quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Salinas pluviais...

Como numa oração as lágrimas curvam-se,
ajoelham-se e agradecem a dor que as traz
e as faz de cristal liquido...
O perdão não as dissolve, nem as varre,
admira-as ao longe, subtil e doentio...
O frio envelheceu o amor,
num banco de um jardim sem flores,
onde as dores passeiam com os filhos aos domingos...
E as magoas são rebuçados que nos viciam,
numa tortura frágil de prazer aos bocados,
como palavras quebradas e mastigadas...
Os sonhos ambíguos acordam e anseiam a realidade,
num cansaço voraz de absentismo,
lavam-se em aguas sujas que não reflectem a vaidade de ninguém...
Ninguém faz falta a ninguém se formos nada,
um vazio desprovido de sentido que não se estica para tocar
ou alcançar o mundo ao lado...
Um estado gasoso lacrimejante, errante no sentir,
a desistir por dentro,
prisioneiros imutáveis de um tempo intemporal,
sequioso por definhar em rugas tristes,
porque a imortalidade é um castigo eterno...
E as lágrimas são fugas, sentimentos incontornáveis,
que rezam pelo desgosto do nosso rosto,
nos abençoam o corpo todo em agua benta e sal...
E nós mendigos dormindo em salinas pluviais,
pedindo aquele pouco mais que nos falta para sermos entrega,
porque a dor já não aguenta sofrer pelo amor que nunca chega...

1 comentário:

Anónimo disse...

Todo o seu poema, é um encanto...que vindo de ti é bem comum :)
mas ha duas frases que eu tenho mesmo que destacar:

"Ninguém faz falta a ninguém se formos nada"

&

"a dor já não aguenta sofrer pelo amor que nunca chega..."

Frases que tem todo o sentido...

Sempre belo, sempre forte, tua poesia :)

beijosssssssssssssssssssssssss

ass. Dany