quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

When we kiss... Fire!

Salinas pluviais...

Como numa oração as lágrimas curvam-se,
ajoelham-se e agradecem a dor que as traz
e as faz de cristal liquido...
O perdão não as dissolve, nem as varre,
admira-as ao longe, subtil e doentio...
O frio envelheceu o amor,
num banco de um jardim sem flores,
onde as dores passeiam com os filhos aos domingos...
E as magoas são rebuçados que nos viciam,
numa tortura frágil de prazer aos bocados,
como palavras quebradas e mastigadas...
Os sonhos ambíguos acordam e anseiam a realidade,
num cansaço voraz de absentismo,
lavam-se em aguas sujas que não reflectem a vaidade de ninguém...
Ninguém faz falta a ninguém se formos nada,
um vazio desprovido de sentido que não se estica para tocar
ou alcançar o mundo ao lado...
Um estado gasoso lacrimejante, errante no sentir,
a desistir por dentro,
prisioneiros imutáveis de um tempo intemporal,
sequioso por definhar em rugas tristes,
porque a imortalidade é um castigo eterno...
E as lágrimas são fugas, sentimentos incontornáveis,
que rezam pelo desgosto do nosso rosto,
nos abençoam o corpo todo em agua benta e sal...
E nós mendigos dormindo em salinas pluviais,
pedindo aquele pouco mais que nos falta para sermos entrega,
porque a dor já não aguenta sofrer pelo amor que nunca chega...

domingo, 22 de janeiro de 2012

Relicário...

De olhar vago, de pensamento à solta, encerou o lago dos sentimentos... As memórias soltavam os cabelos enquanto os sonhos se punham em bicos de pés para espreitar o futuro das histórias todas... A vontade sorria-lhe à janela, corada pelo sol, desejosa de a abraçar e ela tentava sossegar os passos que lhe apressavam os pés e lhe puxavam as pernas para uma corrida decidida!
O dia de ontem tinha adormecido ao relento, tapado por magoas de retalhos, embalado por lágrimas cansadas de um dia duro de trabalho... Encontrara-a, como todos os outros dias, ultimamente, de joelhos presos ao chão numa espécie de prece, confrontando um Deus qualquer pelo adeus repetido das suas gargalhadas... Respondia-lhe uma mudez idiota que a fazia sentir-se vazia...
Hoje não perguntava mais nada, cansou-se de fazer da vida um banco de igreja, deixou-se a si mesma e reencontrou-se consigo própria! Levantou o queixo, olhou-se no espelho sorriu e sentiu que era maravilhosa, e assim, orgulhosa e renascida olhou sem receio nos olhos efémeros da vida! O peito era agora um relicário cheio de esperança que levava a criança que era sempre pela mão numa ilusão deliciosa!

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

"Ser mãe é pera doce mas temos que ter dentes fortes" Cronica 4 "A bela adormecida ou O Hobbit?"

Porque será que toda a gente me diz:
-Não a habitues ao colo!
E logo a seguir perguntam:
-Posso lhe pegar?
???!!!
Deve ser aquela velha máxima "Faz o que eu digo, não faças o que eu faço!" a todo o vapor, de certeza, só pode!
Os avós então são os piores, cada vez que ela chora e eu lhe pego criticam logo, alcunham-me de mãe galinha, dizem que ela tem é manha, que assim ela fica mal habituada, etc., etc... Mas logo a seguir pedem para andar com ela ao colo o tempo todo...Ás vezes julgo que há um complô contra mim para me tornarem a fada má da bela adormecida...
O mesmo se aplica quando sabem que a Inês, durante a noite, em determinada altura, dormiu comigo na cama, começam logo as críticas pseudo-moralistas:
-Estás a arranjar um belo sarilho!
-Ela tem de se habituar a dormir só na cama dela!
-Assim não dormes nada de jeito!
-Os bebés não devem dormir na cama dos pais, não é bom para a personalidade deles...
(Sempre queria ver se, algum dia, a Inês dormisse na casa dos avós, se eventualmente chegaria a dormir 30 segundos na cama dela, aposto que nem lhe faziam a cama, não vá a bebé ter ideias estúpidas de emancipação infantil durante a noite e querer abandonar os pobres avós à sua sorte e escolher dormir sozinha...)
Esteja eu errada, ou não, (porque se estiver também tenho esse direito, o de errar!) optei por não dramatizar demasiado essa história do poder ou não, dormir, dormitar, ou adormecer na minha cama. Claro que tento habituar a Inês à cama dela todas as noites, onde, aliás, ela dorme pelo menos metade da noite, mas não faço disso um radicalismo qualquer por vários motivos:
a)Se ela chorar desalmadamente não dorme ela, nem eu, nem o pai, nem ninguém do meu prédio e não sou da opinião que se deve deixar os bebés chorarem até se cansarem, ficar nervoso e infeliz, que eu saiba não faz bem a ninguém...
b)Durante 9 meses ela dormiu sempre dentro de mim, bem vistas as coisas dormir agora apenas ao meu lado é um grande passo de emancipação tendo em conta que ela cá fora só tem 3 meses!!
c)Eu gosto de a sentir assim, pertinho de mim, afinal durante 9 meses eu também dormi sempre com ela e também preciso de uma espécie de desmame!
d)Quando eu menos esperar, porque o tempo passa a correr, ela não vai querer dormir com a mãe, vai querer dormir no quarto dela, depois em casa das amigas,a seguir do/a namorado/a e um dia chega a casa e diz que vai-se mudar para a casa dela... :'(((
Por isso, errada ou não, vou continuar a deixar a minha bela adormecida dormir, de quando em vez, na minha cama sem ter qualquer tipo de remorsos!

