quarta-feira, 31 de agosto de 2011

O mel do masoquismo...

Existe um fascínio mórbido pelo sal da despedida
que nos comove e envolve a todos...
Quer seja uma morte leve, ou breve,
mascarada de até já,
não há quem não lamba esse momento e não o grave
em trejeitos de voyeurismo...
Se andássemos de coração na mão,
seriam muitas as vezes que o deixaríamos cair no chão,
só para vermos o estrago feito...
Porque somos nós o primeiro prisioneiro
do nosso doce sofrimento...
Somos nós, o dependente agarrado, viciado
naquela dor que nos parte, quando alguém parte,
ou nos diz: Acabou...
O amor tem tantas faces, nem fazes ideia...
Passamos a vida inteira a tentar ser amados,
fingimos amar os outros, num servilismo interesseiro,
de obrigar alguém a retribuir algo que nem sabemos dar...
Porque o amor magoa e a mágoa assusta...
Custa admitir que somos egoístas de mais,
que nunca fomos capazes ou simplesmente audazes,
de conquistas heróicas,
porque conquistar implica possuir alguma coisa...
Nas nossas estóicas batalhas pelos corações alheios,
somos esgrimistas armados em falhas,
cheios de sonhos de moinhos de vento...
Lamento tanto...


2 comentários:

Lírio Lilas disse...

Inês,

A tua escrita é, simplesmente, o must!
Fico embevecida cada vez que te leio.
Parabéns, minha linda!

Um beijo grande!
Lila.

Clarisse Silva disse...

Olá Inês,

Um dos teus textos que mais gostei... Fantástico!

"Se andássemos de coração na mão,
seriam muitas as vezes que o deixaríamos cair no chão,
só para vermos o estrago feito...
Porque somos nós o primeiro prisioneiro
do nosso doce sofrimento..."

Beijo,
Clarisse Silva