terça-feira, 15 de novembro de 2011

Vicissitudes...

As pedras descalças da calçada correm rua abaixo,
apressam a tua chegada nas sombras fugidias das esquinas...
Existem viúvas em prantos de luto em céus cabisbaixos,
velando o amor em dias de choro,
como aves de rapina entristecidas...
Todo o mundo se apressa para te ver chegar,
mas se vens, vens sem pressa...
Ao fundo das ruas não se sente o perfume dos teus passos
a marcar compassos inquietos,
no lume ansioso de um encontro duvidoso...
Já vivi muitas vidas sem ti,
mas vivi, apesar de tudo e da dor de o saber...
Tu desfolhas os dias sem morrer pela distância,
porque te ouço rir ao longe, muitas vezes...
Se calhar, porque calhou assim,
nunca esteve destinado sermos destino um do outro...
E os dias angustiados, à espera, hão de sarar,
lambendo feridas com a língua salgada...
E as pedras da calçada, cansadas de correr descalças,
vão aprender a caminhar, devagar, nas montras da vida...

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