domingo, 10 de junho de 2012

(Cruz)adas...

Pinto o rosto de guerra,
uma vez mais, acordo o soldado adormecido,
ferido por batalhas mas erguido nas falhas alheias!
O corpo chicoteado não dói,
habituado à suavidade da dor luta, luta após luta,
como uma prostituta feliz,
que pinta os lábios para receber os maus tratos
de quem a monta sem lhe conhecer o nome...
O amor também se chama vontade e o soldado
que no peito trago sabe amar na lamina da espada...
Faço uma vénia aos meus inimigos,
olho nos olhos de quem me vê pequenina e sorrio!
O sorriso sabe-me a sangue e a honra,
a armadura que me arma, dura o tempo suficiente...
Na consciência não encerro nenhuma guerra comprada ou começada,
mas tenho a paciência de terminar todas as batalhas
que me obrigaram a travar!
No fim olho ao redor, vejo a tristeza,
a surpresa, o desamor do adversário e tenho pena da alma pequena...
Quem subestima os outros não estima a vida e a morte
torna-se na sorte menos cruel...

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