sábado, 31 de março de 2012

Gotas sólidas de gaz...


O rosto segredou dores secas, lágrimas enviusadas habituadas a dias trémulos onde as cigarras fizeram um voto triste de silêncio… A água lavou-me a voz, ensaboou-a com palavras doces como se fosses uma surpresa de Primavera… Houvera um sonho escondido nas almas doridas e esperançadas dos amores desalinhados, quando os sentimentos se vestiam com fatos coloridos e tinham bolas em vez de narizes, tudo tinha graça nessa altura, até mesmo o que não tinha graça nenhuma… Os segredos emigraram para terras quentes, felizes, de mochilas às costas partindo à aventura, numa altura em que a segurança era tudo… E tu? Tu eras um papagaio de papel, preso a uma fita de sorrisos, a gritares alto lá de cima, a acenares-me lonjuras, a veres-me pequena e térrea, nesta vontade férrea de não querer esperar terras de nunca que são sempre iguais…

domingo, 25 de março de 2012

O passo seguinte...

A incerteza rasga-me o sorriso em gomos pequenos,
os gestos são menos que gritos e os dias comem-se
automaticamente em ritos de guerra...
Sempre vi o lado de cá do espelho,
as cores garridas, as gargalhadas doridas
dos dias felizes e desejados...
Há um conselho implicito em cada lagrima...
Uma moral que ensina que tudo o que cai quebra e dói...
(Mesmo quando me dizes que sou inquebrável...)
O tempo não se lembra de como custa esperar,
ou desejar o inadiável...
Às vezes faltam-me as forças para carregar os ponteiros às costas,
confesso...
Não peço tudo, só um pouco de cada vez,
mas já não me restam dias inteiros para coleccionar...
Dá-me apenas o dia de hoje, o meu agora, a hora presente,
o já!
Não há mais nada que me sobeje, ou falte...
A agonia virá depois,
talvez nem esteja cá para a receber...
Quem sabe?
O futuro aDeus pertence...

terça-feira, 20 de março de 2012

domingo, 18 de março de 2012

Gosto tanto deste rapazinho! :)))

Tobias aprende uma lição! (O meu segundo conto infantil!!)

Era uma vez, um macaquinho chamado Tobias que brincava com o seu amigo o elefante Igor, todos os dias! Eram os dois muito diferentes mas andavam sempre muito contentes a jogar à bola na selva ou a jogar às escondidas na relva, se bem que o elefante, como era muito grande era sempre descoberto mais depressa!

Certo dia, aparece para brincar uma pequena arara chamada Lara muito bonita e divertida que tinha uma casinha numa árvore e pergunta aos dois amigos:
-Não querem subir e vir brincar comigo?

O Tobias disse logo:
-Sim eu quero, vou já ter contigo e subo num instante!

O pequeno elefante olhou para a Lara e respondeu:
-Eu acho que não consigo… Sou muito grande e pesado… Não podemos brincar os três cá em baixo, no chão, pelo menos por um bocado?

A Lara olhou os novos amigos e disse:
-Por mim está combinado, brincamos aí em baixo então, podemos saltar à corda!

Mas o Tobias que estava curioso de ver a casa na arvore e desejoso de experimentar uma brincadeira nova, não achou boa ideia desistir só porque o amigo Igor não conseguia subir… E disse:
-Eu não quero brincar com o Igor, ele é grande e estranho e não tem tamanho para brincar connosco…

O Igor ficou muito triste, olhou para o Tobias e respondeu:
-Mas tu és meu amigo Tobias, brincas comigo todos os dias…

O Tobias ouviu mas não quis saber e subiu para a casa da arvore todo decidido.

A Lara ao ver a tristeza do elefante disse:
-Tu podes ser grande Igor, mas eu quero brincar contigo na mesma!

Mas o Igor ao ver o Tobias lá em cima, na casa da arvore, sozinho e aborrecido disse à sua amiga arara:
-Não Lara, vai brincar com o Tobias, brincas comigo nos outros dias, ele está sozinho lá em cima e eu não quero que ele não tenha amigos para brincar… Eu vou para casa jantar…

O Tobias que já estava em cima à espreita ouviu o que o Igor disse à Lara e a cara triste que o Igor fez… Pensou e percebeu que estava a agir mal, afinal não é assim que se tratam os amigos…
-Espera Igor! Vamos construir uma casa da arvore aí em baixo, no chão, assim podemos brincar os três! Vês já arranjei uma solução!
Disse o Tobias, todo contente!

