sábado, 26 de maio de 2012

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Purgatório

O corpo bateu asas e libertou-se da alma, a consciência era uma aresta pesada que o cortava devagar, libertando-o do casulo da culpa...
   Ela partira numa manhã quente, as faces rosadas eram agora papoilas albinas em jarros de águas fétidas... A vida evaporara-se dos seus pulmões em vapor de lágrimas sem dar lugar a mais nada... Ele nem a vira partir mas podia imaginar tudo e isso era a ferrugem tetanica que lhe corroía cada poro numa gangrena lenta...
Ainda podia ter momentos de felicidade, roubados ao amor que emprestava aos outros, mas nunca seria feliz, sorria a sombreado num amiúde ténue, nos raros dias em que a memória não lhe trazia o rosto que ele temia esquecer e ao mesmo tempo desejava ser capaz de apagar da mente torturada...
Amava-a e odiava-a ao mesmo tempo, desejava-lhe uma vida longa e feliz e logo a seguir imaginava-se a sabe-la morta de forma a fazer um luto único e enterrar, uma vez só, aquele amor doentio...
E de todas as vezes que lhe dedicava as ultimas lágrimas pedia a Deus que a salvasse porque não saberia viver sem Ela...

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Cavalo de guerra?



Como estou de molho, doente em casa, com a minha pequenicas resolvi ter coragem e ver o filme porque é dos tais, que eu sei ,nunca me deixam indiferente...
 Não me arrependo de ter visto e de ter chorado (como calculava que iria acontecer, daí ter adiado ver o filme até agora...) e soluçado e  desejado que o mundo fosse um lugar mais doce...
Realizado por Steven Spielberg, que eu admiro e me agita por dentro desde o E.T., "O Cavalo de guerra" fala-nos de amor, altruísmo e esperança! Conta-nos uma história que apaixona, comove e ensina, entre um cavalo e as várias pessoas que se apaixonam por ele, entre elas, nós mesmos! Joey limita-se a escutar e a sua empatia e coragem tocam-nos e transformam-nos ao longo do filme e fazem-nos torcer para que o esforço e a amizade vençam sempre, mesmo em duros tempos de guerra...

Por isso aconselho-o com um maço de lenços de papel!

P.S. A Inês acordou a meio, viu o Joey e sorriu, como sorri sempre que vê o Gaspar e a Gabriela,  (os nossos gatos) com aquele ar curioso e deliciado, com os olhinhos brilhantes da febre... :)))

domingo, 20 de maio de 2012

Do baú...

Crioestaminal, Criovida e outras que tais...

Hoje em dia os futuros pais para além de serem confrontados com um cem numero de opções/decisões válidas e conscientes relativamente aos seus bebés,  tais como testes de rastreio, por exemplo a amniocintese , que acho aliás essencial caso haja algum indicador (através do controlo ecografico, do resultado do rastreio bioquimico,de antecedentes familiares, a idade gestacional da mamã; etc.) que o justifique, eu fiz e não me arrependo.
 São também assediados por estas empresas (e digo assédio para não dizer ameaça) que apregoam poder salvar a vida dos nossos filhos daqui a uns anos através da crio-preservação das celulas do cordão umbilical e os tentam manipular a tomar uma decisão que dizem ser a diferença entre a vida ou a morte dos seus pequeninos.

Em primeiro lugar quem garante que daqui a 5 anos estas empresas ainda estejam em funcionamento?

Em segundo lugar se uma criança tiver uma pre-disposição genetica para a leucemia, por exemplo, de nada serve guardar as suas celulas porque não a poderão curar...

Em terceiro lugar eles não garantem que consigam conservar as celulas, porque não o podem garantir...

Eu doei as celulas do cordão umbilical da minha pequenicas ao banco público, o LUSOCORD, o que fez para mim o único sentido válido e consciente, a Inês tal como eu (que estou inscrita no CEDACE), é assim uma possivel dadora e digo possível porque mesmo no Banco Público nem todas as celulas são viáveis para Crio-preservação.

Eu até vou mais longe e digo no parto todos os bebés (pela recolha do cordão umbilical) deveríam automaticamente ser dadores do banco público, a menos que os pais assinassem um documento onde expressassem a vontade de não o fazer, ou  fazê-lo para um banco privado. Todos os dias nos Hospitais publicos nascem crianças cujos cordões umbilicais não são aproveitados e eventualmente poderiam salvar alguém... Deveria ser pratica comum tentar a crio-preservação de todas essas celulas que se perdem e vão para o lixo e só não ser feita se fosse expressa vontade dos pais não o fazer, ou pagar a um privado a tentativa da sua preservação.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

O meu fu(TU)ro!

