sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Ser mãe é pera doce mas temos que ter dentes fortes... "Cronica 6 - Parto à la carte!"

Agora que já passaram 4 meses desde que eu e a minha pequenicas caímos nos braços uma da outra, apetece-me fazer uma retrospectiva aos momentos que antecederam esse encontro!
Ás 26 semanas de gestação a menina Inês resolveu que queria vir cá para fora e o resultado foi acabar internada no hospital, 15 dias, para a manter aqui sossegadinha! Como não há fome que não dê fartura o repouso forçado e absoluto (primeiro no hospital e depois em casa) deu frutos e foi tão eficaz que a minha popotinha só saiu cá de dentro às 41 semanas e teve que ser parto provocado, porque depois de toda a gente passar a vida a sussurrar-lhe: Porta-te bem Inês, não saias daí! Ela levou estes conselhos o mais longe que lhe foi permitido!!
Este tempo todo de espera gerou, obviamente, muita ansiedade primeiro porque contava cada dia que ela ficava cá dentro como uma vitória e desejava que ela se mantivesse aqui pelo menos até às 36 semanas, depois porque às 36 semanas fui retirada da clausura e pude começar a passear para ver se ela se entusiasmava a sair e a Inês resolveu que estar na piscina é que era bom!! No meio disto tudo existiam todas as pessoas à minha volta numa grande expectativa também, amigos, os avós da Inês, tios da Inês e restantes familiares...
Quando nós já estamos muito ansiosas para ver o rosto do nosso amor pela primeira vez, a ansiedade dos outros não nos ajuda nada e mesmo sem se aperceberem às vezes tornam os nossos dias muito complicados! Pelo menos comigo foi assim... Durante a gravidez tive de lidar com enjoos, varizes, MONTANHAS DE AZIA, fome durante a noite (parecia um gremlin...), fome durante o dia, tensão mamária, mudanças bruscas de humor, emocionar-me com todo o tipo de filmes piegas, achar-me gorda e ao mesmo tempo achar que as barrigas das outras gravidas notavam-se sempre mais (e empinar-me para a frente o mais possível para ganhar o meu respeito... lololl) e até aqui estou a falar daquilo que é comum e normal... Depois foi a clausura forçada e ter de estar sempre deitada (e eu estive gravida o Verão todo, com um tempo bestial lá fora, estava tão farta de estar fechada que para mim ir às consultas no Hospital era a coisa mais fantástica, até circular na auto-estrada fazia sentir-me feliz, apesar de nem poder conduzir sequer e ter de estar sempre dependente do meu pai ou do pai da Inês!!)Neste período a ansiedade tomou proporções muito grandes, como seria de prever, porque deixou de ser só a expectativa do nosso primeiro encontro, olhos nos olhos, para passar a ser também a possibilidade desse encontro acontecer cedo de mais e trazer implicações no bem-estar da minha bebé...
Depois porque me questionava constantemente:
Será que vou ser uma boa mãe?
Será que vou sentir o amor incondicional assim que a vir pela primeira vez?
Será que estou preparada?
Será que ela está bem, será que ela é saudável?
Já não a sinto mexer há uma hora, estará bem?
Ela não pára de mexer há 30 minutos, estará em stress, terá o cordão enrolado à volta do pescoço??

(Sim, é verdade passa-nos todo o tipo de pensamentos perturbadores, porque não os vemos, não sabemos, temos medo...)
E porque digo eu que a ansiedade dos outros não nos ajuda nada, porque é a pura verdade e claro que não o fazem por mal, que gostam de nós e só nos querem bem, mas só nos dizem disparates...
Conhecem sempre, SEMPRE, uma historia macabra e fatalista, qualquer, de uma amiga, ou da amiga de uma amiga, que estava gravida e aconteceu uma desgraça qualquer ao bebé e resolvem sempre, SEMPRE, partilhar connosco e depois, ante a nossa cara de pânico dizem sempre, SEMPRE: "Não te preocupes que isto não te vai acontecer, desculpa nem devia ter-te contado isto..."
(E pois, não deviam, mas agora já está e a cabeça de uma gravida anda sempre às voltas...)
Depois atiram datas para o ar de previsão da data do parto, estranhamente querem sempre que calhe no mesmo dia dos seus anos, mesmo que seja dois meses antes, ou dois meses depois da data prevista e afirmam que têm a certeza que vai ser nesse dia, o que confesso irrita um bocadinho!...
Finalmente aproxima-se a altura e tudo piora... Começa a saga do telefone a toda a hora com a enervante palavra:
-Então?
Nós atendemos o telefone e vem logo esta palavra: Então?!
Então, ainda não nasceu?
E a seguir vem:
Tens de andar muito a pé!
Sim, porque nós somos umas incompetentes, lololol, está na altura e não os conseguimos meter cá fora, a culpa é toda da gravida que não vai até Fátima a pé para ajudar a criança a nascer...
O meu parto teve de ser provocado por isso o "assedio" destes telefonemas durou 5 semanas, eu já me sentia tão pressionada que para além de caminhar todos os dias que nem uma tresloucada, sempre que tinha uma contracção ficava felicíssima e as contracções não são, propriamente, bombons...
Resultado na noite que fui internada para me ser provocado o parto no dia seguinte, fartei-me de chorar porque sentia que tinha falhado com a Inês e a culpa era minha do trabalho de parto não ter começado espontaneamente...
Afinal provocar o parto não custou nada e só esperei 2 horas para conhecer a Inês que lá veio toda contente e saudável com 50cm e 3580kg!
:)))

