quarta-feira, 14 de agosto de 2013

NaCl

Sabes-me ao sal de todas as lágrimas,
aquela despedida salobra que abraça e dói...



O amor vinca-nos para sempre,
tatua-nos, imprime-se no nosso fôlego
como um ferro quente...
Deixa-nos a marca profunda que destrói o nosso egoísmo
e traz-nos o lume de aprender que o ciúme se afunda e entranha na nossa carne...
Estranha forma de vida, tão dividida e tão só,
que nos faz querer morrer tantas vezes...
Pó que nos gasta os ossos e a alma e nos vicia na dor
de dizer: Amor!
Ódio que se tempera em Cloreto de Sódio,
espera que magoa e desespera em mágoa...
Silêncio que trespassa e nos alimenta da tormenta...
Sofrimento que nos estilhaça por dentro...
Despojo de tudo o que pensamos conhecer
até saber que o único sentido é aquele
que nos rouba o sentido de tudo,
a estupidez que se sobrepõe à razão,
a chama que nos consome, cheia de fogo e fome...

Sabes-me ao sal de todas as lágrimas,
porque afinal,
só o coração que ama sofre o suficiente para viver intensamente
um amor de cada vez...



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