Nota: A minha bela adormecida a julgar pela quantidade de cotão que tem todos os dias nos dedinhos dos pés, de manhã, quando lhe dispo o babygrow, parece muito mais um delicioso Hobbit... :))))


Cronicas anteriores:

Cronica 1
http://librisscriptaest.blogspot.com/2011/12/ser-mae-e-pera-doce-mas-temos-que-ter.html

Cronica 2
http://librisscriptaest.blogspot.com/2011/12/ser-mae-e-pera-doce-mas-temos-que-ter_13.html

Cronica 3
http://www.librisscriptaest.blogspot.com/2012/01/ser-mae-e-pera-doce-mas-temos-que-ter.html

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

"Ser mãe é pêra doce, mas temos que ter dentes fortes" Crónica 3 "Quando até o Exorcista tem graça!"

Quando se pensa em ter meninas toda a gente se delicia com os vestidinhos que lhes vamos comprar, os laçarotes, os ganchinhos e essas piroseiras todas que adoramos e estamos desejosas de experimentar nas nossas bonequinhas! Claro que, já elas, durante algum tempo, não acham piada nenhuma a ter coisas na cabeça, calçar sapatinhos (para quê??) e vestiduxos cheios de folharecos que, não sendo muito práticos, às vezes lhes dificultam os movimentos...(Bebé sofre...)
O que ninguém pensa, pelo menos com um ar tão sonhador, é em babetes turcos com forro plastificado, mas, de facto, muito do tempo dos nossos tesouros é passado com esse acessório à frente, porque eles passam a vida a bolsar e a babar-se! A minha canixa, que continua uma devoradora de maminhas, atesta sempre até às orelhas logo, a seguir, lá vem um bocadinho de leitinho coalhado com aquele delicioso perfume a azedo e se não fosse o belo babete turco (sim porque os outros lindinhos de tecido não resolvem grande coisa, a triste verdade é esta :((( ...) em vez de lhe mudar de roupa umas 5 vezes por dia, mudava umas 15...
Até aqui, tudo bem, engolimos a historia do babete e somos felizes, certo?
Nãoooooooo, nada disso, porque ela já aprendeu a técnica do Exorcista, ora a técnica do Exorcista consiste em bolsar de jacto (sim, mesmo como no filme, só que em vez de ser verde é branco!!) e conseguir acertar no máximo de alvos possíveis, alvo preferido:
Mamã, de preferência vestidinha e pronta para me levar a passear!!
Quando ela usa esta técnica, quase ao estilo de super-herói da Marvel, é impossível evitar ou sair ileso e o melhor é que quando o faz raramente se suja, consegue usar todas as gotinhas para me acertar!!! E depois ri-se com aquele ar terrivelmente fofo e inocente ou começa a palrar toda contente!!! Também gosta muito de acertar na minha cama durante a noite, quando eu, completamente Zombi, lhe dou maminha (de 3h/3h) a meto a arrotar, lhe mudo a fralda e tudo o que quero a seguir é mete-la na caminha dela e que ela volte a dormir para eu poder dormir também até às 3horas seguintes, claro que em vez disso é muito melhor mudar a minha cama às 4h da manhã!!! (Nota: ela bolsa, depois ri-se e adormece enquanto eu mudo a minha cama toda grog...)
Também é muito bom quando acerta no senhor do Continente on line, quando traz as compras cá a casa, por exemplo...
O pior de tudo é eu ainda me desatar a rir, porque apesar do cheiro a azedo, de ficar toda suja, ter de tomar banho, mudar de roupa, etc... A minha filhota quando bolsa, logo a seguir, faz o sorriso mais delicioso do mundo!
:))))


