domingo, 14 de julho de 2013

Primeiro fôlego...




E o amor nasce...
Qual rasgo de ilusão que nos prende a respiração no peito,
num movimento cruel de tormento lento...
O ar é uma fricção dolorosa de espinho de rosa
a marcar-nos por dentro...
Toda a vida traz dor ao nascer e o amor é o seu primeiro fôlego...
Arranha-nos os pulmões do sentir e ensina-nos a mentir a nós próprios,
na sua verdade absoluta...
Morde-nos a alma que só se acalma no seu aconchego,
numa violência que nos vicia a consciência...
Oferece a vulnerabilidade de pertencer e morrer por alguém
no infinito de afectos que a nossa mortalidade permite...
Renasce-nos e fortalece-nos em cada olhar, em cada toque
e ensina-nos o contrário de todas as coisas e os superlativos de cada extremo,
numa aprendizagem constante que nos parece distante das razões alheias,
que um dia também chamámos de nossas...
 Inflama-nos os pulmões numa fúria descompassada
e a seguir aspira-nos todas as forças...
É o vazio imenso que nos contém e nos detém a felicidade
e a única razão de ser realmente feliz...
Uma angústia que alimenta, uma tormenta que nos tranquiliza
um nada cheio do tudo que nos preenche!



 

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