O Igor quando ouviu a ideia do amigo ficou radiante e a Lara também concordou!
-Isso meu amigo elefante, fazemos a casa aqui mesmo, na relva, que divertido vai ser brincarmos os três na selva!

E o Igor respondeu:
-Hoje aprendi que não importa se sou um bocadinho estranho, nem importa o meu tamanho, desde que tenha amigos que gostem de mim como sou!

-Tu não és estranho Igor, desculpa aquilo que te disse, tinhas razão somos amigos e tens um grande coração!
Disse o Tobias um bocadinho envergonhado…

-Isso já passou, aprendeste a lição Tobias!
Disse a lara toda animada

-Tens razão Tobias não importa o meu tamanho, mas sim o coração que tenho!

E os três amigos foram saltar à corda entre risos e gargalhadas muito contentes por serem amigos, ainda que diferentes!

Migas, o ratinho que queria voar... (O meu primeiro conto infantil!!)

Era uma vez , um ratinho chamado Migas que era espertalhão e cantava cantigas!
Vivia num rés-do-chão com os seus pais e queria voar como os pardais…

Certo dia, enquanto tomava o pequeno almoço , o ratinho curioso perguntou à sua mamã:
-Porque não posso eu voar como o pardal Baltasar que passa a vida a cantar nos beirais? Ou pelo menos saltar alto como a rã, diz-me mamã, porque tenho de ser rato??! Cá em baixo, no rés-do-chão ninguem me ouve quando canto uma canção…

A mãe olhou o seu ratinho pequenino com carinho, fez-lhe uma festa na testa e respondeu:
-Meu querido Migas se tu voasses alto eu não podia ouvir as tuas cantigas… E eu gosto tanto de te ouvir, faz-me sorrir!

O Migas não ficou muito convencido, olhava pela janela e invejava o pardal que cantarolava todo contente em cima de um beiral, de repente, começou a chover e o pobre pardalito molhou uma asa e caiu no chão sem conseguir voar e ficou logo constipado…
-Atchim! Atchim! Pobre de mim…
Fazia o pardal Baltasar muito desconsolado…

O Migas ficou preocupado com o seu amigo Baltasar e perguntou à mãe se o podia deixar entrar em casa para se poder abrigar, enquanto lhe secava a asa.
-Claro Migas, vou-lhe já abrir a porta!
Disse a mãe.

O Pardal Baltasar ficou muito agradecido pelo gesto do amigo, sentou-se no sofá enrolado num cobertor e a mãe do Migas fez-lhe um chá!
-Tens muita sorte Migas de seres rato, sabias?
Dizia-lhe o Baltasar.

-Eu tenho sorte de ser rato? Porquê? Aqui em baixo, no rés-do chão, ninguém me vê, ninguém me escuta quando canto uma canção…
Respondeu o Migas um bocadinho zangado.

-Não, Migas estás enganado! Eu ouço as tuas cantigas! Todos os dias te ouço cantar quando pouso para descansar, cantas muito bem e fazes muito feliz a tua mãe e quem te ouve lá de cima!
Eu, desde que comecei a voar, tive de deixar o ninho e vejo muito pouco a minha mãe…
E quando começa a chover tu sabes fazer um buraquinho para te abrigares, eu não sei…

O ratinho Migas sentiu-se todo vaidoso e olhou a mãe com amor, enquanto o Baltasar se aninhava no cobertor para ficar quentinho e sentiu-se orgulhoso, afinal, já nem invejava a asa do seu amigo pardal!
Estava feliz por ser um ratinho e sentiu-se especial!

quinta-feira, 15 de março de 2012

Santa Apolónia ou Campanhã...

Os dias são comboios de carruagens cheias...
Circulam a todo o vapor deixando carvão
ao longo do chão que me calca, devagar...
Porque não posso deixar-me ficar para trás?
Ficar a ver a linha a partir sozinha
engatada nos carris?
Já me curei tantas vezes... Tantas...
Quantas cicatrizes me cabem no corpo?
Deus diz que sabe o que faz...
(É bem capaz de saber,
espero que saiba e se encha de raiva de me ver desistir...)
Cansei-me de sorrir...
O meu sorriso perdeu a viagem,
saiu da carruagem na estação anterior,
encheu-se de amor e partiu...
Hoje não tenho forças,
vou dormir a vontade num banco qualquer...
Talvez me possas despertar mais tarde,
quando a noite me trouxer e quiser descansar...
Não me apetece lutar mais,
o desgosto arde nos meus olhos...
Já não tenho idade para angustias,
são seculos que me acompanham nesta aprendizagem ingrata
que não se farta de se agarrar a mim...
Já me curei tantas vezes...Tantas...
Quantas vidas terei de aguentar ainda?
Não me consigo libertar do castigo de querer?
Mais uma viagem...
Mais um comboio...
Mais uma partida...

quinta-feira, 8 de março de 2012

Ser mãe é pera doce mas temos que ter dentes fortes... "Cronica 7 - Festival da canção 2012!"

