sábado, 2 de novembro de 2013

Sem título 1#

(Participação na 1ª etapa do 5º Campeonato Nacional de Poesia; Desafio: Escreva o poema que o Homem mais pessimista do mundo escreveria no dia mais feliz da sua vida)





Os meus dias monótonos de névoas secas
esperam, sem surpresa,  a morte anunciada…
Nunca fiz falta ao mundo, nem o mundo deu pela minha falta.

O rosto dela é uma sentença de beleza almejada em cada traço…
Eu, a pedra da calçada que o seu passo beija,
numa inveja doentia de lhe trepar pelas coxas…
Esta melancolia acende-me um cigarro numa amnistia de cancro do pulmão…
Ela desce a rua de sombrinha na mão, desafiando os pingos da chuva.
Encontra os meus olhos de lodo cinzento e eu tento não contaminar o ar que ela partilha…
Ela conhece o riso dos inocentes, a quem a vida ainda não desiludiu, ou mentiu,
e oferece-mo num bouquet de emoções perfumado de lábios!
Eu nem mereço sorrir, sentado no trono do nada que sou.
E a pressa dos dias levam-na dali,
Enquanto eu lambo a chuva que lhe tocou tão breve, ao de leve, nos ombros,
alimentando-me dos escombros de um sorriso impreciso…

Os meus dias monótonos de névoas secas
esperam, sem surpresa,  a morte anunciada…
Nunca fiz falta ao mundo, mas o mundo dela faz-me falta…


Classificação: 43 (de 0 -60)

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