quinta-feira, 30 de maio de 2013

Ribeira de seda...

Fresca, leve, límpida, doce,
como se fosse um orvalho suave e breve...
Uma respiração adocicada sobre a pele
cheirando a mel e a madeira...
Água pura, frescura em estado liquido,
candura em fluidez...
Tentação almíscarada de timidez e alvorada!
Brisa passando os dedos pelo verde dos campos,
Corpos de orgasmo em flor,
liberdade em espasmo molhado...
Hálito seco e adocicado
que se refresca na tua língua...
Talvez... Amor...
Mingua e saciedade,
corrente, caudal, margem...
Ribeira sem pontes nem pedras de passagem...


quarta-feira, 15 de maio de 2013

Monóxido de carbono...



O amor é uma palavra morta,
enterrada por mágoas e sonhos interrompidos...
Incinerámos as palavras e as memórias
em histórias de príncipes fracos e princesas fúteis...
Tempos inúteis.
E o fogo arde e vê-se e consome a fome...
O corpo resta nas cinzas que se abrem ao vento
e o oxigénio é uma mistura quente de raiva, prazer e poluição
que nos obstruí o pulmão da razão.
E de repente
o peito é uma batida inconstante,
a pele permeável brisa quente que se desenha sob os dedos,
em enredos lentos num toque errante que não avisa...
Ardente o sopro que é sussurro e dor e desejo
e este o fogo, o archote, o beijo
o fantasma de um amor a sofrer de asma ...
A morrer na procura e no encontro,
de uma doença a proliferar, crónica e cínica...
Num desejo sem cura e sem pertença
embriagado pela falta de ar...


quarta-feira, 1 de maio de 2013

Nictofobia...




Chega, negra, dura, cura a arder...

A displicência de um olhar que não se cruza, nem se usa para ver...
A mão que já caiu e nunca foi extensão de nada,
abandonada ruiu sobre o solo que era apenas as penas do próprio colo...
O dó de ser só e não ser sozinho,
num caminho sem passos ao lado,
cheio de ruído à volta...
Isolado nas conquistas, nas derrotas,
cheio de palmadas secas nas costas...

Chega, negra, fria, realidade amarga...

A carga de ombro que apenas afasta
e nos arrasta para o fundo, num tombo oportuno...
Noite da alma que me consome
e se acalma na minha fome...
Silêncio absoluto, luto, despedida
que nos arranca dos braços da puta da vida...
Acenos obscenos na multidão,
a confusão das pessoas tão perfeitas,
tão boas e feitas à sua propria imagem...
Espectros sem aspecto ao espelho das vaidades...
Desencanto de amar tanto.