sábado, 26 de maio de 2012

Purgatório

O corpo bateu asas e libertou-se da alma, a consciência era uma aresta pesada que o cortava devagar, libertando-o do casulo da culpa...
   Ela partira numa manhã quente, as faces rosadas eram agora papoilas albinas em jarros de águas fétidas... A vida evaporara-se dos seus pulmões em vapor de lágrimas sem dar lugar a mais nada... Ele nem a vira partir mas podia imaginar tudo e isso era a ferrugem tetanica que lhe corroía cada poro numa gangrena lenta...
Ainda podia ter momentos de felicidade, roubados ao amor que emprestava aos outros, mas nunca seria feliz, sorria a sombreado num amiúde ténue, nos raros dias em que a memória não lhe trazia o rosto que ele temia esquecer e ao mesmo tempo desejava ser capaz de apagar da mente torturada...
Amava-a e odiava-a ao mesmo tempo, desejava-lhe uma vida longa e feliz e logo a seguir imaginava-se a sabe-la morta de forma a fazer um luto único e enterrar, uma vez só, aquele amor doentio...
E de todas as vezes que lhe dedicava as ultimas lágrimas pedia a Deus que a salvasse porque não saberia viver sem Ela...

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