quinta-feira, 12 de julho de 2012

Ode aos (des)amores ridiculos....

Lambo as lágrimas do meu cansaço, abraço o embaraço da tua ausência de aço, que me trespassa e amassa o orgulho que a paciência adoptou uma vez mais...
Olho para trás, não estás na sombra que me cobra a saudade, a idade dá-nos a mao e não nos diz mais nada...
Fico cansada, mastigo um momento feliz que encontro entre a tristeza, nesta destreza mental que me permite sobreviver e me insiste em ensinar a esquecer aquilo que não me é humanamente possível...
A minha mente mente, ao inconsciente que nos esconde numa gaveta que não comprometa a realidade que resta nesta aventura que se chama vida...
A sobriedade porém não gosta de aventuras, mas ninguém é estupidamente sóbrio a este ponto...
Conto os dias que nos separam...
Conto os motivos que nos permitem ser animais esquivos e assustados...
Conto os sinais que nos param embriagados em verdades morais, desmoralizados...

E rimo as palavras na esperança de embelezar o ridículo.

2 comentários:

Rogério Paulo Peixoto disse...

Vamos só imaginar que não tinha tempo, que não quisesse ler.
Vamos imaginar que tal fosse possível, ainda para mais tratando-se de mais um Post de quem eu sou grande fã.
Mas imaginamos que eu não o era, que nem conhecia a Inês Dunas e a sua fantástica escrita que nos leva além-fronteiras de nós mesmos.
Bastava, mesmo a contragosto, dar só uma olhada e zás...logo na introdução, era impossível não continuar a ler.
Retenho a força majestosa do início..."Lambo as lágrimas do meu cansaço...".
A mestria de numa meia frase, resumir todo um sentimento, toda uma colecção de medalhas de feridas de "guerra", da sua guerra, da dos outros, da nossa.
Ler Inês Dunas é isto....

Um suave e imenso prazer!

Inês Dunas disse...

Ter-te como meu amigo e leitor é um imenso prazer, acompanhar o teu trabalho é um imenso orgulho, uma aprendizagem constante e uma alegria imensa! Gosto muito de ti! Mil beijocas em ti, meu querido!
Obrigada por estares sempre, mesmo qd não estás!