segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Just breathe...

Paz Dor(mente)...

Calam-se os ventos, dispersam-se as nuvens,
aquieta-se o sussurro morno da terra...
Tudo é lentidão e silêncio...
Qualquer movimento áspero é um murro no estômago...
Há um momento em que nos encontramos no âmago
de nós mesmos,
quando tudo é sublime e se enterra em nós
esta vontade de pertencer a um lugar qualquer
e que todos os lugares nos pertençam...
Fecha-se a voz à chave...
Abrandamos os olhos, humedecemos os lábios de sonhos
e saboreamos a esperança em golos delicados...
O tempo faz um intervalo de espera e espera pelo nosso tempo...
A paz é o ar quente que nos preenche os pulmões,
que se liberta através da pele em arrepios doces
e obriga-nos a dissertações ridículas sobre o amor...
Os sentimentos tornam-se crianças precoces a correr descalças
pelos pátios da nossa imaginação indiscreta...
O coração a bússola que nos encontra o Norte além-morte...
E a dor passa a ser uma palavra obsoleta!

domingo, 30 de outubro de 2011

O novo e brilhante romance de Rogério Peixoto "O acordar dos Sentidos"

http://rabiscosdealma.blogspot.com/

Leia em primeira mão este fantástico romance de um autor brilhante que não me canso de acompanhar. Uma obra de ficção que retrata a realidade actual do nosso país. Um trabalho que o fará pensar e quiçá agitará consciências!
A não perder!!!

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Truz Truz!

O mundo é um punho cerrado,
amordaçado pela intolerância e a fraqueza...
Os outros viraram as costas aos outros
e vivem a incerteza da solidão...
Existe uma discrepância tangível
entre o corpo e a alma que nos impede
o brilho nos olhos...
Antes éramos crianças, de saias de folhos,
a rodopiar tentativas e a saltar cordas de gargalhadas!
Hoje somos adultos cinzentos, cheios de directivas,
a tactear a parede claustrofóbica do nosso limite...
Deixamos de estar atentos e passamos a estar adormecidos,
envolvidos numa redoma que nos torna selvagens...
Um dia talvez voltemos a falar do cheiro da chuva...
Deitados no chão, olhemos os desenhos das nuvens,
esboçando a vida...
Hoje o mundo é um punho cerrado...
Amanhã talvez seja apenas, uma mão estendida...

terça-feira, 25 de outubro de 2011

E o meu legado poderia bem ser este...

Se um dia a minha voz soprar além de mim e trouxer o eco daquilo que fui, quero que deixe um sorriso sempre que pousar nos ombros de alguém... Não desejo ser intemporal, memorável ou irrepetível... Basta-me ser como a brisa, que passa e agita, levemente, o cabelo dos amantes e refresca e conforta mesmo que nem notemos a sua presença!"
(Inês Dunas)

E voas sobre o mar com as asas que eu te dou!

Á deriva no mar...

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Em câmara lenta, como na T.V... :))))

As intermitências da vida...

Erguem-se os minutos, como muros embandeirados,
publicitando distancias ténues...
Há um vazio preenchido de lutos e sonhos desfeitos,
estilhaçados pelas opiniões medíocres dos outros,
provando os olhares reprovadores que trazem as dores
a cada momento...
Existem romances contrafeitos,
alugados, copiados, ou falsificados,
por memórias roubadas a casais intemporais
que morreram precocemente porque tinham experimentado
e sugado o melhor da vida...
(Não fazia sentido
descer do cume das emoções e ser banal
e acordar com mau hálito, ou envelhecer,
ou simplesmente ter falta de erecção...)
A morte pode ser o Cristo redentor do Amor...
A perfeição tem uma esperança de vida reduzida!
Não tem razão de ser, andar por cá, muito tempo,
se se achou e teve aquilo que procurámos sempre...
A cruzada termina e o soldado despe a armadura
e arruma a espada...
(O que lhe chamamos agora?)
Vivemos aquilo que a vida nos põe na mesa,
na certeza porém,
de que não adianta reclamar,
se está salgado, ou insosso,
ou existe alergia alimentar...
Ela venda-nos os olhos e obriga-nos a comer,
garfada, a garfada...
Às vezes, podemos optar pela peça de fruta...
(Para nos sentirmos a dominar alguma coisa...)
Mas foi ela quem foi a mercearia escolher tudo...
Viver não custa...
Custa aceitar viver, continuar e ser feliz!
E esta é a única sabedoria que tenho.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

O silêncio é de ouro...

E o sonho dorme...
Os seus lábios desenham sorrisos etéreos,
nos olhos esconde caminhos atentos
de paraísos por descobrir...
E num desfolhar de graça,
enternece
e o tempo esquece a cadência...
O corpo é perfeição e inocência,
na mão traz-me o mundo e a vontade
e o prazer da idade...
No cheiro o verdadeiro
sentido da vida,
despida de outra coisa qualquer...
Meu privilégio de ser mulher,
de ser ventre e universo...
Meu amor de ontem, de hoje e de sempre,
que jamais cabe em estrofe, ou verso...

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Sometimes it lasts...

As 4 estações de Vivaldi...

As folhas douradas rangem-me em Outono,
no sono breve do sopro que traz o frio...
Houve um vazio que se preencheu
com o teu coração,
ou com uma parte desapertada do meu...
Hoje, no nada dos dias,
caminho de mãos vazias
à procura daquele Inverno de loucura
que se amou em Primavera...
A espera traz-me de volta a mim,
assim, devagar,
como um suspirar hipotérmico,
num ansiar dérmico de toque...
E a secura dos dias avança,
sem que encha o peito, sem que sufoque,
num respirar monocórdico...
A esperança são alvéolos pulmonares,
numa virgindade pura, intocável,
distante...
Numa castidade vestida de mórbido,
de escolhas,
ou de razão à vez...
Não vês?
Um dia seremos as folhas a morrer debaixo dos pés...

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Que eu quero ser (e fazer-te) feliz!

Contrações (In)voluntárias...

Os músculos são mãos fechadas,
encolhidas, contraídas,
que se inibem de tocar...
São mulheres contorcidas
com medo,
observando ao longe o prazer...
A amar aquilo que nunca entenderam...
Há um segredo nos meus olhos,
renascido no meu ventre quente,
escondido pelos sonhos que se venceram pelo cansaço...
Há um regaço à tua espera
e um abraço interminável,
que supera todas as dores...
Os amores são guerreiros de cristal...
Se caem quebram, se se pisam, cortam...
E nós capitães de Abril a cheirarmos cravos
de plástico...
Sós, no meio de uma espiral de emoções,
de cacos nas veias e anéis nos dedos...
Embalando sorrisos e projectos,
alimentando-os em seio farto,
cheios de fome...
Confiantes, como antes também fomos...
Enquanto o tempo nos come por dentro...