quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Cegueira...

Existem náuseas de cores escuras a tingir os teus olhos,
entre a retina do desgosto e a íris da melancolia,
há um refluxo de arrependimento que te marca o rosto
como navalhas...
Existem gralhas no texto do teu caminho,
falhas pequenas, quase imperceptíveis,
invisíveis a olho nu...
Tu abraçaste-as numa morte anunciada,
quando escolheste selar com velcro o teu sentir,
aprendeste a mentir a ti mesmo e a verdade partiu de madrugada,
depois de fazer amor contigo uma ultima vez...
A boca sabe-te à acidez do adeus,
quando a dor da tua voz mente ao redor,
num desamor próprio tão impróprio para consumo...
E o rumo segue, sem ti, porque já não existes,
desistes de o alcançar ou de te cansar a persegui-lo...
És um estimulo involuntário de pena,
num gesto autoritário de auto-controlo...
Um resto do nada que te abandonou e que se deixou ficar para trás,
que já nem falta te faz...

1 comentário:

Rogério Paulo Peixoto disse...

"ès um estímulo involuntário de pena"

A forma crua como desnudas a falta de forma e vício de quem sublinhava e/ ou escrevia as melodias suspensas no Ser.

E de resto, pousado o pó de tão penosa partida, O abandono em si, em ti,em nós...de sonhos e quimeras mil.

Gostei, mesmo com travo a hortelã e malagueta Africana.