domingo, 12 de agosto de 2012

A reacção quimica do amor...

O calor é saudade em código Morse,
numa química física dos corpos que se atraem
em combustões espontâneas de saciedade e procura...
O amor?
O amor...
Adapta-se, segue, renova-se...

Mordi as ilusões todas
e as migalhas dos sonhos caem, hoje,
nas calhas dos tetos dos outros...
As promessas eternas foram cavalos de Troia, sem pernas,
armados de mentiras e medos até aos dentes...
Abri-te a alma, de par em par, demasiadas vezes,
mas nunca quiseste fazer par comigo...
Teria sido o teu leito,
 feito do teu tempo a loucura perfeita,
ancorado eternamente em cada poro teu...
Meu amor, tão meu...

Teria sido poesia, os meus lábios pelo teu corpo,
meus dedos pincéis de tinta da china, pura e quente...
Cavalgaríamos à boleia da crina dos meus cabelos pelas vidas todas,...

Não estava escrito.
Se estava, acredito que a página vestiu-se de branco e definhou vazia,
num pranto dormente...

Os lábios entreabertos, molhados, amordaçaram a língua
que nunca te provou
e partiram salgados nas aguas de Março...
Foste o pau e a pedra que me magoou em silêncio,
quando precisava de carinho como quem mendiga o pão...
 E aprendi a sobreviver com fome e sede,
sem nunca exigir nada, apesar de me ofereceres
todo o nada que pudeste...

O amor?
O amor...
Não, amor, não.

O meu corpo não racionaliza, deseja, quer, ama...
Mas a alma já não beija a fome, nem abraça a sede,
nem te lambe as costas...
Tu já não voltas e eu já não espero, nem quero ser
a rede da tua dor, enquanto consome...
 A alma comanda o corpo meu amor...
A vida não volta atrás, nem se faz esperar...
És livre para amar outras marés nessa forma distorcida
que te leva a ser como és...
 O amor?
O amor...
O amor não morre, só se transforma e lambe a ferida...



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