sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Meu corpo, Nu, teu corpo...

O corpo é rastilho, combustível, incêndio...
Chama que chama o desejo por tu...
Beijo demorado pousado num sonho irascível,
compêndio nu dos sabores dos lábios sábios ou aprendizes...
O corpo é cama de odores almiscarados,
caminho de dedos, de medos, de descobertas...
É piano de palavras, pauta de gemidos, batuta dos sons
disfarçados de promessas quentes segredadas nos ouvidos...
É toque de mãos intranquilas, ardentes, ansiosas,
nervosas que se encontram e se encaixam...
O corpo vive dos sonhos perdidos que recomeçam,
no corpo que se cruza e se torna fado, musa ou enfado...
Prisioneiro do cheiro, da vontade, do martírio,
conquistador e senhor do prazer, do delírio,
ou da gargalhada rasgada...
Amanhecer da noite amargurada pela saudade,
suspiro sem cumplicidade,
solidão desmembrada,
exaustão, tristeza, incerteza, nada...
O corpo é volúpia,
é raiva, é razia, angústia...
É culpa mascarada de cíúme, queixume,
acusação vazia, remorso...
Necessidade, sofrimento, tormento,
obsessão...
 Masturbação, vaidade, frustração,
ausência. dormência, sensibilidade...
Mortalidade que obriga à intriga,
terreno de amor, de amante, de desprezo...
É leveza e peso nos ombros e os escombros da razão...
Paixão, céu, realidade...
Marca de agua da idade, véu do tempo
que se estende e nos compreende em rugas e fugas...
O corpo é encaixe, peça fundamental,
continuidade...
Fim do que é nosso e inicio do resto do mundo...
O meu é metade do teu...

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