domingo, 14 de abril de 2013

(Des) Encontro...



Os lábios vestem-se de sopro,
num acariciar quente que embala o tempo…
         Tento quebrar as palavras e oferecer-tas devagar,
         em monossílabos sibilinos que enfeitiçam,
         numa dança tranquila de sedução, cheia de pausas…
O toque é um cetim maleável que nos desce e conhece,
assim, como só nós, nos conhecemos…
E o sabor da pele é o mel que nos sacia e vicia,
tantas e tantas vezes…
         E no meio de dois corpos, um sonho, uma alma, a partilha...
         O movimento coreografado e perfeito, sem ensaios…
         E o leito que nos deita e nos abraça,
      entrelaça-se connosco, num vidro fosco, transparente,
     numa tentativa deficiente de perpetuar cada gesto….
O ar é mais pesado, mais doce, mais intenso,
o perdão um gesto tenso e renegado,
abandonado num fado qualquer que nunca trauteei…
E o Amor é para sempre
e eu sempre te amei num expoente máximo de sofreguidão
e dor …
         Assombrada por um medo acriançado, abandonado, azedo e antigo
         de te perder…
Agarrada ao nada de manter o tempo que nunca tivemos,
o aconchego que nunca provámos,
numa recordação fugaz de fazer amor contigo,
quando nunca nos procurámos…






quarta-feira, 10 de abril de 2013

Antigo testamento...


Antes do nada havia o depois de tudo...
As deambulações tristes e sombrias dos dias em que insistes anoitecer...
O mudo som da confusão mórbida que sufoca e provoca ao passar o Amor,
aquele sentimento gasto, de quem gastou o que não tinha e mantinha uma ilusão qualquer...
Crescer dói, mas cura, porque arde.
A lucidez lava as almas puras e a água dura corrói as pedras moles de castelos de muralhas dúbias
e alicerces podres...
As limalhas do tempo ferem os olhos inocentes e as tareias dos anos magoam virtudes cansadas
e de repente as cores da vida são mais desbotadas e os sabores mais indefinidos...
Acumulam-se mágoas, egoísmos, cinismos, mentiras, iras e águas turvas que empestam a alma
e minam o peito...
E só resta aquilo que já não presta,
um nada depois do tudo, feito de lodo...



Olho por olho, dente por dente e o Sol continua a nascer todos os dias indiferente
às agonias de toda a Gente...