domingo, 27 de janeiro de 2013

Género, ou condição...

Um esgar de olhar, desvanece o Inverno da dor,
num terno sarcasmo de apetecer morrer, devagar...
O Amor é uma gralha muda, remoendo passados,
vividos, esvoaçados, esquecidos, sepultados...
E nós?
Iludidos primatas a aspirar evoluções utopistas,
cheios de conquistas pequenas, apenas...
A esperança batalha cá dentro,
onde me invento todos os dias, maior e melhor...
Ser mulher é ter vento na alma,
água no regaço e terra em cada abraço...
Condição efemera e imortal que nos rasga o peito
como punhal...
É viver na ânsia que nunca se acalma,
nem se perde na distância,
é amar sem escala por defeito, 
é cobrar nada a quem se dá tudo,
dar voz a quem nos cala
é oferecer a vida ao mundo...                    

3 comentários:

Fabio Renato Villela disse...

Mais que um gênero ou uma condição. Tu és poesia.

Teu poema é lindo,

bjs.

Rogério Paulo Peixoto disse...

"O Amor é uma gralha muda, remoendo passados.."

É por isso que amo te lêr. Tens nas analogias as vertentes únicas, que encerram em si uma imagem visual tão cadenciada que é absolutamente impossível não te saborear como um bom pedaço de chocolate.

Amei este poema!

Rogério Paulo Peixoto disse...

"O amor é uma gralha muda, remoendo passados..."

É impossível não amar te ler. Tens na analogia a força visual do que realmente pretendes transmitir.

Ler-te é como saborear um bom pedaço de chocolate e derreter-nos no teu forte poetar.