domingo, 22 de janeiro de 2012

Relicário...

De olhar vago, de pensamento à solta, encerou o lago dos sentimentos... As memórias soltavam os cabelos enquanto os sonhos se punham em bicos de pés para espreitar o futuro das histórias todas... A vontade sorria-lhe à janela, corada pelo sol, desejosa de a abraçar e ela tentava sossegar os passos que lhe apressavam os pés e lhe puxavam as pernas para uma corrida decidida!
O dia de ontem tinha adormecido ao relento, tapado por magoas de retalhos, embalado por lágrimas cansadas de um dia duro de trabalho... Encontrara-a, como todos os outros dias, ultimamente, de joelhos presos ao chão numa espécie de prece, confrontando um Deus qualquer pelo adeus repetido das suas gargalhadas... Respondia-lhe uma mudez idiota que a fazia sentir-se vazia...
Hoje não perguntava mais nada, cansou-se de fazer da vida um banco de igreja, deixou-se a si mesma e reencontrou-se consigo própria! Levantou o queixo, olhou-se no espelho sorriu e sentiu que era maravilhosa, e assim, orgulhosa e renascida olhou sem receio nos olhos efémeros da vida! O peito era agora um relicário cheio de esperança que levava a criança que era sempre pela mão numa ilusão deliciosa!

1 comentário:

Rogério Paulo Peixoto disse...

Fenomenalmente inesquecível com passagens únicas, num trilho de esperança e amor próprio.

Um registo inesquecível, numa inspiração salutar.


Amei!