos no toque dos outros!
  



Classificação: 40 (0-60)