quarta-feira, 15 de maio de 2013

Monóxido de carbono...



O amor é uma palavra morta,
enterrada por mágoas e sonhos interrompidos...
Incinerámos as palavras e as memórias
em histórias de príncipes fracos e princesas fúteis...
Tempos inúteis.
E o fogo arde e vê-se e consome a fome...
O corpo resta nas cinzas que se abrem ao vento
e o oxigénio é uma mistura quente de raiva, prazer e poluição
que nos obstruí o pulmão da razão.
E de repente
o peito é uma batida inconstante,
a pele permeável brisa quente que se desenha sob os dedos,
em enredos lentos num toque errante que não avisa...
Ardente o sopro que é sussurro e dor e desejo
e este o fogo, o archote, o beijo
o fantasma de um amor a sofrer de asma ...
A morrer na procura e no encontro,
de uma doença a proliferar, crónica e cínica...
Num desejo sem cura e sem pertença
embriagado pela falta de ar...


1 comentário:

Rogério Paulo Peixoto disse...

" O fantasma de um amor a morrer de Asma"

Gosto quando evocas e invocas a tua imensa arte e talento no discorrer de pensamentos.

Amei