quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

I need something to rely on...

Somewhere only we know...

Há tanto por dizer e tanto mais por calar...
As palavras migraram para sul,
em busca de respirações mais quentes...
Voaram com os sonhos e os desejos
e levaram os nossos beijos na bagagem de mão...
Sentes?
A falta que te faz a falta de faltares a alguém?
Quando as promessas eram um céu azul palpável
e tu parecias de carne e osso?
Não...
Não posso mudar o mundo...
Não posso, nem quero ou espero que mude...
Não me peças mais nada porque nunca soubeste pedir...
Amei-te num pretérito que afinal era imperfeito demais...
Num lugar só nosso que nunca chegaste a conhecer,
nem quiseste ser aquilo que eras...
Perdoei-te todas as lágrimas e agradeci-te!
Amar-te fez-me uma pessoa melhor,
apesar dos pesares todos, compreendi-te sempre...
E esse lugar é como um postal de ferias que guardo numa gaveta,
tem os cantos ligeiramente dobrados,
a cor esta desbotada pelo tempo,
mas ainda se vê a paisagem!
Houve um momento em que fizemos essa viagem juntos
e ainda que eu prometa a mim própria não voltar a olhar para trás,
porque não repito destinos,
aquilo que está em verso, escrito no verso,
ainda me faz sorrir!

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Relógio (Bio)Lógico...

Viajei pelo sorriso do tempo,
beijei-lhe as faces, devagar,
segurei-lhe o rosto e o desgosto partiu,
sem se despedir...
O meu peito é um rio de aguas tranquilas,
desvia-se calmamente das pedras,
acaricia as margens do caminho,
corre sozinho muitas vezes,
mas regressa sempre ao (a)Mar...
O tempo cura tudo, dizem,
mas nós é que curamos o tempo,
no tempo que nos resta...
Ele não é mais do que um mendigo triste
que existe dentro de nós
e nos cala a voz muitas vezes...
Anseia por companhia e por quem lhe conte uma história...
O tempo sem os nossos passos
é um quadro abstracto de um pintor sem traço,
sem glória ou talento...
Uma palavra sem tradução numa ortografia desortografada...
Uma esperança sem alento,
um vento sem mudança...
Não anda para trás, não se recupera,
não se ganha, não se controla,
torna-se nada, perde-se na espera...
Porque nesta oração que chamamos Vida,
o tempo apenas presta, se o tempo que nos resta,
for vivido e insistido em momentos felizes
e o chamarmos pelo nosso nome, todos os dias!

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Ser mãe é pera doce mas temos que ter dentes fortes... "Cronica 6 - Parto à la carte!"

Agora que já passaram 4 meses desde que eu e a minha pequenicas caímos nos braços uma da outra, apetece-me fazer uma retrospectiva aos momentos que antecederam esse encontro!
Ás 26 semanas de gestação a menina Inês resolveu que queria vir cá para fora e o resultado foi acabar internada no hospital, 15 dias, para a manter aqui sossegadinha! Como não há fome que não dê fartura o repouso forçado e absoluto (primeiro no hospital e depois em casa) deu frutos e foi tão eficaz que a minha popotinha só saiu cá de dentro às 41 semanas e teve que ser parto provocado, porque depois de toda a gente passar a vida a sussurrar-lhe: Porta-te bem Inês, não saias daí! Ela levou estes conselhos o mais longe que lhe foi permitido!!
Este tempo todo de espera gerou, obviamente, muita ansiedade primeiro porque contava cada dia que ela ficava cá dentro como uma vitória e desejava que ela se mantivesse aqui pelo menos até às 36 semanas, depois porque às 36 semanas fui retirada da clausura e pude começar a passear para ver se ela se entusiasmava a sair e a Inês resolveu que estar na piscina é que era bom!! No meio disto tudo existiam todas as pessoas à minha volta numa grande expectativa também, amigos, os avós da Inês, tios da Inês e restantes familiares...
Quando nós já estamos muito ansiosas para ver o rosto do nosso amor pela primeira vez, a ansiedade dos outros não nos ajuda nada e mesmo sem se aperceberem às vezes tornam os nossos dias muito complicados! Pelo menos comigo foi assim... Durante a gravidez tive de lidar com enjoos, varizes, MONTANHAS DE AZIA, fome durante a noite (parecia um gremlin...), fome durante o dia, tensão mamária, mudanças bruscas de humor, emocionar-me com todo o tipo de filmes piegas, achar-me gorda e ao mesmo tempo achar que as barrigas das outras gravidas notavam-se sempre mais (e empinar-me para a frente o mais possível para ganhar o meu respeito... lololl) e até aqui estou a falar daquilo que é comum e normal... Depois foi a clausura forçada e ter de estar sempre deitada (e eu estive gravida o Verão todo, com um tempo bestial lá fora, estava tão farta de estar fechada que para mim ir às consultas no Hospital era a coisa mais fantástica, até circular na auto-estrada fazia sentir-me feliz, apesar de nem poder conduzir sequer e ter de estar sempre dependente do meu pai ou do pai da Inês!!)Neste período a ansiedade tomou proporções muito grandes, como seria de prever, porque deixou de ser só a expectativa do nosso primeiro encontro, olhos nos olhos, para passar a ser também a possibilidade desse encontro acontecer cedo de mais e trazer implicações no bem-estar da minha bebé...
Depois porque me questionava constantemente:
Será que vou ser uma boa mãe?
Será que vou sentir o amor incondicional assim que a vir pela primeira vez?
Será que estou preparada?
Será que ela está bem, será que ela é saudável?
Já não a sinto mexer há uma hora, estará bem?
Ela não pára de mexer há 30 minutos, estará em stress, terá o cordão enrolado à volta do pescoço??

