domingo, 21 de outubro de 2012

Perfume...



A saudade deixa rasto no teu perfume,
num lume frígido que não se apaga,
nem nos afaga o corpo…
Chorei todas as lágrimas que pude,
numa desajeitada forma rude de te amar,
em que foste pouco mais do que amiúde consolo…
O sonho é um tolo moribundo
correndo o mundo descalço,
morrendo a sorrir, no meu colo…
Fizemos cair o tempo no percalço irónico
de encontros sem toque,
onde o único conforto eram as palavras
roubadas às confidências
e as coincidências que nos vestiam tantas vezes…
E afinal nem sequer éramos parecidos…
Os risos adormecidos são agora lembranças
de esperanças, crescidas e amolecidas pela idade…
A saudade deixa rasto no teu ciúme,
No teu rancor, no teu egoísmo, amor…
E um perfume enjoativo a remorso que eu não uso,
O perdão tudo esquece!

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