segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Chuva ácida...

Há um sabor a chuva na noite dos teus olhos,
um gotejar de lamento ácido,
que corrói as palavras e as rasga numa dor contida...
Talvez tenha sido um tormento efémero,
infantil, imaturo, ridículo até...
Um amor de verão que começou porque estavas receptivo
e te apetecia devorar o mundo em gargalhadas,
mas não terminou sem te trazer a noite...
Perdeu a beleza pueril de construir castelos na areia molhada
e hoje é um sofrimento puro que te veste da cabeça aos pés...
Sim. Amaste.
A pontuação já explicou tudo.
Terminou, como terminam as férias grandes dos miúdos...
Passou a correr e tu ficaste para trás,
encolhido, cheio de medo, cheio de vazio...
E o frio abraçou-te e choveste e desfolhaste-te
e hibernaste dentro de uma concha, ou de uma caverna sem luz...
A espera de uma Primavera que nunca veio,
que se atrasou a ver as flores à janela e se esqueceu de ti...
Houveram gestos de promessas que não fizemos,
que comeram os restos que ficaram no prato das frustrações...
E aqui jazem as migalhas das ilusões todas,
entre a chuva que escorre por ti abaixo,
debaixo do olhar de tanta gente,
que não sente o sabor a amor nos teus olhos...

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