domingo, 21 de outubro de 2012

Intervalo...


Perfume...



A saudade deixa rasto no teu perfume,
num lume frígido que não se apaga,
nem nos afaga o corpo…
Chorei todas as lágrimas que pude,
numa desajeitada forma rude de te amar,
em que foste pouco mais do que amiúde consolo…
O sonho é um tolo moribundo
correndo o mundo descalço,
morrendo a sorrir, no meu colo…
Fizemos cair o tempo no percalço irónico
de encontros sem toque,
onde o único conforto eram as palavras
roubadas às confidências
e as coincidências que nos vestiam tantas vezes…
E afinal nem sequer éramos parecidos…
Os risos adormecidos são agora lembranças
de esperanças, crescidas e amolecidas pela idade…
A saudade deixa rasto no teu ciúme,
No teu rancor, no teu egoísmo, amor…
E um perfume enjoativo a remorso que eu não uso,
O perdão tudo esquece!

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

terça-feira, 2 de outubro de 2012

We had...


A despedida torna o passado mais doce,
como se fosse um sopro de morte abençoado
no efemero da vida...
Má sorte a mortalidade ser a realidade que nos cabe...
De que vale amar para sempre,
se o sempre tem a nossa hora marcada?
Há um prazo de validade em tudo,
até no amor...
Agora de nada vale chorar,
ou pedir um atraso qualquer para ter o que se quer...
O relógio do destino é surdo a preces...
Tudo tem o seu tempo, depois chega o depois,
quando o momento fugiu, no presente frio das memórias...
Nas histórias que se contam em embargada voz,
no após da madrugada da dor,
quando o amor já se despediu de nós
e partiu.



segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Porque existem amores assim...


Semblante...

      


     E o tempo fugia, como fogem os primeiros raios de luz que acordam e beijam, em vida, a madrugada...
Ela olhava o horizonte que lhe fugira, de sorriso tranquilo, quase feliz, passando os dedos pelos sonhos, acariciando as mágoas, sentindo o perfume acetinado das desilusões que um dia a fizeram completa...
O silêncio era a partitura do tempo, em sons mudos e concretos, concluindo que nada havia a dizer porque as palavras eram emoções que secaram no sol da espera...
Já não haviam palmas da mão para vestir com esperança, nem dedos para percorrer utopias, nem frases inacabadas...
Apenas um tempo que fugia, trazendo as brancas medalhas da idade que salpicam os cabelos e apagam o ridículo vicio do amor...
E ela, perpetuada num sorriso tranquilo, quase feliz...