Cronica 1 "Maminha, minha melhor amiguinha!"
http://librisscriptaest.blogspot.com/2011/12/ser-mae-e-pera-doce-mas-temos-que-ter.html

Cronica 2 "Cócós uma paleta de cores!"
http://librisscriptaest.blogspot.com/2011/12/ser-mae-e-pera-doce-mas-temos-que-ter_13.html

Cronica 3 "Quando até o Exorcista tem graça..."
http://www.librisscriptaest.blogspot.com/2012/01/ser-mae-e-pera-doce-mas-temos-que-ter.html

Cronica 4 "A Bela Adormecida ou o Hobbit!"
http://librisscriptaest.blogspot.com/2012/01/ser-mae-e-pera-doce-mas-temos-que-ter_18.html

Cronica 5 "São dois cafés e um autocarro por favor!"
http://librisscriptaest.blogspot.com/2012/02/ser-mae-e-pera-doce-mas-temos-que-ter.html

9 comentários:

Inês Dunas disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Inês Dunas disse...

Aproveito esta cronica para AGRADECER à fantástica equipa que compõe o Serviço de obstetrícia do hospital Garcia de Orta em Almada, fui muito bem tratada durante o internamento prévio, sempre amorosos e atentos, verdadeiros cuidadores que muito tranquilizam as futuras e ansiosas mamãs! E depois na altura do parto foram espectaculares comigo e com a Inês, extremamente carinhosos e ensinaram-me muito e sempre com paciência e vontade! OBRIGADA, MUITO OBRIGADA! :)))))

RZorpa disse...

Em frente mamã, hibá hibá.... Vruuuuumm.... :)))
Beijos às meninas!!!

P.S: Com tanta vontade de dar beijos, nem te disse que a crónica está, como sempre, absolutamente divinal!!!

Inês Dunas disse...

Obrigada Rui pela tua constante atenção e simpatia!! Beijinho grande das duas para ti! :)))

mensagem disse...

Inês fiquei encantada ao ler esta crónica, revi-me em muitas das coisas de que aqui falas, é impressionante a forma como descreves estes momentos de ansiedade, e ao mesmo tempo da maior felicidade que uma mulher pode ter.. Adorei simplesmente amiga!! MUITOS MAS MESMO MUITOS PARABÉNS, pelas crónicas aqui descritas.. Bem hajas por existires.. Adoro-te minha amiga e confesso ... Emocionei-me.. Também quem me manda ser uma chorona :))) Beijos!

Inês Dunas disse...

Oh! Minha muito querida Fernanda ainda bem que gostou e que se identificou um bocadinho! Ser mãe é de facto, MARAVILHOSO, ser avó tb deve ser magico! Um grande beijinho para si mamã e avó maravilhosa e obrigada pelo seu carinho!!! :)))))))

leonor nunes disse...

minha querida Inês, adorei a tua crónica ,como adoro tudo que escreves, e fizeste-me recuar una anos e lembrar-me da angústia que é ter a familia sempre a dar palpites, e nós cada vez mais ansiosas , e presentemente há uma data de tecnologia há 40 anos atrás ,podes imaginar......, mas é engraçado que a minha nasceu exactamente com o mesmo peso e altura,que a tua pequenoca. beijos ás duas meu amor!

Inês Dunas disse...

Minha muito querida Leonor muito obrigada pela sua visita!! Muito me comove que se tenha recordado e se tenha revisto na minha partilha, de facto nem sempre é fácil para nós lidarmos com a pressão das pessoas à nossa volta, apesar de quase sempre apenas desejarem o melhor para nós e para os nossos bebés!!
Um grande beijinho em si!! :))))

Anónimo disse...

"(e empinar-me para a frente o mais possível para ganhar o meu respeito.." ahahahahahah

Sem comentarios lolol

dany