terça-feira, 9 de agosto de 2011

Quimeras...

Caminho devagar pelos sons da minha consciência,
tacteio a dormência da tua voz...
Perdemos-nos do voo das plumas e das aves,
somos espigas sós a perderem o trigo
no abrigo de um silêncio mórbido...
Nunca mataremos a fome aos sonhos,
o tempo come-nos devagar e as rugas nem pedem licença...
Não há pertença sem dor, nem amor sem pertença...
Os finais felizes jamais seriam finais,
por isso são mitos em que não acredito...
Seremos estranhos, numa manhã qualquer,
em que tudo estará longe demais
e pensarmos que nem existimos...
Desistimos...
Rendemos-nos ao comum, às vidas alheias,
às meias verdades, ao peso do chão...
Meras realidades baças...
Já não temos asas...
já não somos um...
Quimeras perdidas em fumo,
desvanecendo sem rumo,
morrendo.




1 comentário:

Dany Filipa disse...

"Nunca mataremos a fome aos sonhos,"
;
"Os finais felizes jamais seriam finais,
por isso são mitos em que não acredito..."

todo o poema, é forte, mas essas frases acima destacadas...fizeram parar e pensar em como é bem verdade!
sonhamos a todo o dia, toda a hora...sempre...sem fim...e finais felizes,nao ha...se houver algo com felicidade, de facto nao é um final...

gosto imenso de te ler e tu sabes disso...se nao sabes, devias saber :)

bjos...da tua borboleta senior! :P