Timidamente as letras roçam as pernas umas nas outras,
olham-se, desejam-se, namoram-se
e amam-se!
As palavras surgem e as frases crescem,
vestidas de dor, beleza e sentir,
a dividir amor e sonho!
A incerteza da razão flui livremente!
E eu ponho os medos ao largo
e largo as ancoras no mar de Orfeu...
Agora, na fúria tranquila das horas,
a mente anuí ser mais coração,
a lamuria do concreto cala-se
dando tréguas à lógica e ao peso do chão...
E a única coisa que importa
é manter a porta da alma aberta,
para caminhar no deserto de areia incerta que nos escorre pela vida
e nos morre por dentro...
Ao centro resta apenas o poema,
o toque suave da pena que nos veste
e no empresta aconchego!
quinta-feira, 21 de março de 2013
quarta-feira, 13 de março de 2013
O povo não come...
O povo não come...
O povo sacia a barriga vazia com fome...
Pelas ruas os rostos sabem a desgostos e desilusões...
As crianças crescem com os sonhos confiscados
por ladrões engravatados de sorrisos ensaiados
em frente ao espelho das multidões...
O povo não come...
O povo sacia a barriga vazia com fome...
A esperança emigrou e levou com ela quem estudou...
Os pais em vez de herança deixam facturas,
em vez de terra deixam penhora,
em vez de cultura, juros de mora...
O povo não come...
O povo sacia a barriga vazia com fome...
Há desencanto nos lábios de quem envelhece,
há medo na alma de quem adoece...
Há incerteza nos passos de quem cresce
e dureza nas mãos que trabalham sem pão.
O povo não come...
O povo sacia a barriga vazia com fome...
E soa a voz grave e morna de quem governa como bigorna:
"Deixem-nos morrer!
São a gangrena que nos empobrece!
Esta gente pobre e doente ,
nem a reforma merece...
Para viver quem de justo direito tem de perecer quem nasceu por defeito!"
O povo não come...
Mas cobiça...
O povo sacia a barriga vazia com fome...
De justiça!
O povo sacia a barriga vazia com fome...
Pelas ruas os rostos sabem a desgostos e desilusões...
As crianças crescem com os sonhos confiscados
por ladrões engravatados de sorrisos ensaiados
em frente ao espelho das multidões...
O povo não come...
O povo sacia a barriga vazia com fome...
A esperança emigrou e levou com ela quem estudou...
Os pais em vez de herança deixam facturas,
em vez de terra deixam penhora,
em vez de cultura, juros de mora...
O povo não come...
O povo sacia a barriga vazia com fome...
Há desencanto nos lábios de quem envelhece,
há medo na alma de quem adoece...
Há incerteza nos passos de quem cresce
e dureza nas mãos que trabalham sem pão.
O povo não come...
O povo sacia a barriga vazia com fome...
E soa a voz grave e morna de quem governa como bigorna:
"Deixem-nos morrer!
São a gangrena que nos empobrece!
Esta gente pobre e doente ,
nem a reforma merece...
Para viver quem de justo direito tem de perecer quem nasceu por defeito!"
O povo não come...
Mas cobiça...
O povo sacia a barriga vazia com fome...
De justiça!
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