Nota: E já se passaram deliciosos 3 meses!

Cronicas anteriores:

Cronica 1
http://librisscriptaest.blogspot.com/2011/12/ser-mae-e-pera-doce-mas-temos-que-ter.html

Cronica 2
http://librisscriptaest.blogspot.com/2011/12/ser-mae-e-pera-doce-mas-temos-que-ter_13.html

I heard...

Someone like you...

Encostei o ouvido ao chão,
onde o meu coração anda às vezes,
tentei ouvir os passos do amor
mas só ouvi a solidão a esticar as pernas...
Maldita a alma que não se cansa de sonhar
e não se contenta, apenas tenta ganhar tempo...
O tempo, porém não se ganha,
apenas podemos não o perder...
Alguém me disse que o amor não é filho único,
que amamos as vezes todas que quisermos,
basta querermos...
Mas não me avisaram que quando parte
desfaz um pouco, muito, de nós
e nos enche de luto por dentro...
Nos mostra que há um fim em cada linha...
Se encontrar noutro olhar, alguém como tu,
duvido que encontre em mim alguém como eu,
porque quem fui contigo já se perdeu
e duvido que um dia volte a amar um olhar assim...

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

i want to exorcise the demons from your past...

Presa no transito numa sexta à noite...

Parei.
Olhei para um lado, para o outro,
atravessei uma zebra de raciocínio,
cheguei ao outro lado do destino,
onde nunca foste transeunte...
Descobri que a mesma via ,
não tem dois lados por acaso
e é indiferente quem está no passeio da razão,
quando a solidão é a sombra que nos segue...
Avancei...
Meio depressa, meio devagar,
num limite de velocidade que permite
olhar para trás...
Tive esperança que me seguisses,
mas perdi-te pelo caminho,
num semáforo qualquer...
Esperei por ti, mais à frente,
de coração estacionado à beira da estrada,
com a luz intermitente ligada...
Engrenei a mudança do perdão,
do teu e do meu,
limpei o para-brisas, mas a brisa não te trouxe...
Fiquei parada,
de mapa na mão,
revi o percurso,o tempo perdido, o curso da via,
vazia num luto em bruto...
Fiz marcha-atrás no alcatrão do meu orgulho,
sem sinais de transito,
vezes demais, sem terem sido...
Fiquei cansada de te procurar e de parar de o fazer...
Voltei ao cruzamento em que falhámos e acabei por perceber
que durante todo este tempo,
nunca circulámos no mesmo sentido...

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

A covardia das nuvens...

O sonho dissipou-se...
Como se dissipam as nuvens tímidas
que se acobardam ante o sol...
Cansou-se de abanar o teu corpo indolente,
ausente de uma vontade própria...
As promessas fizeram as malas
e partiram para alas secretas da memória,
deixaram para trás as mulheres e os filhos
e foram à procura de trabalho...
(A mesma história triste de sempre...)
O amor morreu amnésico no orvalho da tua derrota,
já não volta porque não sabe como se faz...
E a saudade?
Essa anda perdida de bêbada nos cafés,
absorta em fumo de tabaco
e vai p'ra cama com os sentimentos todos...
A felicidade é um caminho invernoso e tu correste-o de pés descalços,
o teu casaco ficou esquecido numa cadeira,
e a tua vontade ficou à lareira a ler contos de milagres Natal...
Hoje, nas manhãs acres, do teu dia a dia,
lamentas os beijos que se perderam entre a neve e a névoa...
Inventas desculpas para as tuas culpas,
choras em seco e ignoras as rugas que te franzem a testa...
E o tempo, que detesta chegar atrasado,
lambe-te de uma ponta à outra,
até secar o brilho do teu olhar amargurado...

Das minhas óperas preferidas... A beleza cristalina da dor...