O som do futuro é um monólogo cristalino,
entoado por um violino frágil e delicado
que tem nas cordas a sabedoria de um velho contador de histórias...
As vitórias são pautas em papel esbatido,
custam a ler, mas valem a pena!
Há uma pequena covardia que se agarra ao meu dia-a-dia,
em dias aleatórios...
Nos momentos em que as pautas me parecem obras dificéis
que me cobram tempo de que não disponho...
O sonho não precisa de tempo, porém!
Ninguém devia gastar dias a rir ao acaso,
porque o que é maravilhoso não se gasta, apenas se ganha!
E assim o futuro passa a ser um passo mais perto
um certo abraço de conforto que não me importo de esperar
até ao fim!

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Exausta...

O fracasso é um abraço tépido que me envolve e se move à minha volta,
agita as asas como um pavão com o cio e eu encolho-me e dou-me à exaustão...
Nunca me lamentei tempo de mais mas isso não faz qualquer diferença,
a cabeça-me tilinta-me como um saco de moedas falsas, entre dores e horrores de pensamentos...
Todos temos momentos assim, eu sei, não sou melhor que ninguém...
Será que no fim da vida descobrimos o propósito de tudo?
O mundo é um lar inóspito, deixa-nos entrar mas faz-nos dormir no chão...
O não é das primeiras palavras que aprendemos, traz-nos o sabor amargo das frustrações,
é a primeira farpa na nossa alegria...
E o amor, por muito que seja, não sobeja nessa altura...
Sinto-me cansada, dia após dia a força fica mais para trás...
Envelheço a olhos vistos, a força anímica tornou-se anémica
porque me esqueço de alimentar ou de gritar...
Parem!
Parem-ME...
Vou fechar os olhos e fazer de conta que morri e me esqueci de deixar de respirar...

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Don't Play boys...

Pois é a Playboy regressou, honestamente com um regresso em mau, a meu ver. (sem ter visto nada...), a Rita Pereira uma jovem promissora, cheia de talento e com um ar muito simpatico, devia educadamente ter (esquecido a parte apelativa, leia-se cachet) declinado este convite se não estava à vontade para o aceitar ou então a Playboy devia ter educadamente rejeitado as condições da actriz. Trata-se da Playboy e nesta revista a malta ou se despe ou não tem piada!! Quem a compra quer ver mais do que umas fotos que poderia encontrar na Happy ou Cosmopolitan, quer ver nudez e aqui não houve... Oh! Ritinha eu sou uma menina, como tu e digo-te foi uma má opção, a nudez também pode ser elegante claro, mas a Playboy é exuberante e atrevida, cada macaco no seu galho!
Esta produção revela insegurança, tua e da revista! Ou se tem coragem de tirar a roupa para a Playboy (e não tem mal nenhum ter ou não ter, são escolhas assumiveis e dignas de respeito) ou não se tem, é tão simples como isto!

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Ser mãe é pêra doce mas temos que ter dentes fortes Crónica 9 "Adios, adieu, auf wiedersehen, goodbye, e depois do Adeus!"

