sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Jacinta aprende a beleza das outras cores! (O meu quarto conto infantil)

   Era uma vez um lindo campo florido, onde havia duas aldeias de joaninhas, a aldeia das Papoilas onde viviam as joaninhas encarnadas e a aldeia dos Lírios Azuis onde viviam as joaninhas azuis.
 As joaninhas destas duas aldeias, por terem cores diferentes, não eram amigas, nem sequer falavam umas com as outras. Era ensinado às joaninhas de cada aldeia, desde que eram joaninhas bebés, que na aldeia vizinha todas as joaninhas eram muito más e por serem de outra cor, não eram de confiança.
    Uma vez por ano havia a festa das flores no campo florido, todos os insetos amigos das flores, participavam nesta festa animada, as borboletas, as abelhas, as libelinhas, os escaravelhos e as joaninhas! Todos os insetos dançavam, uns com os outros, à volta das flores, espalhavam o pólen, protegendo e ajudando  a tornar as flores mais fortes e bonitas, de forma a haver sempre novas flores de cores diferentes, mas as joaninhas azuis e encarnadas nunca conviviam umas com as outras, mantendo sempre a distância e a indiferença entre si...
Numa dessas festas, a joaninha azul Jacinta, filha do chefe da aldeia dos Lírios Azuis, o grande chefe:  Salomão O Azulão ,andava muito entretida a cheirar as flores e reparou numa linda flor amarela, aproximou-se dela para a cheirar melhor e quando deu conta estava ao pé de duas joaninhas encarnadas que jogavam à macaca.
 Jacinta ficou logo atrapalhada, sabia que não devia estar perto delas, o pai Salomão sempre lhe dissera que as joaninhas encarnadas eram perigosas...
De repente uma das joaninhas encarnadas olha para ela e meio assustada diz-lhe assim:
    - Olá sou a Rubi, esta é a minha irmã a  Escarlate, se não nos fizeres mal podes jogar connosco!
 Jacinta ficou muito confusa, se eram as joaninhas encarnadas que eram perigosas, como é que ela podia fazer mal a alguém?
    - Eu, fazer-vos mal? Vocês é que me podem fazer mal... Nós, as joaninhas azuis, somos boas e tranquilas!
A Escarlate, que era mais nova, começou a dizer para a Rubi, já quase a chorar.
   - Mana vamos para o pé da mamã, tu sabes que as azuis não são de confiança, tenho medo, vamos...
Jacinta ficou mais confusa ainda, então aquela pequena joaninha tinha medo dela?
   -Esperem! Porque tens medo de mim, Escarlate? -Perguntou a Jacinta
   -Tu és azul, tens uma cor diferente da minha, essa diferença faz-me olhar para ti com receio... -Respondeu a Escarlate cheia de medo.
   -Mas eu nunca fiz mal a ninguém e a mim sempre me disseram que eram vocês, as joaninhas encarnadas, que eram más e não gostavam nada de nós por sermos azuis... - Defendeu-se a Jacinta
A Rubi que era muito observadora e sensata, respondeu à irmã e à Jacinta:
  - Sabem hoje é a festas das flores, o nosso campo é muito florido e bonito porque tem flores de todas as cores, as cores existem para tornar o mundo mais bonito, não deviam ser motivo de medo...
Eu gostava muito que viesses brincar connosco Jacinta! Escarlate empresta uma pinta das tuas, à Jacinta para ela jogar connosco à macaca.
A Escarlate, um bocadinho receosa, estendeu a mão à Jacinta e deu-lhe uma pinta das suas, a Jacinta sorriu e agradeceu, entre as joaninhas as pintas eram muito preciosas e só se davam em sinal de respeito e carinho.
O pai de Jacinta, Salomão o Azulão e a mãe da Rubi e da Escarlate, Bernarda a Encarnada, procuravam pelas filhas e ouviram, escondidos, toda a conversa das suas pequeninas e perceberam que era tempo das coisas mudarem entre as aldeias...
   - Jacinta, era aqui que estavas? Andava à tua procura! Estavas a brincar com estas lindas joaninhas? Disse Salomão com um sorriso.
 Jacinta com receio de um ralhete disse ao pai:
  -Estava pai, mas sabes nem todas as joaninhas vermelhas são más, estas querem ser minhas amigas...
Salomão pegou na Jacinta ao colo e disse:
  -Tens razão Jacinta, a bondade não está nas cores dos outros, mas sim nas acções, parece-me que ganhaste aqui duas boas amigas e podem brincar juntas sempre que quiserem!
 Bernarda, gostou do gesto de Salomão e disse também:
  - E quando quiseres podes ir lanchar à nossa casa, és muito bem-vinda, estou contente pelas minhas filhas terem feito uma amiga nova!
Salomão pediu a Bernarda para dançarem juntos na festa das flores em sinal de Paz entre as duas aldeias e a partir desse dia, as joaninhas encarnadas e as joaninhas azuis começaram a brincar  sempre juntas, as suas cores diferentes, misturadas, passaram a tornar os dias mais bonitos e nunca mais foram motivo de medo ou desconfiança!


Os meus outros contos infantis:

  Migas, o ratinho que queria voar...


http://librisscriptaest.blogspot.pt/2012/03/o-meu-primeiro-conto-infantil-o-ratinho.html

Tobias aprende a lição!

http://librisscriptaest.blogspot.pt/2012/03/tobias-aprende-uma-licao.html


O frango Francisco quer conhecer o mundo!

http://librisscriptaest.blogspot.pt/2012/04/o-frango-francisco-quer-conhecer-o.html



1 comentário:

Rogério Paulo Peixoto disse...

Supostamente um conto infantil, mas com uma mensagem muito forte para nós, a quem compete ensinar a tolerância diante das nossas diferenças humanas.