(Sim, é verdade passa-nos todo o tipo de pensamentos perturbadores, porque não os vemos, não sabemos, temos medo...)
E porque digo eu que a ansiedade dos outros não nos ajuda nada, porque é a pura verdade e claro que não o fazem por mal, que gostam de nós e só nos querem bem, mas só nos dizem disparates...
Conhecem sempre, SEMPRE, uma historia macabra e fatalista, qualquer, de uma amiga, ou da amiga de uma amiga, que estava gravida e aconteceu uma desgraça qualquer ao bebé e resolvem sempre, SEMPRE, partilhar connosco e depois, ante a nossa cara de pânico dizem sempre, SEMPRE: "Não te preocupes que isto não te vai acontecer, desculpa nem devia ter-te contado isto..."
(E pois, não deviam, mas agora já está e a cabeça de uma gravida anda sempre às voltas...)
Depois atiram datas para o ar de previsão da data do parto, estranhamente querem sempre que calhe no mesmo dia dos seus anos, mesmo que seja dois meses antes, ou dois meses depois da data prevista e afirmam que têm a certeza que vai ser nesse dia, o que confesso irrita um bocadinho!...
Finalmente aproxima-se a altura e tudo piora... Começa a saga do telefone a toda a hora com a enervante palavra:
-Então?
Nós atendemos o telefone e vem logo esta palavra: Então?!
Então, ainda não nasceu?
E a seguir vem:
Tens de andar muito a pé!
Sim, porque nós somos umas incompetentes, lololol, está na altura e não os conseguimos meter cá fora, a culpa é toda da gravida que não vai até Fátima a pé para ajudar a criança a nascer...
O meu parto teve de ser provocado por isso o "assedio" destes telefonemas durou 5 semanas, eu já me sentia tão pressionada que para além de caminhar todos os dias que nem uma tresloucada, sempre que tinha uma contracção ficava felicíssima e as contracções não são, propriamente, bombons...
Resultado na noite que fui internada para me ser provocado o parto no dia seguinte, fartei-me de chorar porque sentia que tinha falhado com a Inês e a culpa era minha do trabalho de parto não ter começado espontaneamente...
Afinal provocar o parto não custou nada e só esperei 2 horas para conhecer a Inês que lá veio toda contente e saudável com 50cm e 3580kg!
:)))

Cronica 1 "Maminha, minha melhor amiguinha!"
http://librisscriptaest.blogspot.com/2011/12/ser-mae-e-pera-doce-mas-temos-que-ter.html

Cronica 2 "Cócós uma paleta de cores!"
http://librisscriptaest.blogspot.com/2011/12/ser-mae-e-pera-doce-mas-temos-que-ter_13.html

Cronica 3 "Quando até o Exorcista tem graça..."
http://www.librisscriptaest.blogspot.com/2012/01/ser-mae-e-pera-doce-mas-temos-que-ter.html

Cronica 4 "A Bela Adormecida ou o Hobbit!"
http://librisscriptaest.blogspot.com/2012/01/ser-mae-e-pera-doce-mas-temos-que-ter_18.html

Cronica 5 "São dois cafés e um autocarro por favor!"
http://librisscriptaest.blogspot.com/2012/02/ser-mae-e-pera-doce-mas-temos-que-ter.html

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Hipertimésia...

