segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

A (O) que sabe o amor?

Existe um chilreio de esperança na alma cansada dos sonhos...
Um canto celeste que nos dá os bons dias de manhã
e nos lembra da amplitude do mundo, lá fora!
Há uma aurora que se perde muitas vezes, uma alvorada atrasada,
que nos deixa à espera de pijama,
sem vontade de sair da cama da derrota, que esgota as forças do recomeço...
Ás vezes também me esqueço de ligar o desperta(dor) e não estremeço como devia...
E o amor descalça-se e sai, sem fazer barulho,
para não incomodar mais...
Existem dias de luto, que mais parecem noites cerradas,
quando dançamos com as sombras angustiadas do nosso ser,
a valsa é uma auto-comiseração que desliza pelo nosso salão de baile,
que nos segue, mesmo quando lhe largamos a mão,
com um sorriso de Mona Lisa que acompanha e perturba...
O amor derruba todas as barreiras?
Não.
Dá-nos apenas um impulso para podermos saltar,
mas não nos pega ao colo, nem as torna mais pequenas...
A vontade depende sempre de nós...
O amor é uma voz imparcial, não obriga, nem permite,
nem impede lutos ou alvoradas...
É uma dádiva que escolhemos na nossa vida, ele não impõe a presença,
nem se deixa roubar...
Vive naquele chilreio das manhãs, às vezes deixamos que nos acorde,
às vezes nem reparamos na sua existência...
Passamos a vida a esperar por ele e a desdenhar o seu valor...
Pobre amor, tão mal compreendido,
sempre fez o melhor que soube...
Sabe tão pouco e a tão pouco...

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