sábado, 3 de dezembro de 2011

Cair da folha...

No Outono, quando as árvores se despem e deixam cair
por terra, o dourado da sua entrega,
será que se esquecem que se vestiram de esperança
o resto do ano?


Há um egoísmo des(humano) na mudança...
Ainda nos falta aprender que não devemos esquecer o amor,
mesmo que tenha sido breve,
ou tenha roubado o sal dos nossos olhos...
O amor deve ficar connosco,
mesmo o que passa...
Devemos guarda-lo numa taça da nossa alma,
para sorvê-lo em golos espaçados,
mais tarde,
com calma,
quando a dor tiver passado...
O amor arde e consome-nos,
mas no fim restam as cinzas,
que também aquecem e o calor da pele tolera melhor...
Há nele uma parte de nós que não deve morrer,
que existiu, que foi real, que importou...
Uma primavera antes do Outono,
quando se despem as árvores...
O abandono do que foi, é a amputação do que somos,
um membro fantasma doloroso...
Deixemos que adormeça devagar,
que acorde transformado, tranquilo,amadurecido...
Que seja uma recordação feliz e não um sentimento penoso
a devorar-nos a carne...
Deixemos que pertença à alma e se esqueça do corpo ferido e orgulhoso...
Deixemos que faça sentido, porque nos fez importantes,
a nós e aos outros que nos importaram...
Permitamos que tenha sido bonito, porque valeu a pena!
Guardemos os instantes felizes, os momentos só nossos,
o brilho de cada olhar, os movimentos partilhados...
Que dure para sempre, porque foi digno de durar
e nos perpetua no infinito!

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