Não.
Não esqueço.
Nem quando adormeço o palpitar da minha dor,
ou quando pego ao colo o amor mais forte
que me serve de suporte e de farol...
O sol já se pôs, lá ao fundo,
num sono profundo que é mais um coma...
E agora a realidade toma-me o tempo todo...
E quem disse que a realidade é cinzenta?
As recordações fechadas à chave, espreitam às janelas,
por entre as cortinas floridas...
As feridas têm tatuagens de borboletas a tapar as desilusões,
e as lágrimas lavaram o rosto do desgosto em águas cristalinas...
Há mais vidas além da Vida e as sinas não são condenações...
Não.
Não esqueço.
Nem quero ou espero esquecer!
Faz(es) parte de mim e os Adeus são aves de penas tristes,
mas belas ainda assim...
As chaves do meu peito pertencem a quem Deus sabe
e existes dentro de mim, sempre, num compartimento secreto
mas aberto a quem o queira visitar...
Apenas sei que vou Amar(-Te) sempre!
(08/2002-12/2002)

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Formas Envoltas…

O céu é um anjo trémulo a escorrer por entre os dedos…
Entre nuvens e sonhos sou o ar espesso que aquece os pulmões da tristeza, uma melancolia etérea, eterna na sua beleza volátil de se dispersar…
E o tempo urge, surge no esbracejar dos nossos braços, entre obstáculos de medo e aços estranhos que nos cortam às fatias…
As mãos vazias já não nos constroem e os meus moinhos de vento moem as palavras que atiramos para trás das costas, soltas e gastas pela erosão das lágrimas…
Hoje somos formas envoltas no firmamento, abraçámos os anjos e os defeitos e criámos a perfeição imperfeita do amor!
A dor descolou-se das nossas costas e deu lugar às asas do nosso desejo…
O céu é o nosso limite intempestivo e interminável...
A esperança um fôlego a soprar no nosso tempo, que cabe nos lábios de cada beijo se nos permitirmos saborear o momento furtivo e suave da liberdade que nos invade!

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Respiração...

Desfaço-me nas limalhas das memórias que te trazem,
nessas farripas fragmentadas de imagens tuas,
nas conversas improvisadas de histórias nossas,
quando nunca houve uma história que nos contasse aos dois...
Sim.
Amei-te.
Talvez te ame ainda, talvez sempre...
Mas o talvez nunca confortou ninguém
e a vida tem luas demais para a vivermos se calhar...
Tu mereces ser feliz e eu sei que o sou muitas vezes,
a espera é uma morte devagar, nada mais...
Vivamos pois, entre os raios de sol
que aquecem e nos esquecem, às vezes, meses seguidos...
Os dois, um de cada vez, numa vida que afinal são duas!
Nunca houve um caminho para dois passos,
mas vários espaços no nosso caminho...
E depois?
Não chores porque as lágrimas não trazem respostas,
nem aliviam o que os lábios escolheram quando se encolheram
e deixaram de dizer o meu nome...
Tens saudades minhas?
Eu tenho saudades nossas...
Do meu peito e do teu num leito qualquer a construir frases...
Mas o tempo não sabe fazer marcha à ré
e ainda bem que não sabe, porque o passado nunca sabe a nada...
Olha-te ao espelho, estás mais velho...
Eu também...
Ainda bem que o tempo nos lambe as feridas doridas...
(Só se esquece o que o tempo envelhece...)
Em breve seremos um fôlego leve a menos...
Respira...

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

"Ser mãe é pera doce mas temos que ter dentes fortes!" Cronica 5 - "São dois cafés e um autocarro por favor!"

E assim, sem mais nem menos, numa tranquila manhã de Inverno, antes de uma viagem qualquer, eu descubro que PRECISO DE UM AUTOCARRO!!!!!!!!!!