E a minha pequenicas que já tem 6 meses, 7,500kg, 64cm e um dentinho a romper tem uma mamã que pertence, novamente, à classe trabalhadora (findo o tempo da licença de maternidade + férias...) e não sofreu nada com isso, já eu não posso dizer o mesmo... Para mim foi medonho, uma semana antes de começar a trabalhar já andava a choramingar pelos cantos com um sentimento de culpa maior que eu, só sentia que estava a abandonar a minha bebé e que ela não ia entender o porquê desta separação... :'(((
 Um mês e meio antes do deadline para o regresso, ela começou a estar todos os dias pelo menos uma hora, com a avó, na minha presença mas sem eu interferir (muito), durante esse tempo era a avó que a passeava no carrinho, lhe mudava a fralda, lhe dava a sopinha e até a embalava para adormecer, queria que ambas se sentissem o mais confiantes possíveis uma com a outra, porque iria chegar o dia em que eu não estaria lá para lhe pegar ao colo caso houvesse birras e afins! O plano correu muito bem, a Inês habituou-se rapidamente a ver a avó como uma terna cuidadora! Mas, ainda assim o primeiro dia foi um terror para mim, na noite anterior nem dormi, ficava feita idiota a olhar para ela e a olhar para o telemóvel a ver passarem as ultimas horas que sentenciavam o fim da exclusividade da Inês quanto à sua mamã e sentia-me a pior mãe do mundo...
Sabia que tinha pensado em tudo ao pormenor para o bem estar físico da Inês, até a redução da amamentação já tinha sido posta em prática, gradualmente, desde os 5 meses, primeiro introduzi a sopa ao almoço e 15 dias depois a sopa ao jantar, de forma a conseguir manter a amamentação apenas 4 vezes ao dia, correu tudo bem e continuo a amamentar a Inês, sem problemas e sem me explodirem as maminhas no emprego!!
Mas a parte emotiva temia que não fosse tão fácil de gerir e para mim, não foi, nem é...
A vida é deliciosa porém nem sempre é fácil! 
E assim chegou a celebre segunda-feira, 9 de Abril, o dia D (de Drama) depois da fantástica noite em claro, às 6h da manhã toca o despertador e eu já estava a amamentar a minha vampirinha da maminha desde as 5h50m, depois mudei-lhe a fraldoca, deixei-a dormir até as 7:00h, hora em que acendi o candeeiro de tecto para ela ir acordando devagarinho, e preparei-a para sairmos as duas de casa as 7h15m... :'(((
Prometi a mim mesma não chorar à frente dela, não queria enerva-la e cumpri (estou uma mulherzinha... LOL)
A minha mãe, eufórica e ansiosa, esperava por nós à porta do prédio!
Como combinado foi ela que tirou a Inês do ovo e ficou logo com ela ao colo, nesse momento (apesar de ter sido eu a estipular que assim fosse) senti um murro no estômago, tinha tanta vontade de a estrafegar com miminhos... Mas ela quando está no meu colo não quer passar para outro e assim nem chorou sequer, ficou a olhar para mim com aqueles olhos lindos, enormes e expressivos e sorriu enquanto eu a enchi de beijocas no colo da minha mãe, depois fiz-lhe adeus e mandei beijinhos uma serie de vezes (isto repete-se todos os dias) e ela ria-se, entendeu aquilo como mais uma brincadeira da mamã!!
E eu entrei no carro e pronto... O MUNDO ACABOU!!!
Chorei desde a casa da minha mãe até quase ao trabalho, depois fui ouvindo a rádio COMERCIAL e a RFM na esperança que as rubricas da manhã me arrancassem uns sorrisos...
Era mau chegar lá a chorar e cruzar-me com os colegas dos outros departamentos todos e ter de responder à pergunta que se adivinhava: -Então estás a chorar? O que é que se passou? 
  E pronto eu iria desatar a imitar as cataratas do Niágara e nem conseguiria articular palavra... (Já as colegas do meu departamento sabiam que eu iria estar assim, estilo flor murcha e corcomida pela intempérie, porque quando falámos ao telefone, antes do dia temido, até lhes sugeri que levassem umas galochas!!! Nota: As minhas meninas são umas fofas e encheram-me de miminhos e abracinhos porque sabiam que eu ia estar mais deprimida que o Bambi quando perdeu a mãe...)
Minutos antes de chegar ao destino, recompus-me, depois foi aguentar umas looooongaaaas 6h até voltar para casa, alimentando-me sofregamente com telefonemas de hora a hora para a minha mãe, onde descobri, estupefacta que a Inês estava fofa e radiante (fiquei aliviada mas ao mesmo tempo, egoistamente, surpreendida, achava que ela ia sentir muito a minha falta, cheguei a pensar:
-Será que ela não gosta assim tanto de mim???)
Mas a Inês é um bebé e não tem ainda bem a noção do tempo, para ela 1m ou 1h podem ser iguais depende apenas de sentir ou não as suas necessidades suprimidas).
Porém, quando a fui buscar, senti-me completamente recompensada, pediu logo o meu colo, agarrava-se a mim e ria-se às gargalhadas e depois começou logo à procura da sua melhor amiga... A maminha!!! E eu pensei:
Ooooohhhh!!!... A minha pequenicas teve saudades minhas e ama-me!!!! :)))))))))))
 E eu sou a mamã dela e não há trabalho, ou tempo de separação que possam interferir neste amor e pelo menos enquanto a maminha continuar a bombar, eu serei a pessoa mais importante do mundo para ela e o meu colo o seu maior conforto!!
 (Acho que a vou amamentar até aos 59 anos, pelo menos...)

  
Cronica 1 "Maminha minha melhor amiguinha!"
http://librisscriptaest.blogspot.com/2011/12/ser-mae-e-pera-doce-mas-temos-que-ter.html

Cronica 2 "Cócós uma paleta de cores!"
http://librisscriptaest.blogspot.com/2011/12/ser-mae-e-pera-doce-mas-temos-que-ter_13.html

Cronica 3 "Quando até o Exorcista tem graça..."
http://www.librisscriptaest.blogspot.com/2012/01/ser-mae-e-pera-doce-mas-temos-que-ter.html

Cronica 4 "A Bela Adormecida ou o Hobbit!"
http://librisscriptaest.blogspot.com/2012/01/ser-mae-e-pera-doce-mas-temos-que-ter_18.html

Cronica 5 "São dois cafés e um autocarro por favor!"
http://librisscriptaest.blogspot.com/2012/02/ser-mae-e-pera-doce-mas-temos-que-ter.html

Cronica 6 "Parto à la Carte!"
http://www.librisscriptaest.blogspot.com/2012/02/ser-mae-e-pera-doce-mas-temos-que-ter_17.html

Cronica 7 “Festival da Canção 2012”
http://librisscriptaest.blogspot.pt/2012/03/ser-mae-e-pera-doce-mas-temos-que-ter.html


Cronica 8  "Os avós no pais das maravilhas!"
http://librisscriptaest.blogspot.pt/2012_04_01_archive.html