quarta-feira, 13 de março de 2013

O povo não come...

O povo não come...
O povo sacia a barriga vazia com fome...

Pelas ruas os rostos sabem a desgostos e desilusões...
As crianças crescem com os sonhos confiscados
por ladrões engravatados de sorrisos ensaiados
 em frente ao espelho das multidões...

O povo não come...
O povo sacia a barriga vazia com fome...

A esperança emigrou e levou com ela quem estudou...
Os pais em vez de herança deixam facturas,
em vez de terra deixam penhora,
em vez de cultura, juros de mora...

O povo não come...
O povo sacia a barriga vazia com fome...

Há desencanto nos lábios de quem envelhece,
há medo na alma de quem adoece...
Há incerteza nos passos de quem cresce
e dureza nas mãos que trabalham sem pão.

O povo não come...
O povo sacia a barriga vazia com fome...

 E soa a voz grave e morna de quem governa como bigorna:
 "Deixem-nos morrer!
  São a gangrena que nos empobrece!
Esta gente pobre e doente ,
nem a reforma merece...
Para viver quem de justo direito tem de perecer quem nasceu por defeito!"

O povo não come...
Mas cobiça...
O povo sacia a barriga vazia com fome...
De justiça!






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