terça-feira, 20 de agosto de 2013

Ainda se queimam bruxas na fogueira...

     Existe um apetite desmesurado pelo linchamento público, um sadismo voyeur que se satisfaz ao ver destruir outra pessoa... 

   Poderia dizer que é reflexo da sociedade actual, mas não, na verdade é a prova que "bad habits die hard", ou seja ainda não evoluímos grande coisa, é apenas uma maneira mais requintada de caçarmos, supostas, bruxas para as vermos arder lentamente na fogueira, sob pretextos de justiça...
Talvez a mesquinhez e a inveja sejam predicados intrinsecamente ligados à condição humana, mas na verdade gostamos de ver outras pessoas a cair em desgraça, claro que associamos esta satisfação, doentia, a um qualquer sentimento de protecção para com os mais fracos e oprimidos, para não encararmos a realidade que o espelho nos traz, adoramos chafurdar na vergonha alheia como porcos...
 Adoramos insurgir-nos contra alguém, sobretudo se esse alguém estiver sozinho e fragilizado, gritarmos todos em coro, apontarmos o dedo,crescermos exponencialmente face à pequenez do visado.
  Gostamos de os ouvir pedir desculpa, sentirmos na pele a sua humilhação, sabermos que causamos realmente diferença na vida daquela pessoa e que jamais esquecerá o momento e o enxovalho...
Então se forem pessoas que vivem (aparentemente) melhor do que nós, ate trememos de excitação, o frenesim é tão maravilhoso que é quase impossível parar...

 Foi isto que a Judite de Sousa sentiu ao entrevistar o Lorenzo...
E foi isso que todos sentimos a queima-la na fogueira da opinião pública, a seguir...


segunda-feira, 19 de agosto de 2013

No teu aniversário Patrick...

Porque foste o primeiro gajo a quem achei realmente piada, porque até sabias dançar e tudo...
Fica um beijinho e um miminho para ti...


Descansa em paz meu querido!

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

NaCl

Sabes-me ao sal de todas as lágrimas,
aquela despedida salobra que abraça e dói...



O amor vinca-nos para sempre,
tatua-nos, imprime-se no nosso fôlego
como um ferro quente...
Deixa-nos a marca profunda que destrói o nosso egoísmo
e traz-nos o lume de aprender que o ciúme se afunda e entranha na nossa carne...
Estranha forma de vida, tão dividida e tão só,
que nos faz querer morrer tantas vezes...
Pó que nos gasta os ossos e a alma e nos vicia na dor
de dizer: Amor!
Ódio que se tempera em Cloreto de Sódio,
espera que magoa e desespera em mágoa...
Silêncio que trespassa e nos alimenta da tormenta...
Sofrimento que nos estilhaça por dentro...
Despojo de tudo o que pensamos conhecer
até saber que o único sentido é aquele
que nos rouba o sentido de tudo,
a estupidez que se sobrepõe à razão,
a chama que nos consome, cheia de fogo e fome...

Sabes-me ao sal de todas as lágrimas,
porque afinal,
só o coração que ama sofre o suficiente para viver intensamente
um amor de cada vez...



domingo, 4 de agosto de 2013

Live to fight another day...


Dos fracos não reza a História...

Sinto-te no perfume dos passos que piso,
no caminho íngreme da saudade que me acompanha
e se estende no comprimento de cada lamento...



A chuva já secou...
Lavou-te de cada recanto, em pranto de funeral...
O tempo parou de me moer e remoer e fez as pazes comigo!
Pediu-me desculpas pela dor e eu pedi-lhe desculpas pelo amor
que nos fez perder tempo aos dois...
Depois, demos as mãos e resolvemos tudo...
Não tenho arrependimentos, mas tenho sentimentos corrompidos,
interrompidos por fraquezas, pesar ou aquilo que lhe queiramos chamar,
procurando um sinonimo que satisfaça a insensatez...

Era uma vez, uma história que podia ter sido mais que isso,
mas que se resumiu a algumas linhas de duas histórias diferentes,
com duas leituras distintas, de palavras extintas pelas folhas amarelecidas...