Ser mãe é uma descoberta constante e maravilhosa!!! É também fazer figuras, como direi... "Excêntricas"... Sem nos preocuparmos com a plateia à nossa volta, porque só um espectador nos interessa nesse momento: A/O nossa/o bebé! :)))
Se não vejamos:
-Pulamos para eles só com a desejada recompensa de os vermos sorrir! (Muitas vezes no meio da rua e depois é que nos lembramos...)
-Dançamos sempre que ouvimos musica, freneticamente, à frente deles e ficamos delirantes se eles se riem e também agitam os braços!
-Fazemos teatrinhos com os bonecos e damos nomes aos bonecos, (essa é a parte que eu me divirto mais, baptizar os bonecos todos: temos a girafa Gisela, o Elefante Fante a cabra Clarinha, o macaco Migas a Galinha Guida...) fazemos as vozes das personagens todas, inventamos histórias!
-Fazemos cu-cu com os bonecos e também nós próprios (ora nos escondemos atrás da porta e aparecemos, ora atrás da fralda, ora atrás da roupinha que lhes vamos vestir...
E a parte mais IMPORTANTE, típica e recorrente...
Tchan, tchan, tchan tchan!!!
-Cantamos para eles!!!

Sim cantamos mesmo, a plenos pulmões e a toda a hora!! Para eles dormirem, para eles comerem (isso a Inês nem dá tempo porque quando vê a maminha não há cá tempo para cantorias e agora que já come sopinha ao jantar mal vê a colher quer é andamento! (Venham mas é as colheres que não há tempo para muita coisa, nem canções nem aviões, nem comboios, nem nada... LOL) e sobretudo para eles não chorarem!!! Uma canção resolve, normalmente, 70% dos choros, sobretudo se o fizermos num tom médio-alto, com cara de parvos e a sorrir ao mesmo tempo, quanto mais ridícula e repetitiva melhor!! Damos portanto connosco a cantar em todo o lado, a lembrar-nos de canções que já não ouvíamos desde pequeninos (como o "Á-Á-Á Minha Machadinha" ou "Eu vi um Sapo")
E o mais SURPREENDENTE... A inventar canções para tudo...
-Canções para vestir (no meu caso é o "1-2-3 vamos vestir a Inês, 1-2-3 um braço de cada vez!")
-Canções para o banhinho ("Vamos dar banhoca à minha pipoca! Chapinhar sabe tão bem, vamos molhar a mãe!")
-Canções quando estão a ficar zangada/os ("Não! Não! Não! Não queremos zangação!!")
E sai-nos naturalmente e sem vergonhas estas melodias, meio desajeitadas e desafinadas que entoamos com amor para os nossos tesouros, sem nos preocuparmos com outros tímpanos feridos ou incomodados à nossa volta! Porque aqueles olhos grandes, olham-nos com tanto entusiasmo e sem a mínima crítica e a nossa voz (pelo menos por enquanto...) da-lhes segurança e fá-los felizes e neste momento, sempre que nos ouvem e nos olham, temos a certeza que somos a coisa mais importante e interessante das suas vidas e isso: É a melhor sensação do mundo e recompensa tudo!
:)))))

Cronica 1 "Maminha minha melhor amiguinha!"
http://librisscriptaest.blogspot.com/2011/12/ser-mae-e-pera-doce-mas-temos-que-ter.html

Cronica 2 "Cócós uma paleta de cores!"
http://librisscriptaest.blogspot.com/2011/12/ser-mae-e-pera-doce-mas-temos-que-ter_13.html

Cronica 3 "Quando até o Exorcista tem graça..."
http://www.librisscriptaest.blogspot.com/2012/01/ser-mae-e-pera-doce-mas-temos-que-ter.html

Cronica 4 "A Bela Adormecida ou o Hobbit!"
http://librisscriptaest.blogspot.com/2012/01/ser-mae-e-pera-doce-mas-temos-que-ter_18.html

Cronica 5 "São dois cafés e um autocarro por favor!"
http://librisscriptaest.blogspot.com/2012/02/ser-mae-e-pera-doce-mas-temos-que-ter.html

Cronica 6 "Parto à la Carte!"
http://www.librisscriptaest.blogspot.com/2012/02/ser-mae-e-pera-doce-mas-temos-que-ter_17.html