segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Maré da meia tarde...

(...)
E as saudades tropeçaram, entre as correrias de salmoura que as lágrimas rasgaram, foram cristais líquidos de atropelos, intermitentes...
A dor caiu-lhe nos lábios, num movimento brusco, os dentes abraçaram-lhe as palavras e sangrou sem se dar conta...
Ensaiou discursos disparatados que se esfumaram no horizonte dos olhos dele, galopou no silêncio cego de um adeus sem sílabas de despedida... O tempo era agora um vento cruel a secar-lhe o rosto com rugas... Tentou esticar os braços mas o aço do desalento puxou-lhe os músculos da esperança até rasgar... E deixou-se ficar, viva, num corpo morto, de olhos em maré alta a vê-lo partir com as gaivotas dos sonhos...
in:"Purpurinas"

1 comentário:

Nuno Marques disse...

olá Inês,

bela prosa.
saudade, lágrimas, dor.
palavras por dizer, ou talvez gastas demais.
o corpo, um bocado de terra ressequida.
a seca, todas as lágrimas já foram choradas, em vão?
a esperança, a coragem, talvez esperar, depois a despedida.
e esperar a volta das gaivotas.
é sempre um prazer ler-te
boas festas
bj