segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Semblante...

      


     E o tempo fugia, como fogem os primeiros raios de luz que acordam e beijam, em vida, a madrugada...
Ela olhava o horizonte que lhe fugira, de sorriso tranquilo, quase feliz, passando os dedos pelos sonhos, acariciando as mágoas, sentindo o perfume acetinado das desilusões que um dia a fizeram completa...
O silêncio era a partitura do tempo, em sons mudos e concretos, concluindo que nada havia a dizer porque as palavras eram emoções que secaram no sol da espera...
Já não haviam palmas da mão para vestir com esperança, nem dedos para percorrer utopias, nem frases inacabadas...
Apenas um tempo que fugia, trazendo as brancas medalhas da idade que salpicam os cabelos e apagam o ridículo vicio do amor...
E ela, perpetuada num sorriso tranquilo, quase feliz...

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