quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Hipertimésia...

Não.
Não esqueço.
Nem quando adormeço o palpitar da minha dor,
ou quando pego ao colo o amor mais forte
que me serve de suporte e de farol...
O sol já se pôs, lá ao fundo,
num sono profundo que é mais um coma...
E agora a realidade toma-me o tempo todo...
E quem disse que a realidade é cinzenta?
As recordações fechadas à chave, espreitam às janelas,
por entre as cortinas floridas...
As feridas têm tatuagens de borboletas a tapar as desilusões,
e as lágrimas lavaram o rosto do desgosto em águas cristalinas...
Há mais vidas além da Vida e as sinas não são condenações...
Não.
Não esqueço.
Nem quero ou espero esquecer!
Faz(es) parte de mim e os Adeus são aves de penas tristes,
mas belas ainda assim...
As chaves do meu peito pertencem a quem Deus sabe
e existes dentro de mim, sempre, num compartimento secreto
mas aberto a quem o queira visitar...
Apenas sei que vou Amar(-Te) sempre!
(08/2002-12/2002)

1 comentário:

Lima Reis disse...

É lindíssimo o teu poema Inês!
Lembra-me a situação de quem saiu de um coma e, acorda de novo para uma realidade por vezes crua, por vezes terna.
Parabéns...