terça-feira, 27 de setembro de 2011

E deu-me a poesia a mim...

Adeus o que é de Deus...

Há uma lágrima mais pesada
que escorre por entre o tempo
e morre no lábio entreaberto e seco
de um adeus qualquer...
É um ciclo desfeito em sal e água morna,
que nos segreda ao ouvido que o inicio e o fim
são virgulados por capítulos cujas portas
se vão fechando
e encerrando fragmentos de nós próprios que se descamam...
São lágrimas mortas que nasceram num auge de sonho
e se amam na efemeridade que as dissolve...
A mortalidade que nos confina em tudo
é a beleza ingrata que nos faz amar tanto,
porque não dura, pode morrer,
desaparecer ante as nossas mãos nuas...
Antes de sermos, morremos muitas vezes...
Adeus ao que é de Deus!
Porque o amor nunca pertence,
é-nos emprestado para entendermos um pouco
o que é superior a nós próprios...
E vence tudo porque nos mostra que nós somos nada,
nada sem ele e nada por causa dele...
E quando a porta range e bate e estremece
com o embate da nossa dor,
fechamos-nos à chave...
Chamamos de novo capitulo, seguir ou fugir em frente,
chamamos de ultrapassar,
ou amarmos-nos mais...
E acreditamos que estamos melhor assim...
Habituamos-nos ao vazio que não nos rouba,
porque não há nada para levar...
E o fim já nem assusta.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Who can say if your love groves?

Limite

Rosto...
Desgosto, charco de rugas...
Bússola cansada,
desmaiada por ponteiros quebrados,
devassados por atrasos constantes...
Amantes abandonados pelo ócio,
ódio de pertencer, ou escolher, ou querer
algo mais além de nós...
Voz escrita em silêncio
que grita por entre as vendas que a gente traz...
Lendas de amores impossíveis,
passíveis de existir entre os mortais...
Juras de nunca mais,
de nunca menos, ou apenas de nunca...
Penas choradas por mulheres vestidas de espera,
em mera nudez de amor-próprio...
Pequenez dos homens todos,
fraqueza e beleza reprimida,
desmentida por mentiras frias de pernas curtas...
Sombras surdas de sonhos pardos...
Fardos, com nomes de coisas e de gentes
e de desculpas...
Culpas...
Remorsos e perdão e outros actos de contrição...
Réstia de modéstia falsa,
dançando a valsa com o medo...
Segredo...
Vergonha...
Fronha da cobardia onde repousas de noite...
Antes rebeldia,
ou açoite,
ou castigo...
Antes a morte...
Antes...
Sem depois.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

E hoje li isto num mural do facebook e achei piada, por isso partilho!

Vou escrever num tijolo "TENHO SAUDADES TUAS!", e vou andar com ele sempre junto a mim e no dia em que te vir, vou atirá-lo direito à tua cabeça para que saibas o quanto a SAUDADE me tem magoado!

...

Quem nunca fomos...

Havia uma inocência doce nas palavras proibidas,
um segredar suave,
sussurrado numa malícia pueril,
que se perdeu entre os anos da minha maturidade...
Havia uma verdade absoluta no olhar nos olhos,
no tocar de mãos, em sentir o cheiro,
que hoje se alcunha de adolescência,
ou outra coisa qualquer e deixou de existir,
entre uma manhã, ou outra, nem sei bem quando...
Quando foi que amar deixou de ser prioridade?
A voz de comando das nossas vidas alterou-se,
envelheceu ou simplesmente padeceu de racionalidade...
Mudou-se o tempo e as vontades e nós próprios,
entre facturas da luz, da agua, da creche,
porque nós também crescemos...
Deixámos de ter tempo para amar os amigos,
os mais que amigos, os nossos filhos
e os filhos dos outros...
Porque queremos ter um sofá confortável
para dormirmos à noite, na nossa solidão,
ou uns cortinados novos para tapar a janela
da nossa vida com vista para um muro de betão...
Continuamos a trocar um piropo amável com aquele
ou aquela que nos enche as medidas,
imaginando que um dia podia haver um diluvio
e sermos sobreviventes no mesmo barco...
Adiamos os nossos sonhos porque já nem nos lembramos quais foram,
mas se calhar era ter uma carrinha,
ou mais um quarto,
ou talões de desconto do hipermercado...
Masturbamos a nossa liberdade uma vez por dia
a olhar para o lado e a invejar qualquer coisa,
que pode ser uma coisa qualquer,
desde que nunca possa
ser nossa...
E a vida passa...

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Do baú...

Antes da palavra...

Os sonhos trautearam poemas sem sentido,
fecharam os olhos,
esticaram os braços,
entreabriram os lábios trémulos,
na ânsia de um mundo diferente...
Mas a realidade é apenas uma parede serigrafada
a preto e branco,
sem espaço para lágrimas de aço...
Amei cada letra do nome da minha pena,
cada milímetro da dor de um amor enfermo
que me levou pela mão ao Inferno demasiadas vezes...
Já não tenho mais escadas para descer,
ou salinas de alma para espraiar...
Virei-me do avesso para me encontrar
e perdi-me entre costuras e remendos...
E lá fora, no mundo dos outros,
nada mudou,
nem ninguém notou a minha ausência...
Se nunca tivesse nascido quem sentiria a minha falta?
Nunca quis ser indispensável,
bastava-se que me vissem de quando em vez...
E talvez sorrissem antes de olhar em diante...
Tenho em mim todas as magoas do mundo
e aguas límpidas de prazer, numa mescla homogénea...
Não sei descrever melhor este universo que cabe em mim,
assim, meio inverso aos outros,
criado por uma super-nova qualquer...
Sou mulher e sou um mundo
e esse ar todo que existe no entretanto...
Amor em estado liquido,
pranto ou canto de sereias mitológicas,
alheias a lógicas cientificas...
Um mito perdido num povo esquecido,
ou extinto,
ou evoluído no vazio...
Um nada que não se explica...
Um riso que não existiu,
porque ninguém o tivesse escutado...
Um poema sem sentido,
que passou ao lado,
apenas porque morreu na caneta inacabada
que o escreveu antes da palavra.

domingo, 4 de setembro de 2011

All the lonely people live beneath the ground...

Não se morre duas vezes...

Que me importam as vitórias,
as gargalhadas,
ou inspirações de peito aberto?
Se o meu mundo é um deserto por descobrir?
Talvez árido de mais...
Não existem jornadas miseráveis,
ou caminhantes instáveis,
mendigando por água, ou apenas uma sombra...
Fico a muitas horas de voo de distância
e o jet lag torna-me pouco apetecível...
Sei que um dia amei e quase fui amada
e isso valeu alguma coisa...
Essa ânsia estranha de me partilhar
quase aconteceu, mas morreu na praia...
E ainda que saia esta lágrima
do meu universo,
escrito em sonho, lamento, ou vulgo verso,
não vale de nada olhar para um Passado
desesperado por se ir embora...
Nasci antes do meu tempo, talvez,
numa época em que amar não conta,
em que não há tempo para olhar o mundo,
ou contemplar as marés sem ter um motivo...
Vivo, dia após dia, olhando toda a gente,
porque me apaixono pelas imperfeições dos outros...
Nunca quis alguém especial...
Se o quisesse, teria uma cama do tamanho do mundo!

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

4000 visitas!!! :)))))))))))

Obrigada a todos os que passam por aqui para ler um pouco de mim!
Fica um beijinho para vocês!
Inês Dunas