quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

A covardia das nuvens...

O sonho dissipou-se...
Como se dissipam as nuvens tímidas
que se acobardam ante o sol...
Cansou-se de abanar o teu corpo indolente,
ausente de uma vontade própria...
As promessas fizeram as malas
e partiram para alas secretas da memória,
deixaram para trás as mulheres e os filhos
e foram à procura de trabalho...
(A mesma história triste de sempre...)
O amor morreu amnésico no orvalho da tua derrota,
já não volta porque não sabe como se faz...
E a saudade?
Essa anda perdida de bêbada nos cafés,
absorta em fumo de tabaco
e vai p'ra cama com os sentimentos todos...
A felicidade é um caminho invernoso e tu correste-o de pés descalços,
o teu casaco ficou esquecido numa cadeira,
e a tua vontade ficou à lareira a ler contos de milagres Natal...
Hoje, nas manhãs acres, do teu dia a dia,
lamentas os beijos que se perderam entre a neve e a névoa...
Inventas desculpas para as tuas culpas,
choras em seco e ignoras as rugas que te franzem a testa...
E o tempo, que detesta chegar atrasado,
lambe-te de uma ponta à outra,
até secar o brilho do teu olhar amargurado...

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