Resolvi que (depois 7 meses de gravidez enclausurada em casa por indicação medica, dos quais 15 semanas foram passadas deitadinha, a conhecer o meu quarto e a minha sala ao detalhe, ora da perspectiva da cama, ora da perspectiva do sofá... E agora que a minha vampirinha do leite já tem quase 4 meses...)precisávamos as duas de passear e ar puro!
Escolhi o turismo rural para ser relaxante e salutar e para poder passear com a Inês só entre as 11h da manhã e as 16h30, horário em que o sol brilha mais, a fim de evitar o frio e a humidade, podendo a seguir recolher-me com ela para a sesta e jantarmos sem ter que sair novamente para a rua (o sistema imunitário da gordinha ainda é tenrinho para sair assim à noite no Inverno).
Andava toda entusiasmada com o aproximar do dia, a primeira viagem da nossa Inês, ao mesmo tempo um bocadinho apreensiva com receio que ela se constipasse ou stressasse durante o caminho por estar mais tempo no ovo do que os habituais 15/20 minutos dos nossos passeios diários...
Mas a verdadeira aventura começou antes, naquele fantástico momento em que começo a fazer as malas, sim se querem actividades radicais experimentem fazer malas quando se tem um bebé!!!
A Inês suja uma média de 3 babygrows por dia (quando corre tudo bem... já chegamos as 6 mudas...) quando está em casa, mais a roupa do passeio diário!
Nós fomos por 4, singelos, dias e eu tive de começar a fazer contas:
-3 babygrows vezes 4 dias e lá separei 12 babygrows que levam 12 bodys interiores por baixo... :O
-Depois 4 fatinhos para o passeio mais pelo menos 2 para o caso de haver algum acidente pelo caminho num dos dias, logo 6 fatinhos diferentes (como estava frio eu optei por não levar vestidinhos mas antes calcinhas forradas e polares, ora temos portanto 6 bodys extra, 6 camisolinhas de gola alta, 6 pares de collants, 6 pares de meias porque ela tem sempre os pezinhos frios, 6 pares de calças, 6 camisolas polares)... :O
-2 gorros, porque perdem imenso calor pela cabeça e temos de tapar os ouvidinhos...
-1 toalha para o banho
-A ROUPA DA CAMA...... Sim, porque eu perguntei se tinham roupa de cama para ela (o berço tinham) e o senhor responde: "Sim temos, mas se quiser que ela fique mais aconchegadinha pode trazer a sua..."
Perante esta resposta depreendi que existiria a hipótese da Inês não ficar muito aconchegadinha com a roupa do hotel... Resolvi não arriscar... E lá foi também um edredon duplo de Inverno, a protecção acolchoada para as grades da cama (que afinal era uma cama de viagem e não era preciso...)lençóis, capa de edredon, o bonequinho do ó-ó (que não pode nunca faltar), fraldinha para a cabeceira porque às vezes ela bolsa depois de mamar durante a noite (só fraldas de pano foram 8, para esta situação e outras...)
-12 Babetes
-4 bonecos para a distrair (mais o do ó-ó)
-1 saco de fraldas
-1 saco de resguardos
-2 pacotes de compressas em não tecido para as mudas, olhos, etc...
-1 pacote grande de toalhitas
-artigos de higiene diversos (esponja, gel banho, creme corpo, creme rosto, creme muda, tesoura pontas redondas, lima unhas, soro fisiologico, cotonetes, etc...)
-Medicamentos e afins (Colimil, Infacalm, supositórios paracetamol 125, Vigantol, termómetro, biberon de medicação)
-1 espreguiçadeira (acreditem deu muito jeito para comermos descansados, ela o carrinho só tolera na rua...)
-1 carrinho (que já ocupa uma boa parte do porta-bagagens...)
-1 mala de passeio
-1 manta de passeio
-8 chuchas
Depois enfiar isto tudo no carro que é um A2 e só tem 4 lugares!!!
Resultado:
Eu e o pai da Inês levámos uma malinha minúscula, daquelas de fim de semana só para uma pessoa, prestes quase a explodir porque a nossa roupa estava toda condensada e apertada lá dentro...
Tudo o resto, a bagageira, o lugar que sobrava à frente (em cima do banco e no chão) e no chão por baixo do ovo dela, era propriedade da pequenita!!!
Confesso que ate tive vergonha quando chegamos ao Hotel, porque parecia que nos íamos mudar para lá de vez, quando começamos a descarregar o carro!!!
Com a loucura toda de não me esquecer de nada da Inês acabei por me esquecer da minha bomba da asma e tive de a comprar lá...
O passeio no entanto correu muito bem, a Inês adorou, ainda nos fez duas valentes partidas uma num café que acabou comigo e o pai trancados na casa de banho das senhoras a muda-la toda enquanto ela resolveu gritar desalmadamente e eu a passar as calças e as collants delas por agua no lavatório, outra quando fomos almoçar à Figueira da Foz no regresso a casa e ela resolve fazer algo parecido e acabou a viagem de babygrow) agora só no Verão é que voltamos a metermo-nos noutra aventura destas, porque tanto relaxamento até faz mal (quando cheguei a casa, só a tonelada de roupa que tinha para lavar e passar a ferro dela, até me deixou zen por uns 5 meses)!!! ;)

Cronicas anteriores:

Cronica 1 "Maminha, minha melhor amiguinha!"
http://librisscriptaest.blogspot.com/2011/12/ser-mae-e-pera-doce-mas-temos-que-ter.html

Cronica 2 "Cócós uma paleta de cores!"
http://librisscriptaest.blogspot.com/2011/12/ser-mae-e-pera-doce-mas-temos-que-ter_13.html

Cronica 3 "Quando até o Exorcista tem graça..."
http://www.librisscriptaest.blogspot.com/2012/01/ser-mae-e-pera-doce-mas-temos-que-ter.html

Cronica 4 "A Bela Adormecida ou o Hobbit!"
http://librisscriptaest.blogspot.com/2012/01/ser-mae-e-pera-doce-mas-temos-que-ter_18.html